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Moda em retrospetiva

Ao longo de 2017, a moda de autor continuou a ter na passerelle a sua montra privilegiada, como mostraram as edições da ModaLisboa e do Portugal Fashion, mas adicionou-lhe importantes alternativas, como os portais de comércio eletrónico ou a presença ativa nas redes sociais.

Os designers de moda portugueses têm vindo a investir, cada vez mais, no seu negócio, como mostrou a edição de abril do Jornal Têxtil (ver O negócio da moda). Com recurso a lojas próprias, projetos paralelos, expansão internacional e uma grande dose de dedicação e paixão, as estratégias foram variando, mas o objetivo tem sido o mesmo: fazer da moda um modo de vida.

Luís Buchinho

No seguimento da intervenção no desfile de Dino Alves na ModaLisboa, o Jornal Têxtil questionou, a par do próprio (ver O lado D da moda), designers como Anabela Baldaque, Luís Carvalho, Luís Buchinho, Diogo Miranda, Alexandra Moura e Alves/Gonçalves para perceber os desafios, as oportunidades e os projetos que têm ajudado a implementar as respetivas marcas no mercado.

À margem das cores, das silhuetas e dos materiais, uma das tendências mais exploradas pela fileira moda nacional nos últimos 12 meses foi o comércio eletrónico, independentemente de se tratar da velha ou da nova guarda (ver Moda nacional descola para o ciberespaço).

Os casos mais recentes foram os dos designers Luís Buchinho e Pedro Pedro, que apresentaram as respetivas lojas online. Um pouco antes deles, Luís Carvalho brindou os seus seguidores com o lançamento do portal de comércio eletrónico da marca epónima.

Luis Carvalho

O talento emergente da moda nacional adicionou, entretanto, aos portais de venda uma presença online fragmentada entre diferentes plataformas – o Instagram esteve em evidência.

Inês Torcato

De fácil acesso, sem fronteiras geográficas, facilitadoras de trocas comerciais e promotoras de uma relação mais pessoal entre marca e consumidor, de janeiro a dezembro, as redes sociais foram das estradas mais viajadas por nomes como Beatriz Bettencourt, Olimpia Davide, Nycole, David Catalán e Inês Torcato, representantes da plataforma Bloom do Portugal Fashion, e também por Carolina Machado e Imauve, nomes do calendário da plataforma Lab da ModaLisboa (ver Designers sem fronteiras).

Consistentes de que juntos vão mais longe, 2017 ficou também marcado pela troca de alianças entre a moda de autor e a indústria, com os casamentos felizes de Nuno Baltazar x Sport Zone, Susana Bettencourt x Fifitex by SMBM e Nair Xavier x Diniz & Cruz.

Susana Bettencourt

O altar tem sido, precisamente, outra importante montra da fileira moda nacional (ver Lá vem a noiva).

Micaela Oliveira, Diogo Miranda, Anabela Baldaque, Alexandra Moura, Miguel Vieira e Nuno Baltazar foram apenas alguns dos designers nacionais que, em 2017, customizaram vestidos e fatos para o dia do “sim”.

Por outro lado, o consumo sem género e a nova masculinidade foram sublinhados no dicionário do menswear ao longo deste ano.

Miguel Vieira, Júlio Torcato e Alexandra Moura têm vindo a atualizar o seu vocabulário nos últimos anos, mas terão sido capazes de falar a mesma língua do homem contemporâneo e capitalizar com o crescimento das vendas do segmento? O Portugal Têxtil questionou e os designers responderam, deixando perspetivas otimistas (ver É um mundo de homens).

Alexandra Moura

Já em novembro, o Portugal Têxtil procurou saber se a economia condizia com a moda, numa altura em que o crescimento económico era a tendência nos noticiários e as moedas estrangeiras ajudavam à retoma do mercado nacional. Anabela Baldaque, Júlio Torcato, Diogo Miranda e Miguel Vieira deram o seu contributo, mas as respostas foram díspares.

Em passerelle, foi possível perceber todas as mutações que a indústria da moda atravessou ao longo do ano, quer nas próprias coleções – muitas delas com mensagens políticas, económicas e sociais (ver Portugal Fashion abraça mudança) –, quer nos modelos de apresentação – com o ver agora/comprar agora em destaque (ver Portugal Fashion foi às compras) –, sem esquecer os enquadramentos conceptuais dos próprios certames (ver Sustentabilidade envolve ModaLisboa).

No último mês do ano, o CENIT, em parceria com a Anivec, a Apiccaps e a ModaLisboa, decidiu fechar 2017 com chave de ouro e convocar o talento do design de moda europeu, reunindo-o na cidade do Porto para a Fashion Design Competition, enquadrada no evento Porto.ModaPortugal (ver Porto ergue pontes para o talento europeu).

Cyril Bourez

O concurso europeu de jovens designers contou, naquela que foi a sua 4.ª edição, com 33 candidatos de 14 escolas, que representaram 8 países.

Cyril Bourez, que defendeu os currículos da instituição de ensino belga La Cambre, recebeu o prémio de melhor coleção de vestuário por país (com o valor pecuniário de 2.500 euros) e foi reconhecido pela melhor coleção global de vestuário (prémio de 5 mil euros).

No calçado, que entrou pela primeira vez no concurso europeu de design, Daniel Gonçalves ouviu o seu nome duas vezes. Representando a Lisbon School of Design, Daniel Gonçalves acumulou o prémio do país com o de melhor coleção global de calçado (ver Porto.ModaPortugal: são todos vencedores).

Daniel Gonçalves

Considerando que, na moda, há uma luz que nunca se apaga, como fez questão de sublinhar a última edição da ModaLisboa, esta e outras notícias sobre o design de moda nacional podem ser exploradas na categoria Moda do Portugal Têxtil.