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Moda implicada na reconstrução de Beirute

Elie Saab, Zuhair Murad e Rabih Kayrouz, cujas empresas foram afetadas pela explosão no porto de Beirute, entre muitos outros edifícios que ruíram como um baralho de cartas, reerguem literalmente dos escombros a moda libanesa, reputada nas principais passerelles internacionais.

[©Fashionista]

Dia 4 de agosto foi sinónimo de destruição na capital do Líbano, que sofreu uma explosão responsável por 182 mortos, seis mil feridos e ruas inteiras devastadas. Para além da empresa e do atelier, a casa do designer Elie Saab, localizada perto do porto onde se deu a explosão, foi também afetada pela tragédia.

«Felizmente está toda a gente bem» foram as palavras que o designer proferiu quando visitou, pela primeira vez, o espaço destruído que outrora era frequentado por celebridades do Líbano bem como de outros países. A marca, que é uma das maiores exportadoras do Líbano, chegou mesmo a vestir Kate Middleton e pisou passadeiras vermelhas com as atrizes Halle Berry e Helen Mirren.

Elie Saab [©Metro US]
Atualmente, a realidade do espaço não faz jus ao conceito da casa de moda, uma vez que os sinais de destruição são evidentes com as colunas de mármore em pedaços e a varanda e a janelas totalmente arruinadas, notícia a Fashion Network.

A explosão, que as autoridades acreditam ter sido causada por nitrato de amónio, pareceu ter durado dois dias em vez de 15 minutos, na opinião de Elie Saab, que se deparou com a casa, que «restaurou cuidadosamente» no início do século XX, danificada e que representa um dos poucos exemplos da arquitetura tradicional libanesa que restou na cidade depois da guerra civil de 1975-1990.
«No momento da explosão estavam poucas pessoas na loja», afirmou, à AFP, Johnny Zeinoun, assistente de Elie Saab, enquanto mostrava um vídeo do corredor principal logo após a explosão. «A primeira coisa que o Saab perguntou foi se havia algum ferido. Ele disse “eu não quero ouvir que há sangue”», contou Johnny Zeinoun, dado que a empresa emprega 200 trabalhadores, entre os quais se encontra o filho do próprio designer.

Rabih Kayrouz [©Official Bespoke]
Elie Saab adquiriu o espaço em 2006 e renovou-o com o arquiteto venezuelano Chakib Richani, de modo a preservar a identidade da arquitetura. «Saab queria proteger a identidade arquitetónica e a construção da casa», explicou Ali Jaffal, jornalista de moda que colabora com o designer.

Além de bares e restaurantes destruídos em muitas ruas, foram várias as lojas e os ateliers de outros designers de moda que também ficaram destruídos. Rabih Kayrouz, que já vestiu nomes como Celine Dion e Jada Pinkett Smith, é um dos exemplos, que acabou ainda por ter ferimentos graves devido à explosão. «Voltamos em breve», anunciou Kayrouz no Instagram.

O atelier de Zuhair Murad ficou também destruído, com destroços a saíram das janelas e letreiros danificados na fachada do edifício. «Os esforços de anos desapareceram num instante», escreveu o designer libanês no Instagram.

Zuhair Murad [©South China Morning Post]
Mesmo que a explosão tenha dificultado ainda mais negócios, já afetados pela pandemia de Covid-19 e pela consequente crise económica, Johnny Zeinoun revelou que Elie Saab está focado na reconstrução. «O principal objetivo dele é reconstruir. Saab disse que se começámos uma vez, podemos começar de novo», revelou.