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Moda antecipa razões para celebrar

A pandemia veio dividir o mundo da moda entre a praticidade do design sazonal e o desejo de voltar a vestir coordenados mais elegantes. As tendências para o outono-inverno 2021/2022 refletem esta dualidade divergente que se agrupa em quatro temas regidos pela nostalgia, androginia, luxo e alegria, mas sempre com um toque inesperado, sugere um novo estudo da Heuritech.

Zuhair Murad [©Instagram/@zuhairmuradoofficial]

A análise da Heuritech incide em 5.430 coordenados das passerelles dos epicentros de moda para a próxima estação fria, nos quais foram identificadas 650 tendências, como riscas clássicas e neutras, peças festivas, nomeadamente minivestidos e modelos de veludo ou pele. Na perspetiva da especialista na previsão de tendências, as novidades das propostas femininas espelham as necessidades resultantes do contexto pandémico, avança o Sourcing Journal.

Libertação extravagante

Apesar das tendências festivas poderem parecer irrelevantes neste momento, tendo em conta que vários pontos do mundo, como Itália e França, enfrentam novos confinamentos, os designers não deixam de ansiar pelos eventos sociais para o outono.

Nas passerelles, os criativos optaram por deixar o loungewear para trás e manifestaram a preferência pelo vestuário festivo com materiais que não passam despercebidos, como lantejoulas, penas e veludo, usados em vestidos e saias, decotes acentuados e silhuetas marcadas.

Tal como descreve a Heuritech, as escolhas foram feitas em nome do otimismo, que transparece na paleta de cores. «O amarelo foi uma das tendências de cores mais visíveis nas semanas de moda, o que pode ser uma surpresa, considerando que este tom é frequentemente associado á primavera-verão», explica a empresa, sem deixar de sublinhar que esta tonalidade será uma «constante» para o inverno.

Germanier [©Instagram/@kevingermanier]
O rosa e o lilás são também apostas seguras, com o primeiro a ser mais visto em vestidos curtos e agasalhos, enquanto o segundo dá vida a conjuntos e coordenados mais ousados fabricados com peles e tecidos transparentes.

As minissaias e os vestidos curtos vão dominar o cenário da moda no futuro próximo e, apesar de ser uma tendência mais reveladora, a adoção dos microcomprimentos é visível nas coleções da Versace e da Valentino, que destacam o «encanto universal» da mesma.

Os macacões são igualmente uma das propostas em foco, quer sejam em malha ou em lantejoulas e, através da peça única, os designers pretendem fazer uma declaração de moda ousada no pós-pandemia com as silhuetas justas.

As lantejoulas vão mesmo abrilhantar os coordenados mais casuais, à semelhança das franjas e penas, que fazem jus à extravagância pretendida, aponta a Heuritech.

Luxo discreto e inesperado

Com tons neutros, materiais glamorosos e silhuetas intemporais, os designers estão a apostar numa estética discreta, mas luxuosa, revisitando a década de 1920. «Embora o estilo da década de 1920 seja conhecido por ser ostentoso e chamativo, havia, ao mesmo tempo, um desejo de ser confortado através das roupas, o que resultou num abraço de silhuetas fluidas, em vez de modelos restritivos como o espartilho», indica a empresa, salientado que os blazers e as malhas tricotadas serão indispensáveis para a próxima estação e, no caso das malhas, terão aplicações inesperadas.

Alexandre Vauthier [©Instagram/@alexandrevauthier]
O xadrez Príncipe de Gales ressalta a alfaiataria clássica e o estilo burguês, contudo, fora do convencional, dado que esta tendência surgirá em macacões e loungewear. O azul-marinho e o castanho são também opções seguras para coordenados monocromáticos.

Com as alusões à década de 1920, as peles, sintéticas ou recicladas, voltaram a emergir, até mesmo em cores como amarelo, roxo e vermelho e ainda com diferentes texturas, uma tendência aplicada aos sapatos e acessórios.

Nostalgia moderna

Os designers homenagearam o mundo pré-digital com métodos artesanais, cores suaves e estampados que transmitem calma, conforto e sensualidade.

Marcas como Sandy Liang e Sea deixaram na ribalta as produções em lã com uma versão utilitária das sweaters femininas.

Com o aparecimento de novos passatempos durante o confinamento, o crochet volta a ser tendência, impulsionado também pela utilização moderna desta técnica pela Acne Studios e pela Miu Miu.

Undercover [©Instagram/@undercover_lab]
A feminilidade invadiu as passerelles através de materiais elegantes e abundância de tule e cetim, utilizados em vestidos, blusas, calças e blazers, para conferir um aspeto de «luxo sem esforço». Os estampados floridos ou com bolinhas remetem também à nostalgia da roupa feminina do passado com a junção de tons pasteis em rosa, azul e verde.

Detalhes românticos como as mangas balão e golas com babados reforçam ainda mais a nostalgia para o outono-inverno 2021/2022.

Futurismo espacial

De acordo com a Heuritech, o mês da moda foi definido por linhas sóbrias, silhuetas andróginas e cores ousadas, abraçando estampados gráficos e brilhos.

Com as cores a desempenhar um papel importante na história futurista, o laranja, turquesa, vermelho e verde foram tonalidades muito observadas. As cores vivas em estampados, riscas e peças tie-dye continuam em voga, mas com efeito «subtil atmosférico espacial» à mistura.

Sob a influência espacial, os metálicos prateados, rosa e dourados foram uma seleção natural para a lista de tendências.

Lecourt Mansion [©Instagram/@lecourtmansion]
O conforto, a característica mais requisitada pelos consumidores desde o início da pandemia, continua a ser importante, com o mohair em especial destaque no que toca à suavidade.

Ainda a desfilar como tendência foram observados casacos puffer e ponchos e também camisas e polos. Para evitar conceitos monótonos, os designers procuraram incorporar estes artigos com «elementos surpresa» como recortes, refere a Heuritech.

A balaclava emergiu como uma das maiores tendências no segmento de acessórios nos últimos tempos. «Este acessório parece uma progressão natural da máscara facial, proporcionando ao utilizador uma camada extra de calor e conforto, especialmente durante os meses frios», conclui.