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Moda rápida comprometida na China

Numa altura em que a China se compromete com a reforma ambiental, poderá a fast fashion continuar a dominar a economia e o ambiente do país? Os prós e os contras vão começar a ser pesados no Império do Meio.

De acordo com um relatório recente da iniciativa sem fins lucrativos China Water Risk, intitulado “Today’s Fight for the Future of Fashion”, a indústria têxtil é uma das mais poluentes e das que mais consomem água na China. A moda rápida é apontada como culpada pelo lento progresso sustentável do país, a par de não ter contribuído de forma significativa para o Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos tempos.

Nos próximos anos, caberá à China continuar com o vestuário barato ou alterar profundamente a cadeia de aprovisionamento global. Há dois anos, o primeiro-ministro chinês Li Keqiang afirmou que o país estava a atravessar uma «guerra contra a poluição» e, já em 2015, um relatório do Ministério da Proteção do Meio Ambiente destacou que a qualidade ambiental da China tinha diminuído.

Os sete grandes rios do país continuam tóxicos e os recursos hídricos estão altamente limitados. Apesar do alerta para “limpar” a China, a indústria têxtil continua a utilizar produtos químicos perigosos para os cursos de água e o vestuário de algodão consome o quádruplo da água, comparativamente a culturas como o arroz.

Não obstante, as iniciativas amigas do ambiente representam também riscos de curto e longo prazo para a moda rápida. Lançado em abril de 2015, o “Water Ten Plan” é uma transição temporária para que as fábricas têxteis se possam envolver nos padrões de conformidade nacionais. Mais de 90% das fábricas têxteis podem enfrentar o encerramento caso o plano entre efetivamente em vigor, considerando os prazos limitados dos custos de investimento (CAPEX) e o aumento dos custos de exploração (OPEX).

Os principais centros têxteis do país também serão afetados, incluindo o do delta do rio Yangtze, onde mais de metade das fibras químicas para vestuário é fabricada. Embora as marcas de vestuário tenham vindo a deslocar gradualmente as suas operações para fora da China, até 75% dos materiais-chave da indústria, incluindo algodão, fibras químicas, lã e seda ainda passam por atividades de produção e de importação no país.

Em última instância, nesta altura, a moda rápida ainda está numa relação complicada com a China. Face à crescente transparência do aprovisionamento e à multiplicação de consumidores chineses com preocupações ambientais, os esforços do país para se assumir como uma potência mundial financeira e ambientalmente equilibrada não pode envolver a produção de vestuário barato.

Caberá por isso à China pesar os prós e os contras da moda rápida no que à sua prosperidade futura diz respeito.