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Moda de autor de portas abertas

O retalho físico, ao contrário daquilo que muitos analistas previram, não está morto, mas em mutação. Nomes como Luís Buchinho, Nuno Baltazar e Patrick de Pádua parecem estar de acordo com esta afirmação e preparam-se para inaugurar novas lojas no Porto e em Lisboa.

As gerações mais jovens de consumidores – os millennials e a geração Z (ver Consumidores preferem as lojas) – preferem a loja e, nos EUA, mais de 77% dos membros da geração Z, consumidores que nasceram depois de meados da década de 1990 até ao início dos anos 2000, avaliam as lojas físicas como o canal de compras de eleição, segundo uma pesquisa da Accenture.

Por outro lado, alguns grupos de consumidores continuam a precisar de sentir os produtos mesmo que acabem por fechar a compra online (ver Ver em loja, comprar online) e, apesar de muitas cadeias terem vindo a diminuir ao número de pontos de venda, novos espaços com renovados posicionamentos têm surgido no horizonte do retalho (ver Retalho Físico conjuga tempos futuros).

Atentos, também, a estas tendências, os designers nacionais estão a procurar adaptar-se ao novo ambiente do retalho tradicional, transferindo as respetivas lojas para artérias vitais das cidades que as acolhem ou, simplesmente, inaugurando pontos de venda para captar a atenção do consumidor que valoriza o toque além dos ecrãs.

Já de portas abertas no número 812 da Rua de Sá da Bandeira, no Porto, a nova loja de Luís Buchinho está pronta para receber os muitos turistas que passeiam pela rua central e comercial que une a zona da Trindade a São Bento.

«Sempre adorei a Rua de Sá da Bandeira, talvez seja para mim a rua mais bonita do Porto, acho que é a rua mais nobre da cidade, já estive para viver aí e esta loja é quase um sonho concretizado», afirma o designer ao Portugal Têxtil sobre o novo ponto de venda, com inauguração agendada para 18 de novembro.

O espaço vem substituir a loja na Rua José Falcão, que abriu portas em 2007.

«Esta loja, em termos de organização e de visibilidade permitia-me algo que a outra já não me permitia e quis dar esse passo», explica Luís Buchinho, que espera receber clientes «esporádicos que, de visita à cidade, tomem conhecimento da loja».

Brevemente, Luís Buchinho terá Nuno Baltazar como vizinho. O designer está prestes a mudar-se da Avenida da Boavista, onde abriu a loja em 2005, para a Rua do Bolhão.

A nova morada fixa da marca epónima de Nuno Baltazar, muito próxima da de Luís Buchinho, ambiciona receber mais visitas internacionais, com o “boom” do turismo no Porto «a influenciar muito a escolha», nas palavras do designer.

«Vou mudar no início do ano», revela Nuno Baltazar, considerando positiva a proximidade toponímica entre o design de moda nacional. «Acho que é bom começarmos a criar um núcleo para que seja mais fácil, para quem nos visita, conhecer vários designers. Era bom que viessem todos para a mesma zona», admite.

A Sul, Patrick de Pádua, um dos talentos emergentes da plataforma Lab da ModaLisboa, prepara-se para abrir as portas da sua primeira loja, reconhecendo a importância do retalho físico ao preferi-lo a uma plataforma de comércio eletrónico.

«Irei abrir uma loja física, ainda está tudo em segredo. Penso que, para um designer, é mais fácil ter uma loja física do que um portal de comércio eletrónico porque as pessoas querem sempre experimentar as roupas», defende Patrick de Pádua, que espera receber, sobretudo, clientes nacionais na sua nova morada.

Até aqui, a marca epónima de ADN unissexo do jovem designer tem vindo a ser vendida exclusivamente no canal multimarca.