Início Notícias Mercados

Moda rápida não abranda

Com a sua combinação de moda em sintonia com as tendências e pontos de preços baixos, os retalhistas de “fast fashion” são suscetíveis de continuar a ganhar quota no altamente competitivo mercado de vestuário global, conforme sugere um novo estudo. Adicionando a isto um processo de design muito rápido que está altamente integrado com a enorme infraestrutura da cadeia de aprovisionamento das empresas, «a oportunidade para os retalhistas de moda rápida é enorme nos EUA», de acordo com o estudo “Fast Fashion Headwind Will Grow For Retailers – Ahead of the Curve Series” desenvolvido pelo Cowen Group. A análise salienta que o conjunto de quatro destes retalhistas, nomeadamente H&M, Uniqlo, Zara e Forever 21, gerou 48 mil milhões de dólares de vendas globais em 2013. Este valor representou apenas 3,4% do mercado de vestuário global, deixando um enorme espaço para crescimento. Os autores do relatório estimam que «a quota de mercado em 2013 de apenas 2,4% da Forever 21, o maior ator sedeado nos EUA, irá continuar a expandir e as três marcas internacionais estão apenas a começar a aumentar a área comercial nos EUA, criando um potencial significativo de ganhos adicionais de participação de mercado». A Cowen vê potencial para as vendas de moda rápida nos EUA crescerem a uma taxa anual composta de 11% até 2020, impulsionadas pelo crescimento da área comercial. Esta estimativa assume que os quatro principais atores do mercado serão capazes de manter os níveis de atividade de vendas de 2013, à medida que o número de lojas expande a uma taxa de dois dígitos. Isto resultaria numa quota de 4,2% do mercado de vestuário dos EUA em 2020 – um aumento de 77% ao longo dos próximos sete anos. A popularidade do “fast fashion” está a ser impulsionada principalmente por dois fatores: os preços «extremamente baratos» das peças de vestuário que potencialmente apenas serão usadas algumas vezes e a vasta gama de mercadoria nas lojas. O relatório constatou que a maioria dos retalhistas especializados de vestuário não fornece o que os clientes procuram, ao passo que a escolha disponível nas lojas de moda rápida permite que os compradores sejam mais individuais na forma como se vestem. Os autores referem que «o núcleo da estratégia da moda rápida é transformar rapidamente vestuário e acessórios de preço baixo para atrair os consumidores a atualizarem constantemente o seu guarda-roupa em linha com as rápidas e por vezes imprevisíveis tendências da moda. A pressão da concorrência a partir destes conceitos é suscetível de aumentar ao longo dos próximos anos, à medida que continuam a crescer as suas bases de lojas e plataformas de comércio eletrónico». A H&M, a segunda maior retalhista de moda do mundo, está a provar ser uma das maiores ameaças para o retalho especializado nos EUA. A empresa, que opera cerca de 305 lojas no mercado americano, foi ganhando rapidamente participação de mercado com as vendas a crescerem a taxas de 19% desde 2011. Nos EUA, a H&M gerou vendas de 2,1 mil milhões de dólares no ano passado, sendo responsável por 9% das vendas totais. A empresa tem como alvo 10% a 15% de crescimento anual de lojas ao nível mundial, com 375 novas lojas em 2014. Os Estados Unidos e a China são provavelmente os principais mercados de foco, com a presença online da marca a aumentar provavelmente o reconhecimento. A ampla variedade de mercadorias a preços baixos da Forever 21 tem ajudado a marca a alcançar vendas de 3,7 mil milhões de dólares, de acordo com a Forbes. A empresa opera cerca de 600 lojas ao nível mundial – incluindo 468 nos EUA – e aumentou o número de unidades a uma taxa de 7% desde 2007. O estudo da Cowen prevê que a Forever 21 irá ampliar a sua base de lojas em cerca de 60% até 2020. Por sua vez, a marca japonesa de roupas casuais Uniqlo teve menos sucesso do que a H&M ou a Forever 21 nos EUA, mas está agora a começar a expandir. Opera atualmente cerca de 17 lojas no país – uma pequena fração das 2.500 lojas que detém globalmente – e tem uma meta de 200 lojas nos Estados Unidos até 2020. A marca prevê um potencial até 1.000 lojas no longo prazo. Os pontos de preço do “fast fashion” não estão apenas «dramaticamente abaixo» da maioria dos retalhistas de vestuário, mas também alteraram o ambiente competitivo, colocando uma pressão permanente sobre as margens dos produtos. «Em média, a margem das mercadorias diminuiu 130 pontos base desde 2010», observam os autores, salientando em particular a incidência da descida no sector do vestuário vocacionado para os adolescentes, acrescida da elevada preferência destes consumidores pela moda rápida. O estudo da Cowen também observa que, à medida que proliferam os conceitos de moda rápida mais barata, a necessidade de operar lojas físicas também poderá diminuir, já que o consumidor transfere cada vez mais gastos para o comércio online.