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Moda rápida com os dias contados

Considerando o impacto da moda no meio ambiente, as marcas precisam de reconsiderar urgentemente o modelo de negócio, aconselham os ambientalistas, e de produzir peças de roupa que sejam duradouras, reparáveis e indicadas para a reutilização.

Publicada na véspera da mais recente Black Friday, uma pesquisa da Greenpeace Alemanha, divulgada pelo portal just-style.com, mostra como a rápida expansão do modelo de negócios da moda rápida significa que o consumidor médio compra agora mais 60% de itens de vestuário anualmente e que os mantém durante cerca de metade do tempo (comparativamente há 15 anos), produzindo volumes incomportáveis de resíduos têxteis.

A pesquisa afirma que a produção global de vestuário duplicou entre 2000 e 2014, com as vendas a saltarem de um bilião de dólares (aproximadamente 944 mil milhões de euros) em 2002 para 1,8 biliões em 2015.

A previsão é de que os números alcancem os 2,1 biliões de dólares até 2025.

De acordo com a Greenpeace, a União Europeia gera entre 1,5 a 2 milhões de toneladas de roupas usadas por ano, muitas delas inutilizáveis devido à sua má qualidade. Além disso, a compra e a utilização de vestuário contribui com cerca de 3% das emissões anuais globais de CO2 – da produção à logística, passando pela manutenção (como a lavagem, secagem, etc.).

Pesquisas independentes mostram que duplicar a vida útil do vestuário de um para dois anos poderia reduzir essas emissões em 24%, economizando grandes quantidades de água e reduzindo significativamente o derrame de produtos químicos perigosos, afirma a Greenpeace.

«É difícil resistir ao fascínio de um bom negócio, mas a moda rápida significa que estamos a consumir e a deitar fora roupas a um ritmo superior àquele que o nosso planeta pode comportar», afirma Kirsten Brodde, responsável pela campanha “Detox my Fashion” da Greenpeace.

O relatório destaca o impacto ambiental da moda rápida, incluindo os produtos químicos das empresas têxteis que poluem rios e oceanos, a utilização de energia e de pesticidas no cultivo de algodão (que contaminam campos agrícolas).

O documento aponta ainda que uma das principais consequências da moda rápida para o planeta vem da crescente utilização de fibras sintéticas, em especial do poliéster, que emite quase três vezes mais CO2 no seu ciclo de vida do que o algodão.

Já presente em 60% dos artigos de vestuário, o poliéster pode demorar décadas a degradar-se e tem vindo a poluir os ambientes marinhos com microfibras plásticas, sublinha a Greenpeace.

Não obstante, a organização ambiental acredita que a reciclagem não é solução, uma vez que a reciclagem completa de roupas em novas fibras ainda está longe de ser comercialmente viável.

«A nossa pesquisa indica que o sistema de vestuário em segunda mão está à beira do colapso», completa Kirsten Brodde. «As marcas de moda precisam de repensar urgentemente os seus modelos de negócio e produzir roupas que sejam duradouras, reparáveis e aptas para a reutilização. Como consumidores, também temos poder. Antes de comprarmos um item barato devemos pensar: “precisamos mesmo disto?», conclui.

Desde 2011, a campanha “Detox my Fashion” da Greenpeace reuniu o apoio de 78 empresas, incluindo marcas de moda, retalhistas e fornecedores têxteis, com o objetivo de chegarem às “zero descargas” de produtos químicos perigosos na cadeia de aprovisionamento até 2020.