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Moda desafia talibãs

Dias depois de terem rebentado bombas junto do consulado norte-americano, manequins desafiaram os talibãs desfilando numa passerelle na cidade paquistanesa de Peshawar, mostrando o umbigo e expondo os ombros. Os organizadores revelaram à AFP que o desfile de moda, organizado por uma universidade privada no nordeste da metrópole de 2,5 milhões de pessoas, foi entendida como uma forma de aliviar o stress numa cidade que tem sido severamente atingida por bombas e ataques suicidas. «A situação é muito tensa. A atmosfera é muito stressante e organizámos este desfile para trazer algum entretenimento e como uma oportunidade para os jovens mostrarem as suas capacidades», referiu um dos organizadores, Mohammad Yasir, à AFP. «Foi um grande sucesso. Vieram mais pessoas do que esperávamos», revelou. Vestidos com glamourosos designs de gaze e seda, saias ao estilo ocidental pelo joelho, com sandálias de salto estilo gladiador e chapéus, manequins masculinos e femininos desfilaram na passerelle. Houve ombros descobertos, calças de cinta descida e tops acima do umbigo – longe dos véus pesados, calças e camisas largas preferidas pelas mulheres da cidade em público. O evento esteve rodeado de fortes medidas de segurança, com a praça do shopping Deans, onde passaram também trailers dos filmes indianos de Bollywood e se ouvia música pop ocidental nos altifalantes, fortemente guardada. O desfile teve lugar a 15 minutos (de carro) do consulado americano – atingido por militantes islamitas armados com espingardas, granadas e bombas em carros suicidas que mataram cinco oficiais de segurança. «Estou muito contente por o desfile ter sido bem sucedido no ambiente tenso de Peshawar», afirmou a designer Maheen Raza à AFP. Embora alguns manequins e designers fossem provenientes da mais moderada capital Islamabad, outros vivem em Peshawar, uma das cidades mais conservadoras no país, onde os desfiles de moda são raros. A cidade fica no topo do chamado cinto tribal do Paquistão – considerado por Washington como o quartel-general da Al-Qaeda e o lugar mais perigoso do Mundo. Cerca de 3.200 pessoas foram mortas em ataques suicidas e com bombas nos últimos três anos no Paquistão.