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Moda de aluguer: um mercado de oportunidades

Para atender às necessidades de um mercado em mutação constante, algumas marcas e retalhistas implementaram um serviço de aluguer dos artigos nos últimos meses. O objetivo é conseguir a lealdade dos consumidores, conquistar novos clientes e aumentar as vendas.

A economia de partilha está a dificultar o trabalho das marcas de moda e do sector retalho em geral. Quer sejam nomes já estabelecidos no mercado ou empresas a darem os primeiros passos, as complicações persistem com as subscrições dos serviços de aluguer. Contudo, a economia de partilha pode atuar como uma oportunidade de incentivo à lealdade dos consumidores de acordo com um novo estudo da empresa de software CGS, divulga o just-style.com.

Nos últimos meses, várias marcas e retalhistas introduziram serviços de aluguer de vestuário, numa iniciativa que visa solucionar a contradição dos millennials e dos consumidores da geração Z, que procuram novidades de moda constantemente e, ao mesmo tempo, ambicionam ter um estilo de vida mais sustentável.

Ainda que a taxa de adesão do consumidor a este movimento tenha permanecido baixa, o relatório revela que o aluguer de vestuário pode ajudar a marca a crescer e a ganhar consumidores fiéis.

«À medida que o aluguer se torna mais popular e as empresas encontram o mix de preços certo, as marcas podem persuadir mais clientes», indica a CGS. «Os consumidores que pagam mensalmente são mais leais e mais lucrativos», afirma.

Dos mais de 17 mil inquiridos na análise de consumo sobre o futuro da moda e do retalho em 2019, a CGS descobriu que 3% já recorreram a um serviço de aluguer. No entanto, 39% dos consumidores não entenderam ou não estavam familiarizados com serviços deste género e 19% consideram que são muitos caros.

Apesar destas respostas, o estudo da CGS revelou uma «oportunidade tremenda» para as marcas que estejam dispostas a atender aos interesses dos clientes e oferecer opções acessíveis. Banana Republic, Urban Outfitters e American Eagle Outfitters são algumas das retalhistas que já se aventuraram no mercado do vestuário de aluguer. As empresas decidiram responder à crescente necessidade de novos modelos de negócio e às crenças dos consumidores atuais, que querem viver de forma mais sustentável e pensam que ter mais é menos.

A American Eagle Style Drop, o serviço Nuuly da Urban Outfitters e, mais recentemente, a Banana Republic Style Passport oferecem aos consumidores a opção de alugar vestuário durante um mês através do pagamento de uma subscrição mensal. A American Eagle Style Drop permite que os consumidores dos EUA possam alugar três artigos de uma só vez e trocá-los quantas vezes quiserem com uma assinatura de 49,95 dólares (cerca de 45 euros), enquanto os assinantes do serviço Nuuly da Urban Outfitters devem pagar 88 dólares por uma caixa mensal de seis artigos com acesso às marcas próprias da Urban Outfitters, marcas de terceiros e peças únicas vintage na plataforma digital personalizada. O Style Passport da Banana Republic custa 85 dólares por mês, disponibilizando três peças de vestuário, e permite que os consumidores aluguem os artigos com a opção de poderem comprar.

Outro modelo de negócio circular emergente é o aluguer sem assinatura em que os clientes pagam apenas pelo artigo quando o alugam. Exemplo disso é a Ganni Repeat, da marca de vestuário dinamarquesa Ganni, disponível somente para os consumidores do país e que oferece a opção de pagar o aluguer de vestuário e acessórios entre uma e três semanas antes de devolver os artigos, sem encargos. Os utilizadores podem ainda reservar os artigos com antecedência e repetidamente ou até mesmo optar por comprar o produto de imediato.

Ao analisar os mais de mil consumidores que recorrem a serviços de aluguer, a CGS apontou algumas razões para a exploração deste negócio do aluguer de peças em segunda mão.

Sustentabilidade e acessibilidade

Cerca de 41% dos consumidores estão à procura de vestuário em segunda mão porque desejam encontrar opções acessíveis e mais amigas do ambiente (13%). A geração mais jovem é a mais provável de priorizar a sustentabilidade como principal razão para comprar um artigo em segunda mão. Neste sentido, 64% dos consumidores da geração Z asseguraram que pagariam mais por um produto sustentável.

À medida que as marcas tentam prosperar no mercado emergente de serviços de aluguer devem também ter em contar dados demográficos como a idade, género e localização para conquistar os utilizadores mais prováveis de aderir ao serviço.

Mercado de partilha

O mercado de partilha de veículos, como a Uber e a Lyft, continua a crescer rapidamente, segundo a CGS, que considera que a aceitação do consumidor em partilhar boleias está a traduzir-se numa ótica mais recetiva para receber outros modelos de negócio partilhados, nomeadamente no retalho.

A análise da empresa constatou que 79% dos consumidores que usam serviços de partilha de veículos também estariam dispostos a pagar 50 dólares ou mais por mês por um serviço de vestuário de aluguer.

Usufruir para comprar

Com a aproximação da quadra natalícia, a CGS observou uma onda de potenciais clientes de serviços de aluguer a surgir no mercado. Dos consumidores inquiridos, 36% têm maior probabilidade de alugar vestuário para eventos formais como festas e casamentos, uma vez que vestuário formal foi classificado como a categoria mais popular para alugar, com uma percentagem de 47%. Já os eventos formais foram considerados a principal razão pela qual os consumidores alugariam roupa, 35%.

Para este género de consumidor, os serviços de aluguer apesentam uma oportunidade de experimentar uma nova marca, 31%, ou um artigo de luxo pela primeira vez, 23%. Alugar um carro também pode ser um caminho direto para novos clientes: 45% dos inquiridos disseram que ponderavam comprar um artigo depois de o ter alugado. Assim, para a CGS, as marcas devem apostar no marketing para dar a conhecer as opções de aluguer como uma forma de gerar interesse nos produtos, levando à compra.

 «As expectativas dos consumidores estão a mudar e os resultados do inquérito reforçam a ideia de que as marcas precisam de encontrar uma nova forma para incentivar a lealdade à marca», garante Paul Magel, presidente da divisão de aplicações de negócios da CGS. «Analisando a geração Z, por exemplo. Estes indivíduos estão habituados a modelos de aluguer, quer seja da Netflix ou Airbnb, então as opções de marketing sustentáveis e eco-friendly no formato de aluguer são a forma perfeita para interagir com eles. A transformação no mercado de moda e de vestuário requere tecnologia avançada para apoiar a cadeia de aprovisionamento», explica.