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Moda invade Cannes

Nicole Kidman e a estrela de “Amelie”, Audrey Tautou, deram o pontapé de saída para os 12 dias de moda na passadeira vermelha na abertura do Festival de Cinema de Cannes, que decorreu no passado dia 15 de maio. A prestigiante reunião do mundo do cinema na Riviera Francesa dá às grandes casas de moda e aos designers emergentes oportunidades sem paralelo para mostrar o seu trabalho perante uma audiência mundial. A corrida para vestir os principais nomes, que podem atrair o máximo de publicidade, começa em meados de abril, logo a seguir ao anúncio oficial dos filmes selecionados por Cannes. Imagens de Kidman, membro do júri do festival este ano, que usou um vestido sem alças bordado da Dior na cerimónia de abertura, percorreram o mundo em apenas alguns minutos. Mas outras atrizes em destaque este ano, como a estrela do filme “The Great Gatsby”, Carey Mulligan, são também muito procuradas. Alguns designers, contudo, têm como política deixar as estrelas procurá-los. Na casa de moda do criador libanês Elie Saab, um dos preferidos pelas estrelas regularmente presentes nas cerimónias de entrega de prémios, os seus funcionários nunca dão o primeiro passo. No ano passado, Elie Saab vestiu a chinesa Fan Bingbing e a francesa Virginie Ledoyen. «Não as contactámos: elas têm de querer usar os nossos vestidos», afirma Emilie Legendre, da Elie Saab, acrescentando que foram feitas várias provas este ano em Los Angeles, Londres e Paris. Audrey Tautou, que foi catapultada para a fama internacional em 2011 como a empregada de mesa de Montmartre no filme “Amélie”, é este ano a mestre-de-cerimónias em Cannes. Na cerimónia de abertura, optou por uma jovem criadora francesa, Yiqing Yin, que passou 400 horas a conceber o seu vestido em organza e chiffon de seda cor de menta. «É um presente extraordinário» de Audrey Tautou, afirma Yiqing Yin. Para a criadora, ter Tautou a usar o seu vestido representa «uma exposição incomparável», acrescentando que «poucas atrizes têm confiança em jovens designers e voltam-se em vez disso para as grandes casas». O jovem designer belga Cédric Charlier criou os vestidos para a diretora Mia Hansen-Love e para as atrizes Marine Vacthe e Nathalia Acevedo. Mas entre o gabinete de provas de um criador e a passadeira vermelha, tudo pode acontecer. «Podem mudar de ideias no último momento» e não usar os vestidos, afirma uma fonte na Cédric Charlier. É por essa razão que alguns designers, incluindo Herve L. Leroux nunca revelam os nomes das pessoas que esperam que usem as suas criações antes delas surgirem com eles vestidos. «Há dois anos atrás, a Sarah Jessica Parker tinha vários vestidos e escolheu o nosso no último momento», lembra Emilie Legendre. A foto dela em Elie Saab apareceu nos jornais e nas televisões de todo o mundo.No showroom de Elie Saab numa suite no Hotel Martinez, em Cannes, cerca de 60 vestidos estão armazenados, prontos para uma volta na passadeira vermelha. «Prestamos atenção aos vestidos que emprestamos, para que não sejam do mesmo estilo ou da mesma cor», indica Legendre. «Às vezes vestimos uma atriz no último momento, por exemplo, porque ela acha que o vestido que tem de outra casa de moda não se adequa a ela», explica. O showroom também significa que podem ser feitas alterações à última hora. Ao longo dos anos, o número de oportunidades de fotos em Cannes multiplicou-se exponencialmente. E com 12 dias, o festival dá ainda mais oportunidades para destacar o trabalho de um designer do que apenas uma noite nos Óscares. Cannes é «melhor do que uma publicidade», sublinha Legendre. «As clientes identificam-se mais com uma atriz do que com uma modelo», conclui.