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Moda de quatro patas

Numa altura em que as grandes lojas registam dificuldades crescentes para escoar vestuÁrio, calçado e carteiras, e vêem o seu volume de negócios diminuir, os que apostaram na moda para os animais domésticos prosperam. Este ano, acredito que iremos ver triunfar as rendas, o metal e as cores escuras», afirma Kameron Westcott, uma estilista de 25 anos vinda de Dallas (Texas) com a sua mãe e Louis, um yorkshire terrier de cinco anos que emerge de um saco de viagem para cão da Louis Vuitton, vestido com uma capa em malha e uma camisola de cetim azul. Kameron não tem uma loja mas um site da Internet de venda de vestuÁrio e acessórios para cães, todos fabricados no Brasil. Os cinco andares do centro de exposições do sul de Manhattan estão ocupados por dezenas de stands que propõem gamas de produtos de beleza, camas “palace” com cortinas debruadas a cristais Swarovski (preços entre os 9 e os 15.000 dólares), joalharia, móveis de orientação, sem esquecer, claro estÁ, o “must” do momento, o ecológico e o reciclÁvel. A paleta das propostas ecológicas vai desde a alpaga dos Andes para os coletes tricotados à mão, à panóplia “tudo bambu”. A “semana da moda canina” foi um sucesso. Vocês não me podem impedir de ver este desfile, eu exijo ser reembolsada», protesta uma mulher perto de uma crise de nervos por lhe ter sido vedado o acesso ao desfile de sÁbado de manhã. Não, você pagou para o desfile das 21 horas, o desfile de beneficência, este é para os compradores, os estilistas e a imprensa», responde uma hospedeira imperturbÁvel, dizendo para um dos seus colegas: deixa agora passar a BBC, se faz favor». As luzes mostram um cenÁrio decadente de bidões, grandes funis em ferro e baldes abandonados, destinados a evocar a crise petrolífera e a época difícil que vivemos» e o desfile começa. Buldogues com casacos de lã, galgos afegãos com mantas de seda estampada muito “Hermès”, todos sumptuosos como verdadeiros manequins. Venho de Estocolmo a conselho de uma amiga e não me arrependo, espero encontrar um agente para os EUA, é um grande mercado e temos de nos globalizar», afirma Tania Fylking, esposa de um locutor de rÁdio conhecido na Suécia e especialista em “couro assinado”, acessórios criados para os cães por estrelas de cinema ou do mundo do espectÁculo. De acordo com as estatísticas 2007/2008 da APPMA, a Associação dos Fabricantes de Produtos para Animais Domésticos, 63% das casas americanas – ou seja, 71 milhões de casas – têm um animal. Os americanos têm 88 milhões de gatos, 75 milhões de cães, 142 milhões de peixes vermelhos e 13 milhões de répteis. Os gastos com os animais atingiram, em 2007, 40 mil milhões de dólares, contra os 28,5 mil milhões em 2001, dos quais 17 mil milhões em alimentação, 11 mil milhões em idas ao veterinÁrio, 10 mil milhões em medicamentos e 3,9 mil milhões em artigos diversos, vestuÁrio e “passeadoras de cães”. A associação cita no seu site relatórios médicos que afirmam que ter um animal doméstico ajuda a reduzir a tensão arterial e os riscos cardíacos, a descontrair, a lutar contra a depressão e a solidão, e reduz as despesas médicas do Estado com cada indivíduo».