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Moda responsiva

O design responsivo estende-se agora ao universo da moda e do vestuário com a mais recente colaboração entre a marca Chromat e a gigante tecnológico Intel, que promete dar um novo uso às peças do quotidiano.

NEW YORK, NY - SEPTEMBER 11: A model poses backstage during the Chromat featuring Intel Collaboration at Milk Studios on September 11, 2015 in New York City. (Photo by Daniel C Sims/Getty Images for Chromat)

Becca McCharen, CEO da marca Chromat, acredita que a solução para as peças de vestuário desconfortáveis e desajustadas assenta na capacidade de fazer as roupas responder ao corpo, tão facilmente como uma página web se adapta a um ecrã de smartphone.

«Acredito que, no futuro, todos terão um scanner corporal, comprarão os arquivos online e imprimirão as suas peças de vestuário, obtendo algo inteiramente adaptável à sua forma», afirma McCharen. «O outro lado inerente ao uso de tecnologia no ajuste assenta na deteção do humor e identificação do que o corpo pretende mudar».

No âmbito da semana da moda de Nova Iorque, McCharen e a Intel colaboraram na conceção de duas peças, capazes de alterar a forma corporal, recorrendo a pequenos dispositivos eletrónicos. Esta iniciativa demonstra como a tecnologia wearable poderá derrubar a forma como pensamos o vestuário e como as nossas roupas representam o que somos.

«Os wearables irão enriquecer a vida das pessoas e é preciso que haja diversos aplicativos que não estejam apenas disponíveis para os adeptos da tecnologia», defende Ayse Ildeniz, vice-presidente do grupo de novos dispositivos da Intel, eleita pela Fast Company uma das pessoas mais criativas no panorama dos negócios.

A Chromat estreou duas peças que utilizam o know-how técnico de forma inovadora: um soutien desportivo funcional, que responde a mudanças na transpiração, respiração e temperatura corporal, e um vestido de fibra de carbono, impresso em 3D, que se transforma com base nos níveis de adrenalina do utilizador.

«Encaro a Chromat como uma experiência estrutural para o corpo e vejo as peças que projeto como suportes para o corpo», explica McCharen. Explorar as possibilidades formais da lingerie tem sido uma paixão criativa de McCharen, uma vez que, sendo utilizada em contacto com o corpo – como o soutien Chromat LED Bionic Bra – se adequa, também, à realização de experiências técnicas.

«A lingerie está tão perto da pele que pode captar o máximo de informação – é uma máquina de leitura de dados», acrescenta McCharen. «Começamos a ponderar todas as diversas formas de a tornar inteligente».

Para muitas mulheres, encontrar o soutien certo é uma missão quase impossível, uma vez que cada corpo tem uma forma diferente que, frequentemente, não se adequa ao dimensionamento considerado pelos fabricantes. Como tal, McCharen analisou processos que conferem maior conforto à estrutura da peça. Para esse fim, incorporou o módulo Curie, desenvolvido pela Intel e ainda não disponível para venda, no soutien Aeros, fabricado com elastano, neopreno, malha e uma estrutura de fibra de carbono impressa em 3D, que sente o calor e o suor, criando zonas de ventilação que reduzem a temperatura do utilizador.

O vestido Adrenaline funciona de forma semelhante, mas os seus atributos técnicos expressam emoções: a estrutura da peça expande-se numa forma de ampulheta pronunciada quando o utente está entusiasmado. Ambos utilizam uma estrutura e lógica de impressão 3D similar, mas demonstram o potencial criativo do módulo Curie.
Enquanto o vestido é uma experiência de arte na moda, o soutien eletrónico é algo que as mulheres poderiam efetivamente utilizar. «Ainda estamos naquela fase exploratória que, enquanto indústria, temos de considerar», refere Ildeniz, adiantando que o projeto é, essencialmente, um exercício experimental. «Esta é a prova do conceito que procuramos apresentar», resume.

McCharen revela que, do ponto de vista dos designers de moda, o desenvolvimento de materiais flexíveis será o próximo passo na incorporação da tecnologia em algo que pode ser usado no quotidiano. Enquanto os tecidos são moldáveis, a eletrónica é rígida. Porém, isto não impede a criação de novos projetos. «Eu adoro ser uma cientista louca e pensar em novas ideias malucas», diz.