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ModaLisboa acorda talento e consciência

Na 54.ª edição, os criadores portugueses fizeram desfilar as tendências para o outono-inverno 2020/2021 pelas passerelles da ModaLisboa, num evento mais “verde” que deixou o público “awake” para a moda sustentável e premiou o talento dos jovens designers.

Luís Buchinho

As Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento da capital portuguesa receberam, de 5 a 8 de março, a mais recente edição da ModaLisboa, que além de estar mais sustentável do que nunca por transportar uma consciência ativa do mundo em que vivemos, desvendou as tendências para a estação fria. Sob o mote “Awake”, o evento, que contou com 23 mil visitantes, despertou o público com um programa que fez cumprir a promessa de aliar estética, consciência e qualidade.

Patrícia Barnabé, Diana Verde Nieto, Lisa Lang e Jeanne de Kroon

O plano da ModaLisboa arrancou com as “Fast Talks”, conferências abertas ao público moderadas pela jornalista Patrícia Barnabé. A reinvenção do sistema de moda, a integração da sustentabilidade, a igualdade e inclusão em ambientes de trabalho e a inovação foram algumas das temáticas abordadas no espaço que contou com a presença das oradoras Diana Verde Nieto, Jeanne de Kroon e Lisa Lang.

A finalizar o dia inaugural, a iniciativa United Fashion foi a «casa da voz do futuro», tendo acolhido 15 designers de moda europeus para um programa focado na produção e na materialização do que está por vir com o objetivo de fomentar o conhecimento e a partilha.

Prémios e manifestos

Durante os quatro dias do evento ainda houve espaço para o talento do “Sangue Novo”. No segundo dia do evento, os jovens designers tiveram a oportunidade de mostrar as criações e serem recompensados pelo seu trabalho, com a atribuição de um prémio aos vencedores da competição. Inês Manuel Baptista, Francisco Pereira e Cêlá foram os vencedores do concurso que lhes garantiu, respetivamente, oportunidades de estudo na Polimoda, uma residência de três semanas na Tintex e presença na concept store portuguesa The Feeting Room.

Entrega do prémio a Francisco Pereira

Nos desfiles, a coleção de Carolina Machado, batizada “Grounded”, foi «um manifesto sobre a conexão com a terra». Além de ser inspirada na natureza, as propostas apresentaram características de intemporalidade entre os modelos oversized, cropped e midi, com paleta de cores neutra. A marca Duarte pintou os estampados em parceria com o artista Edis One para retratar padrões de cinco animais em vias de extinção dos Himalaias face à realidade das alterações climáticas.

Já Valentim Quaresma deu vida à passerelle com jogos de assimetrias pintadas de preto, castanho, cinza, prata e ouro. Sem mote de inspiração específico para a coleção, o designer surpreendeu com a entrada da cantora Marisa Liz, que desfilou com um coordenado da autoria do criador. A noite encerrou pelas mãos de Carlos Gil, com a coleção “Mind Games”, que levou até à passerelle a identidade de uma mulher «determinada, elegante e sensual».

Quebrar regras

João Magalhães abriu o terceiro dia da ModaLisboa com recriações de peças da estação passada, a dualidade homem/máquina e o paradoxo entre a cultura urbana e tradicional, onde os materiais sintéticos se aliaram a tecidos mais tradicionais. Para mostrar que não existem padrões fixos de beleza e que todas as mulheres são únicas, a Buzina, marca de moda criada em 2016, concedeu uma interpretação oversize às silhuetas femininas e à paleta neutra de cores adicionou o fúcsia, tons verdes e azuis.

Valentim Quaresma
Ricardo Preto

A coleção para a estação fria de Luís Buchinho brindou aos 30 anos da marca de autor, que misturou influências dos anos 20 e 80 para mulheres «fortes e afirmativas». Ricardo Preto combinou um lado contemporâneo com uma irreverência intrínseca, que, além dos tons de verde e azul profundos, uniram tons pastéis de azul e rosa. Já “Colourgraphic” foi o nome dado por Luís Carvalho à sua mais recente coleção, que se destacou pelas tonalidades fortes como o vermelho, rosa e amarelo. Para contrabalançar, seguiu-se Kolovrat onde prevaleceram os tons neutros.

Com coordenados concebidos para quebrar regras, Gonçalo Peixoto mostrou a cara da «despreocupação» do streetstyle, que se pode transformar em «clássicos intemporais». O penúltimo dia terminou com um apelo de Nuno Gama a uma indústria ética e mais sustentável.

Disparidades de azul

A irregularidade e o efeito inacabado das peças de Constança Entrudo abriram o último dia da ModaLisboa com uma coleção híbrida que retrata a relação do corpo humano com pintura, escultura, som e moda. A marcar o genderless, a Hibu cruzou, uma vez mais, uma estética «minimal e descontraída», onde as cores não fugiram do branco, preto, vermelho e azul.

Gonçalo Peixoto

Os modelos fluidos conferiram identidade às propostas da marca Awaytomars. Já os volumes moldaram os coordenados oversized de Ricardo Andrez, que gritam «conforto e durabilidade». Aleksandar Protic também se destacou pelos volumes, mas não deixou de optar por grafismos, geometrias e tecidos estampados com cores vibrantes. Sediada em Amsterdão, a marca Ninamounah apresentou a coleção “Complete Metamorphosis” com o objetivo de mostrar que o incomum pode ser comum.

Constança Entrudo
Dino Alves

A 54.ª edição do evento terminou com a exibição de Dino Alves, que retratou as memórias de vida do designer na coleção “Ontem, hoje e amanhã”. O denim, a seda, a organza e as sarjas acetinadas mesclaram-se com os estampados florais, riscas e xadrez.

O outono-inverno 2020/2021 chega às lojas em setembro e deixa como previsão silhuetas oversized, assimetrias e texturas. Para além da predominância das cores neutras, o azul vem para ficar e chega acompanhado pelo verde e algumas tonalidades de rosa, sem nunca esquecer as peles sintéticas e o acabamento acetinado dos materiais.