Início Notícias Mercados

Moda infantil de pedra e cal

As vendas de vestuário para os mais pequenos continuam a crescer, nomeadamente nas exportações nacionais, e mesmo em tempos de pandemia conseguiram resistir melhor ao embate provocado pelo encerramento das lojas e pelos confinamentos.

[©Pixabay]

Uma das épocas altas para as vendas de vestuário para os mais pequenos é o regresso às aulas e os números desta época revelados nos diferentes mercados comprovam a resiliência da moda infantil.

Em Portugal, e de acordo com o Observador Cetelem Regresso às Aulas, as famílias tencionavam gastar 335 euros em produtos associados ao regresso às aulas, um valor semelhante ao que foi gasto em 2020 na mesma altura (340 euros). Embora a tecnologia seja cada vez mais importante neste cabaz de compras, sobretudo considerando as alterações impulsionadas pela pandemia, o vestuário ocupa um papel relevante. A seguir ao material escolar essencial, onde se inclui mochilas, lápis e cadernos, segue-se a preocupação com os fatos de treino e os ténis para as aulas de educação física.

O Observador Cetelem destaca, neste estudo, a procura por artigos mais sustentáveis, com 92% dos encarregados de educação inquiridos a terem essa preocupação. Quanto aos canais de aquisição destes produtos, os hiper e supermercados ocupam a primeira posição, com 83% dos inquiridos a escolherem os mesmos para as compras, seguidos das lojas especializadas e livrarias (52%).

O cenário noutros países não é muito diferente. No Reino Unido, por exemplo, o Mastercard Spending Pulse apontava, em agosto, que a moda seria a grande vencedora das compras de regresso às aulas, com as estimativas a darem conta de um aumento de 18,7% em comparação com igual período de 2020.

Já nos EUA, o estudo da Deloitte sobre o regresso às aulas revela que os pais deverão gastar mais 16% do que no mesmo período do ano passado, somando, no conjunto, um valor superior a 32 mil milhões de dólares (cerca de 27,5 mil milhões de euros). E embora a tecnologia tenha um crescimento superior a outras categorias de produtos, o vestuário e acessórios representam ainda a maior fatia do orçamento familiar, devendo significar mais de 12 mil milhões de dólares. Durante este período, os pais americanos inquiridos pela Deloitte referiram as lojas de retalhistas de massas (41%) como o principal local para as compras de vestuário e acessórios, seguidas dos retalhistas especializados (16%) e dos retalhistas puramente online (15%).

[©Freepik]
Em Portugal, a moda de criança é reconhecida pela qualidade da produção, mas também por ser um dos sectores mais dinâmicos na criação de marca própria. Um estudo elaborado pela QSP para o CENIT e a ANIVEC estimava que, em 2016, a confeção de vestuário infantil representava 521 milhões de euros, dos quais 439 milhões de euros tinham como destino a exportação.

Exportações de vestuário de bebé a crescer

Os números mais recentes das exportações neste segmento estão apenas disponíveis para o vestuário de bebé (que abrange artigos pensados para crianças até aproximadamente os 24 meses) – os únicos separados em categorias distintas pelo INE – e mostram um crescimento relevante este ano, incluindo em comparação com o período homólogo de 2020. No total, as empresas portuguesas exportaram, entre janeiro e julho, 11,2 milhões de euros de vestuário de bebé em tecido e 52,7 milhões de euros de vestuário de bebé em malha, representando um crescimento de 35,4% e de 42,8%, respetivamente, face a igual período de 2020 e de 21,7% e de 27,6%, respetivamente, em comparação com janeiro a julho de 2019.

No vestuário de bebé em tecido, Espanha, cujas compras aumentaram 45,8% nos primeiros sete meses deste ano face aos mesmos meses de 2020, Reino Unido, França, Itália e EUA são os cinco principais mercados de Portugal, significando, em conjunto, quase 75% de todas as exportações nacionais deste tipo de produto.

O top 5 de mercados do vestuário de bebé em malha é ligeiramente diferente. O primeiro lugar continua a ser ocupado por Espanha, que comprou 19,7 milhões de euros dos 52,7 milhões de euros que as empresas portuguesas exportaram neste período. Segue-se Itália, com 7,5 milhões de euros, França, com 7,4 milhões de euros, o Reino Unido, com 4,1 milhões de euros, e a Alemanha, com 3 milhões de euros. Estes cinco países têm, combinados, uma quota de quase 80% das exportações de vestuário de bebé de malha.

No mesmo estudo da QSP, entre as 46 empresas inquiridas que produziam vestuário de bebé e criança, 15,2% trabalhavam apenas para a sua marca própria e 28,3% empregavam os seus recursos tanto na marca própria como na confeção para private label, o que aponta para que quase metade (43,5%) dessas empresas tivessem marca própria, somando-se ainda cinco empresas com marca própria mas sem atividade de confeção. «O subsetor do vestuário infantil [é] um dos mais dinâmicos, como se comprova pela abertura de novas lojas especializadas e pelo lançamento de novas marcas», sublinha o documento.

[©Pixabay]
Apesar de todo o dinamismo, tanto as marcas como as empresas produtoras nacionais terão como grande desafio dos próximos anos acompanhar as tendências de moda e de consumo, que estão a evoluir não só em resposta à pandemia, mas também com a chegada da geração Z (nascida depois de 1995) à parentalidade. Valores como a sustentabilidade, que implica igualmente durabilidade dos produtos e compras em segunda-mão, conforto e neutralidade de género são algumas das questões que estão a assumir maior importância na altura de ir às compras para os mais novos.

Uma mudança a que marcas nacionais como a Baby Gi, a Ativo e a referência Laranjinha estão atentas, ao mesmo tempo que se mantêm fiéis à sua identidade e às suas estratégias de crescimento.