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Moda em Lisboa marcada pela sensualidade

A moda portuguesa esteve, de 23 a 26 de Outubro, em destaque no Armazém Terlis em Lisboa. Os principais estilistas nacionais encheram de cor e imaginação a cidade de Lisboa, com as suas propostas para a Primavera/Verão 2004. Durante a abertura oficial foi lançado o primeiro CD audio ModaLisboa , o “Dress Up… and make up (your mind), editado pela Música Alternativa, e cuidadosamente seleccionado pelo DJ Rui Murka. Na mesma altura foram também inauguradas as exposições de fotografia Lisboa Sport (promovida pela Câmara Municipal de Lisboa), t.i.m.e. (Inês Caetano, Mário Alexandre, Ricardo Vieira); white shows (Critóvão) e faceless (João Mariano). Os desfiles foram iniciados com a apresentação das colecções das marcas portuguesas Oxford, Kispo e Lion of Porches. A Oxford, através do criador Nuno Gama, apresentou peças básicas que adquirem um look contemporâneo através do seu toque e cores. Com a aposta máxima no casaco, a colecção destaca detalhes de alfaiataria, dando à colecção um aspecto mais clássico. Depois de vários anos desaparecida, a marca Kispo surge agora sob a criação da Katty Xiomara. Com uma imagem forte e inovadora, a colecção da Kispo aposta numa silhueta casual e descontraída, com base no clássico desportivo. A Lion of Porches, por Júlio Torcato, propõe uma linha mais jovem e descontraída, prestando homenagem ao Euro 2004. Este primeiro dia da ModaLisboa Sport encerrou com o desfile do brasileiro Alexandre Herchcovitch. A mistura de padrões e sobreposições destaca-se na colecção deste estilista. O segundo dia deste evento foi dedicado a mais uma edição do concurso Sangue Novo, onde depois da apreciação do trabalho dos oito concorrentes Ana Sofia Santos, Bruno Abreu, Cristina Pedro, Filipa Homem, Filipa Siopa Duarte, Lara Torres, Sandra Pereira e Vera Gonzaga, o júri composto por Alexandre Herchcovitch, Ana Mesquita (redactora de moda), Helena Matos (designer de moda e consultora têxtil), Inês Castelo Branco (representante da Cotton Inc.), Margarida Mangerão (directora de marketing da Lanidor) e Nuno Gama (criador) elegeu Lara Torres vencedora desta edição. Depois do concurso seguiram-se os desfiles de Ana Salazar, Anabela Baldaque, Manuel Alves/José Manuel Gonçalves e Miguel Vieira. Ana Salazar voltou a surpreender com uma colecção plena de contrastes, cortes e assimetrias. A jogar com a força/suavidade, esteve Anabela Baldaque que privilegiou as cores ténues e vivas, acentuando também os contrastes e os pormenores. Sempre sensuais e sofisticadas são as colecções da dupla Manuel Alves/José Manuel Gonçalves, que propõem para a próxima estação, uma linha muito feminina com materiais requintados e muita cor. Já Miguel Vieira, recuou no tempo, voltando às décadas de 20-30. Com tecidos exuberantes, o estilista apresentou uma colecção com silhuetas contrastantes que variaram do muito curto ao longo. No dia 25 de Outubro Dino Alves, Luís Buchinho, Pedro Mourão, Lidija Kolovrat , José António Tenente, Fátima Lopes e Nuno Gama iluminaram com a sua imaginação o Armazém Terlis. Dino Alves quer facilitar a vida às donas de casa, apresentando peças com ferrugem, bolor, oxidadas, amarelecidas, com nódoas, mas cheias de detalhes. Quanto às cores, optou pelo branco, bege, azul bebé, amarelo, dourado e castanho. Muito cósmica, a colecção de Luís Buchinho apresentou-se muito feminina e com peças de cortes simples e rigorosos. O preto, o roxo, o rosa, o vermelho, o azul céu e o branco foram as cores predominantes. Sempre a apostar no vestuário masculino, Pedro Mourão escolheu “O Homem da cidade, na cidade” como tema para a sua colecção, caracterizada pelos contrastes de silhueta. Sob o tema “Tropics”, a criadora Lidija Kolovrat misturou materiais, padrões e cores, tendo chamado a atenção da imprensa estrangeira. José António Tenente, optou por dar continuidade à sua coleçcão de Inverno, realçando os detalhes e aplicações múltiplas. Feminilidade e sofisticação são as palavras-chave desta colecção. Sempre provocadora, Fátima Lopes continuou a apostar nas silhuetas sinuosas, assimetrias e transparências. O vestido foi a figura principal. Nuno Gama inspirou-se nas Descobertas Portuguesas, usando os conceitos Sonhar, Acreditar, Realizar e Conquistar para dar uma forma contemporânea à colecção que sobressaiu pelos jogos de contraste. No domingo, e último dia de desfiles, foi a vez de Maria Gambina, Osvaldo Martins, Katty, Alexandra Moura e Paulo Cravo e Nuno Baltazar mostrarem as suas propostas para a próxima Primavera/Verão. Depois de estar ausente durante três estações, Maria Gambina regressou em grande dando continuidade à sua imagem desportiva. A sua colecção foi inspirada no músico de jazz Steve Reid, apresentando uma silhueta anos 20, rectas, volumosas e rígidas. Muito sensual, foi a colecção de Osvaldo Martins, que apostou nos comprimentos micro e cores que incluíram o dourado, amarelo, branco, bege, rosa, verde e preto. Katty Xiomara decidiu apostar no antagonismo, apresentando ao mesmo tempo, uma colecção delicada e rebelde, onde o preto assumiu uma extrema importância. Uma colecção cheia de pormenores foi apresentada por Alexandra Moura, que escolheu o tema “Alegoria da Natureza”. As silhuetas contrastantes foram também um ponto forte. Este ano, encerraram os desfiles, Cravo/Baltazar. Esta dupla inspirou-se novamente no cinema recriando o espírito do realizador espanhol Pedro Almodóvar. Os contrastes marcaram o desfile, sendo também de destacar as t-shirts estampadas. A marcar o encerramento de mais uma edição da ModaLisboa, esteve a ceia oferecida pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, seguida de uma festa, onde as modas foram outras.