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Moda nacional anuncia primavera

A primavera-verão 2018 começou em Nova Iorque, com o voo dessa primeira andorinha a mudar depois de direção para se juntar ao bando nos céus de Londres, Milão e Paris. Em território nacional, a ModaLisboa e o Portugal Fashion alinharam as passerelles com as das capitais internacionais, evidenciando os tons pasteis ou a velha arte da camisaria.

Luís Carvalho @ ModaLisboa/Ugo Camera

A primavera-verão 2018 ouviu o tiro de partida em Nova Iorque, numa verdadeira corrida de estafetas que, entretanto, cumpriu provas em Londres, Milão e Paris. Já em território nacional, as etapas dividiram-se entre os calendários da ModaLisboa (ver Uma luz que nunca se apaga) e do Portugal Fashion (ver Portugal Fashion foi às compras). Da exploração da paleta de cor aos quadrados como padrão dominante, passando pela reinterpretação do denim ou pela aposta em materiais à prova das intempéries, a mulher urbana sagrou-se a vencedora da estação quente.

Dielmar
Patrick de Pá[email protected]/Ugo Camera

Pasteis versus vibrantes

Analisando as passerelles nacionais dedicadas à próxima estação quente, designers e marcas parecem não ter sido capazes de se decidir sobre a paleta de cor, sugerindo ora a serenidade dos tons pasteis, ora a força de cores garridas. Uma das provas desta indecisão foi a passerelle de Luís Carvalho, que no calendário da ModaLisboa, começou com pasteis rosa e finalizou com a força do amarelo.

De rosa pastel pintaram-se ainda as coleções de Ricardo Andrez, na plataforma Lab da edição Luz da ModaLisboa, e de Diogo Miranda e Carlos Gil, na 41.ª passerelle do Portugal Fashion,

Com particular destaque para o amarelo e o vermelho, as cores vibrantes, por vezes em look total, tomaram de assalto as mostras de Ricardo Preto, Nair Xavier, Dino Alves e Patrick de Pádua, na ModaLisboa, e da marca Dielmar e dos designers Hugo Costa e Katty Xiomara, no fim de semana de desfiles do Portugal Fashion, no Porto.

Nuno Baltazar

Xeque-mate

Vencedores em anos anteriores – sobretudo no outono-inverno –, os axadrezados regressaram como padrão dominante, anunciando a primavera 2018 quer em cores vivas, como o vermelho e o rosa, quer na paleta sóbria tradicional. Na passerelle da ModaLisboa, Christophe Sauvat e Ricardo Andrez exploraram a tendência nas respetivas coleções. Já no Portugal Fashion, Alexandra Moura, David Catalán, Katty Xiomara e Nuno Baltazar mostraram as suas versões da tendência-chave para a próxima estação quente.

Cintilantes

Carlos Gil
Ricardo [email protected]/Ugo Camera

Graças à introdução de lantejoulas e metalizados, a próxima estação quente será uma festa. Filipe Faísca explorou os brilhos em peças como vestidos ultrafemininos ou peças encapuzadas e Ricardo Andrez manteve-se fiel ao seu ADN unissexo e urbano em calções curtos e blusões metalizados. Na passerelle do Portugal Fashion, no arranque da 41.ª edição, em Lisboa, Carlos Gil brincou com lantejoulas douradas em calças de silhueta palazzo e casacos estilo quimono.

Katty Xiomara
Dino [email protected]/Ugo Camera

Luz e sombra

Lembrando o movimento gracioso das bailarinas, a primavera-verão 2018 dançou com o tule em diferentes silhuetas da coleção de Katty Xiomara. Os jogos de luz e sombra numa paleta de preto e branco elevaram ainda a beleza feminina nas coleções de Dino Alves e Kolovrat, na edição “Luz” da ModaLisboa, e nos alinhamentos de Alexandra Moura, Nuno Baltazar e Miguel Vieira, na 41.ª passerelle do Portugal Fashion.

Ricardo [email protected]/Ugo Camera
Ricardo [email protected]/Ugo Camera

Denim sobre denim

Ainda que o intemporal e democrático tecido nunca saia efetivamente de cena, os palcos nacionais para a primavera-verão 2018 concordaram sobre a necessidade de reavaliar a importância do denim nos guarda-roupas – sugerindo denim em look total, com bolsos extra ou silhuetas oversized. As coleções de Ricardo Preto, na ModaLisboa, e de Pedro Pedro, Inês Torcato e David Catalán, no Portugal Fashion, trabalharam a tendência-chave.

Diogo Miranda
Filipe Faísca @ModaLisboa/Ugo Camera

Ruidosos anos 1920

Numa estética anos 1920, estilo “O Grande Gatsby”, as franjas e as penas emprestaram movimento e uma dose extra de sofisticação aos coordenados de Filipe Faísca, na Moda Lisboa, e de Alves/Gonçalves, Diogo Miranda e Nuno Baltazar, no Portugal Fashion.

Carla Pontes

A surpresa

Comum nas coleções dedicadas à estação fria, o caqui foi a cor surpresa nas paletas de verão de designers e marcas nacionais. Imauve, Patrick de Pádua, Carolina Machado e Dino Alves na edição “Luz” da ModaLisboa e Carla Pontes na 41.ª passerelle do Portugal Fashion trabalharam o caqui em look total.

Na desportiva

[email protected]/Ugo Camera

Carlos Gil e Luís Buchinho, no Portugal Fashion, e a marca Duarte, na plataforma Lab da ModaLisboa, saíram em defesa dos coordenados de raiz desportiva em ambientes de festa/sofisticados. Elementos de estética athleisure correram nas respetivas passerelles, dos tecidos às cores, sugerindo peças como blusões bomber e casacos encapuzados.

Estelita Mendonça
Miguel Vieira

Mau tempo

As alterações climáticas parecem ter exercitado a criatividade de designers e marcas nacionais, que exploraram as valências dos têxteis técnicos para proteger as suas coleções das chuvas e ventos. Nos itens, a gabardina foi a protagonista, como mostraram David Catalán, Pedro Pedro, Estelita Mendonça e Júlio Torcato, mas houve ainda espaço para introduzir o vinil aos vestidos, como foi o caso de Miguel Vieira.

Inês Torcato

Camisas, mas pouco

Com o propósito de reinventar uma peça essencial e intemporal do guarda-roupa feminino – a camisa –, a dupla Alves/Gonçalves verteu o item para um jumpsuit e Ricardo Andrez para um bomber.

Júlio Torcato olhou para a camisa como um híbrido entre vestido e blusão e Inês Torcato e Kolovrat fizeram da camisa a peça-chave dos coordenados de verão, sugerindo-a na extensão de um vestido.