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Moda debaixo de fogo

Durante décadas, o Líbano foi a montra da moda do mundo árabe, mas somente no século XXi começaram a brilhar nomes como Georges Chakra, Zuhair Murad, Rabih Kayrouz e, sobretudo, Elie Saab, o homem que lançou a “vaga libanesa”. Saab tornou-se numa estrela internacional quando vestiu Halle Berry na cerimónia dos Óscares 2002, na qual Berry recebeu o Óscar de Melhor Actriz e o vestido do criador libanês deu a volta ao mundo. Membro da conceituada câmara sindical da alta-costura em Paris, Saab veste uma panóplia de celebridades como Angelina Jolie, Marion Cotillard ou ainda Beyonce. Com a sua marca instalada nos célebres Campos Elísios, na capital francesa, o criador libanês permanece, todavia, fiel à sua cidade natal, onde tem o seu atelier. «Respiro de uma outra forma no Líbano. O meu país dá-me força», confiou à AFP, enquanto preparava a colecção a ser apresentada na Semana da Alta-Costura de Paris, que terminou ontem. “Padrinho” dos jovens estilistas libaneses, este homem de 45 anos é o orgulho do seu país, onde cresceu durante a guerra civil (1975-1990). Em criança confeccionava vestidos para as irmãs a partir de lençóis e cortinas e, aos 18 anos, abriu o seu primeiro atelier. «Beirute pode facilmente converter-se numa capital da alta-costura, com todos os novos talentos que estão a surgir», afirmou Saab.    Outra veterana, a libano-americana Reem Acra, instalada em Nova Iorque, também desenvolveu o seu estilo na sua Beirute natal. Muito solicitada pelas estrelas americanas, Acra conserva ainda o vestido de renda guipura branca confeccionado aos sete anos. «Desde os cinco anos, acompanhava a minha mãe aos mercados onde ela me iniciou na compra de tecidos», explicou. «Era fantástico, tudo tinha bordados e as organzas eram deslumbrantes», acrescentou. Da nova geração, Rabih Kayrouz, de 36 anos, é o segundo libanês a tornar-se membro da câmara sindical da alta-costura francesa. Formado na Dior e na Chanel, Kayrouz não quer esquecer as suas raízes libanesas. «Ao regressar de Paris, em 1995, tudo estava em reconstrução e adorei essa nova energia. Acabei por ficar aqui», revelou à AFP, no seu atelier em Beirute. Enquanto que grandes nomes como Christian Lacroix foram abalados pela crise mundial, os negócios correm bem para os criadores libaneses. «Os Libaneses são muito competitivos e as suas criações correspondem aos critérios das celebridades de Hollywood: femininas, sensuais, glamourosas sem serem provocadoras», declarou Lydia Kamitsis, especialista em moda instalada na capital francesa.      Georges Chakra é outro dos grandes favoritos das estrelas graças nomeadamente às criações para o filme "O Diabo veste Prada" (2006). Hoje, veste Tyra Banks, Paris Hilton ou ainda Queen Latifah e organiza um desfile privado durante a Semana da Alta-Costura de Paris. «Beirute tem uma magia única… quando está calma», afirmou Chakra, que criou um vestido vermelho com cristais Swarovski nas mangas usado pela actriz britânica Hellen Mirren nos Óscares 2009. Instalado igualmente em Beirute, Chakra afirma que o número crescente de estilistas libaneses dá uma imagem diferente do país. «Há 10 anos atrás, dizia-se que a “vaga libanesa” ia morrer. A realidade provou o contrário», concluiu.