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Moda em tempos de crise

Durante quatro dias dedicados em exclusivo à moda masculina, a palavra de ordem nas passerelles parisienses foi contenção. Contenção nas criações, nos luxos e até nas cores, demonstrando que os criadores preferiram privilegiar uma moda mais prática de acordo com o realidade económica actual. A única excepção – dentro dos 46 desfiles realizados durante o certame – foi Jean Paul Gaultier, o “menino rebelde da moda”, que deliciou a sua plateia de espectadores atentos, com uma colecção alegre, apresentada por homens, mulheres e até crianças, que relembrava o estilo punk de Jimi Hendrix. Apostando na audácia de sempre, preferencialmente em tons de preto e roxo, com cortes impecáveis e excelentes acabamentos, Gaultier apresentou igualmente, na Semana de Moda Masculina de Paris, a sua linha “Junior Gaultier”, onde as crianças, a par dos adultos, exibiram cabeleiras de estilo “afro”. Uma tendência que pretendeu homenagear, de forma refrescante, o novo presidente dos Estados Unidos da América – Barack Obama – celebrando a sua presença no pódio mundial. Em contraste, o designer Bruno Pieters da Hugo Boss, apostou numa silhueta mais austera, com gravatas pretas finas conjugadas com camisas brancas e casacos justos. A marca de origem alemã apresentou a sua colecção pela primeira vez na Cidade-luz, com vista a ganhar maior notoriedade internacional. Conhecido pela sua apetência por design étnico e tecidos finos, Dries Van Noten decidiu enveredar por cortes gráficos e uma silhueta mais definida em fatos e casacos que foram complementados com cintos. Por outro lado, Christian Dior apostou numa linha a preto e branco que demonstrou algum optimismo com calças largas e camisas elegantes. O objectivo da marca passou por criar uma colecção divertida, sem esquecer todavia o rigor que exige obter um corte irrepreensível, actual e natural, que procura uma «elegância excepcional», como explicou o estilista belga. Quanto à Lanvin – também um nome de destaque quando se fala de elegância – preferiu evitar o preto que dominou o evento de moda em favor de uma larga paleta de cores sóbrias. «Temos de tentar ser optimistas nestas alturas e o essencial é perceber as necessidades dos consumidores», explicou Lucas Ossendrijver, designer da Lanvin, acrescentando ainda que «estes são momentos em que temos de apostar numa atitude mais positiva e acordar os desejos das pessoas. Quero com isto questionar se será preferível tomar um comprimido ou comprar um casaco?», concluiu.