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Moda do ténis em expansão

Nas duas últimas semanas de Junho, as atenções dos fãs do desporto e da moda fixaram-se em Wimbledon, palco de um dos mais célebres torneios de ténis do mundo. À excepção do futebol, o ténis é um dos desportos mais populares, sendo praticado regularmente por mais de 60 milhões de homens e mulheres, em 200 países. E, muito antes dos futebolistas se terem tornado em ícones da moda internacional, já os trajes usados pelos tenistas de topo em Wimbledon exerciam uma forte influência no sportswear, e até na moda de lazer em geral, a nível mundial. Por exemplo, quando em 1919 a estrela francesa do ténis Suzanne Lenglen, encorajada pelo seu costureiro favorito, Jean Patou, abdicou da tradicional cinta e apareceu no court com as suas meias brancas pelo joelho, as tenistas de todo o mundo seguiram essa moda. Curiosamente, esta situação parece actualmente ter-se invertido, com as recentes declarações da tenista norte-americana Venus Williams, que afirmou ter encomendado um corpete embutido no último modelo de vestido de ténis da estilista Diane von Furstenburg, como forma de eliminar a necessidade de um soutien desportivo. Claro que Venus recebe da Reebok 40 milhões de dólares por ano por usar e promover os seus artigos, sendo habitual a mesma estrela do ténis feminino aparecer com modelos de vestidos com atilhos no estilo victoriano. Por outro lado, em torneios com códigos de vestuário menos rígidos do que Wimbledon, Serena Williams, que recebe 13 milhões de dólares por ano por promover a marca Puma, tem aparecido com fatos de cabedal justos, com mangas cortadas, tops de ciclista e blusões de cabedal com enfeites de diamantes. Desde a sua introdução em 1874, o ténis tem sido visto como um desporto apelativo para ambos os sexos. Na verdade, é um dos poucos jogos que ainda contempla esta vertente, dando possibilidade aos seus jogadores de participarem em partidas de pares mistos. A história do torneio de Wimbledon está repleta de ideias para peças de vestuário que nunca chegaram ao court central londrino, como por exemplo os collants que faziam parte da indumentária de Karol Fageros, em 1958, e que foram banidos pelo comité organizador, por violarem a sagrada regra de vestuário “apenas branco”. Provavelmente, o mais famoso par de cuecas de Wimbledon foi o modelo com folhos criado por Teddy Tinling, para a tenista Gussy Moran, e que garantiram a sua fotografia nas primeiras páginas de todos os jornais britânicos, durante o torneio de 1949. Entretanto, os fabricantes de lingerie tiveram grandes dificuldades em satisfazer as exigências dos consumidores, que se prolongaram até ao início dos anos 50. É claro que Gussy Moran não venceu o torneio de Wimbledon, tal como Anna Kournikova não o conseguiu nos anos em que a imagem do seu Wonderbra Gossard adornava todos os painéis publicitários daquele recinto desportivo. Aliás, a jovem tenista russa não teve melhor sorte na edição deste ano, sendo forçada a abandonar Wimbledon, assegurando apenas um patrocínio de 12 milhões de dólares da Adidas e da Lycos, o que mostra bem como os modernos fabricantes de sportswear estão dispostos a pagar às grande estrelas do ténis mundial. Os 3,5 milhões de tenistas britânicos, por exemplo, encontram-se entre os desportistas que mais dinheiro gastam. Todos os anos, eles gastam mais de 58 milhões de libras em vestuário de “raquete”, dado que este tipo de vestuário pode ser usado noutras modalidades, como o squash ou o badminton. Ainda assim, é legítimo pensar que o ténis é responsável por importante fatia deste mercado, que ao nível do retalho atinge picos espectaculares durante e imediatamente após o torneio de Wimbledon. Aliás, o All England Club, entidade organizadora da prestigiada competição, participa igualmente neste festim consumista, uma vez que, no decorrer do torneio, diversas lojas situadas nas suas instalações oferecem uma vasta gama de produtos e artigos, sob licença da empresa OH Hewitt. O Museu do Ténis de Wimbledon é outra das atracções deste recinto, registando 50.000 visitantes por ano, dos quais quase nenhum sai sem comprar uma lembrança, como por exemplo as T-shirts e sweatshirts com as cores do All England Club – púrpura e verde. Nesta loja de recordações podemos mesmo encontrar artigos fabricados com uma mistura de Lycra, algodão e tecido, presentes nas fibras Coolmax da DuPont. A colecção deste ano foi desenhada pela mãe do tenista Tim Henman, Jane Henman, com um design essencialmente prático, com uma forte faceta dupla, podendo ser usada para desporto e também nos tempos livres. A proposta mais revolucionária desta estilista é a introdução na referida colecção de calças de três-quartos, típicas dos ciclistas, e que remetem para os seus tempos de designer na conhecida marca de sportswear Fred Perry. O próprio Fred Perry, ultimo tenista britânico a conquistar o troféu de Wimbledon em 1934, 1935 e 1936, jogava habitualmente de calças e não de calções. Além de ser vendida em cadeias como o Selfridges e o Harrods, a colecção Henman pode ser também adquirida por via postal, através de um catálogo. Outro sinal desta crescente influência do ténis na moda, é a contratação pela Nike da tenista Daniela Hantuchova, como “consultora de vestuário de ténis”. Outra das estrelas do ténis – e da moda – actualmente na ribalta é o espanhol Carlos Moya, cuja predilecção por T-shirts sem manga está a ser apontado como um dos mais imitados estilos deste Verão.