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Moda de corpo e alma

Desporto, streetwear e bem-estar são algumas das palavras-chave a reter para as tendências que vão moldar a moda nos próximos tempos. David Shah, consultor, empresário e guru das tendências de moda, garante que o futuro é do conforto e da performance.

Cidadão do mundo – é britânico, vive em Amesterdão e divide o seu tempo entre os vários continentes –, David Shah tornou-se especialista em tendências para a área da moda. No início do mês regressou a Portugal, que conhece bem por ter trabalhado vários anos para a Maconde, e animou a plateia com a sua intervenção na iTechStyle Summit.

Em ritmo acelerado, com vídeos atrás de vídeos e palavras debitadas em contrarrelógio, David Shah analisou o mundo atual e deixou pistas para a competitividade da indústria da moda no futuro.

Corrida no desporto

«Toda a gente quer estar bem», começou por afirmar o consultor. Este “bem” diz cada vez menos respeito aos bens materiais e mais ao culto do corpo, apontou David Shah, para quem a exibição de um corpo escultural é a nova montra do luxo. «Já não é carteira Louis Vuitton nem o BMW», referiu.

Por ano, os americanos gastam 19 mil milhões de dólares em subscrições de ginásio e estes adotaram apenas dois segmentos: «são baratos ou caros, nada no meio», referiu. Um estudo aponta mesmo que «se uma casa estiver na zona de um bom ginásio, valoriza 10%», indicou. «Porque o ginásio é uma comunidade», sublinhou o consultor.

E como é que isso influencia a moda? «A única área que está a crescer na moda é o athleisure e o vestuário de desporto», explicou David Shah.

O desporto tem ainda a vantagem de «ser inclusivo» e há cada vez mais marcas a investir nesta área, expandindo-se para mercados como a China e a Índia. A Nike, por exemplo, tem apostado no mercado indiano, com um anúncio onde mostra mulheres a praticar diferentes modalidades. «Há uns anos ninguém fazia desporto na Índia», relembrou Shah.

Streetwear na dianteira

«O streetwear é o novo luxo», garantiu David Shah. A “culpa” é das novas gerações de consumidores, que são diferentes dos seus antecessores e estão a provocar um aumento das vendas de casualwear, nomeadamente t-shirts, casacos acolchoados e ténis – estes últimos a ganharem estatuto de culto, sendo vendidos, por vezes, por valores elevados em retalhistas especializados como a Stadium Goods.

Como influência têm a cultura do hip-hop e de rappers, que estão mesmo a “explodir” em países sem qualquer referência, como a China. Esta mudança justifica o sucesso de Virgil Abloh, fundador da marca Off-White e atual diretor criativo de moda masculina da Louis Vuitton, e de Rihanna. «Rihanna será a nova Coco Chanel», vaticinou David Shah.

Conforto acima de tudo

Esta nova geração está ainda a colocar o conforto como premissa essencial quando compra moda. No caso das mulheres, esta mudança de prioridades sente-se particularmente nas marcas de roupa interior, com a lingerie da Victoria’s Secret a perder vendas em favor de marcas que apostam no conforto e na performance, como a Thinx.

Aliás, sugeriu David Shah, é cada vez mais importante olhar para os números e para os dados recolhidos junto dos consumidores para responder melhor ao mercado, porque «a informação torna-nos melhores», e perceber que artigos como leggings têm uma forte aceitação no mercado, com marcas como a Fenty e a Wone a prosperarem.

«Depois de se avançar para o conforto, ninguém volta atrás», acredita David Shah, que provocou a plateia dizendo que «já ninguém usa fato, exceto em Portugal».

A moda, indicou, «costumava vender um sonho. Hoje é o bem-estar e a saúde que faz isso. Os millennials investem neles próprios porque é a única coisa em que podem acreditar». Como tal, resumiu David Shah, «o futuro é conforto e performance».