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Moda rápida” gera bons lucros

De acordo com o just-style.com, empresas como a Hennes & Mauritz, Zara e Mango, líderes neste género de moda, registaram um crescimento significativo desde 1998 e continuam a lucrar com o retalho de vestuário. Richard Perks da Mintel e autor do novo ‘Relatório de Vestuário a Retalho na Europa’ afirma, «é impossível negar que a H&M, Mango e Zara têm tido muito sucesso ultimamente e continuam a ter ganhos com o vestuário de retalho. Combinaram a moda de última hora com preços baixos, que se destina claramente a um mercado particular e que contribui para aumentar a sua vantagem face aos retalhistas de zonas comercias tradicionais, os quais ainda pensam poder corresponder às diferentes necessidades dos vários tipos de consumidores». A Zara, detida pelo grupo espanhol Inditex, registou o crescimento mais significativo destas três empresas, crescimento esse que se situou nos 146 por cento entre 1998 e 2002, perfazendo 3.2 mil milhões de euros em 2002. A Mango mais do que dobrou as suas vendas desde 1998 crescendo cerca de 103 por cento, atingindo os 950 milhões de euros em 2002. No entanto, a empresa sueca H&M é a verdadeira vencedora da “moda rápida” na Europa, conseguindo quase duplicar as suas vendas entre 1998 e 2002, apresentando um crescimento de 91 por cento. Com vendas no total de quase 4.7 mil milhões de euros a empresa sueca é actualmente o terceiro maior retalhista de vestuário na Europa. «A H&M compete directamente com a C&A, a número dois da Europa. Esta competição traduz o confronto entre o novo estilo da “moda rápida” e o estilo retalhista mais conservador, sendo mais do que provável que a H&M ultrapasse a C&A este ano», afirma Richard Perks. Britânicos são menos fashion Novas sondagens relativas aos consumidores mostram que em toda a Europa as atitudes perante a moda e estilo variam substancialmente. Os britânicos dão menos importância à moda uma vez que apenas um em quatro (23 por cento) afirma, «gosto de estar a par das últimas modas». Comparativamente, quase dois em cinco franceses (38 por cento) vêem a moda como muito importante e são também o povo que melhor se veste. Três em cada cinco (62 por cento) sentem que é fundamental não só estar bem vestidos, mas também fazê-lo com estilo. Quase três em cada cinco (57 por cento) são da opinião que têm uma boa noção de estilo. Os alemães são o povo com menos estilo. Apenas dois em cada cinco (39 por cento) dizem ter uma noção apurada deste. Por outro lado, os alemães são os mais individualistas já que um em cada quatro (25 por cento) gosta de se destacar na multidão. Marks & Spencer mantém a posição cimeira A M&S (excepto género alimentícios e artigos para casa) continua no primeiro lugar no mercado de vestuário de retalho na Europa. Em 2002, as vendas de vestuário da M&S totalizaram 5.9 mil milhões de euros, situando-se quase mil milhões de euros acima da C&A, o retalhista número dois de vestuário da Europa. Estes dois retalhistas ocupam agora as posições cimeiras da tabela, mas tiveram alguns problemas nos últimos anos e estão a ficar sob pressão crescente da H&M. A C&A registou um pequeno decréscimo de 5 por cento nas vendas entre 1998 e 2002 e retirou-se recentemente do Reino Unido e da República da Irlanda para se concentrar na Europa continental. Segundo Richard Perks, «apesar da M&S ter conseguido uma recuperação impressionante, reconfigurando-se para a era de 2000, a Mintel questiona se a C&A mostrou o mesmo grau de impulso e inovação». Sector do vestuário com perspectivas de um futuro difícil Nos últimos anos o sector de vestuário tem vindo a diminuir a sua percentagem no retalho não-alimentar na maior parte dos países da Europa. Prevê-se que no geral esta tendência se mantenha verificando-se, no entanto algumas excepções. É provável que o sector de vestuário na França e na Itália consiga manter a sua percentagem no retalho não-alimentar e que no caso da Áustria, Bélgica, Hungria e Reino Unido este sector possa ganhar mais relevância. «Enquanto as perspectivas para certas empresas na Europa são encorajadoras, a competição no sector é intensa. As recompensas para o sucesso são enormes, mas os custos do falhanço tornam-se maiores cada ano. Há pouca fidelização do consumidor no sector do vestuário, particularmente no que diz respeito aos jovens que mudam frequentemente de loja de acordo com as suas necessidades. A H&M e a Zara conseguiram aumentar os ganhos nas zonas comerciais tradicionais, mas os hipermercados como a Asda também o estão a conseguir, fazendo-o com preços extremamente competitivos fora da cidade. O sector de retalho do vestuário está a tornar-se muito mais fluído à medida que os retalhistas lutam pela sua percentagem de um consumidor cada vez mais exigente», conclui Richard Perks.