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ModaLisboa avança com «transformação necessária»

De 7 a 11 de outubro realiza-se a próxima edição da ModaLisboa, que terá lugar nos Jardins do Parque Eduardo VII na capital. O evento está de regresso com uma «transformação necessária», que acompanha estes tempos de pandemia e junta o físico ao digital.

[©ModaLisboa]

Depois da pandemia de Covid-19 ter provocado consequências que pararam o mundo da moda em várias frentes, nomeadamente o cancelamento de eventos, menos coleções e desfiles, a ModaLisboa avança em outubro com um formato reformulado à luz do novo panorama, que «já antes precisava de ser revisto, repensado e quebrado», assegura a associação em comunicado.

Para a próxima edição e com a colaboração da Câmara Municipal de Lisboa, o evento, que decorrerá durante mais dias do que o habitual, sofreu uma «transformação necessária», com uma componente digital e uma «exclusiva e estratégica» componente física, que dará voz a quem pensa, inspira e cria os produtos.

De acordo com a organização, o novo formato está já agendado, com a promessa de mais empatia, inclusão e criatividade, já que o mote da campanha é mesmo ser mais. «A base de operações estará nos Jardins do Parque Eduardo VII, onde a cidade volta a receber a moda em comunhão com o ar livre, com o verde e com a vida. A decisão não foi tomada de ânimo leve. Todos estes meses viveram de um processo de reflexão, de observação e debate constante com o mundo, de uma transformação necessária, com a consciência de que, até outubro, tudo pode voltar a mudar, e nós mudaremos com esse tudo», refere a associação ModaLisboa.

[©ModaLisboa]
«Mas é preciso fazer mover o sector cultural. É preciso comunicar todas as profissões, todos os talentos que cosem a indústria de moda. É preciso enfatizar a sua importância material e imaterial para a cidade e para o país. É preciso que continuemos a falar sobre sustentabilidade, sobre inclusão, sobre consumo consciente e local. É preciso que continuemos a trabalhar, a projetar o futuro, a fazer sonhar. É preciso fazer mais», aponta, para logo sublinhar que a ModaLisboa vai reger-se e respeitar todas as normas e diretrizes implementadas pelas autoridades locais e nacionais de saúde, para que as ações presenciais sejam seguras.
Ainda que ao ar livre, a Semana de Moda terá uma lotação presencial extremamente limitada e estará perto do público com acesso livre e gratuito através de uma app mobile, de uma app TV e de um website reforçado.

«A moda não são apenas peças de roupa: é uma indústria, uma comunidade, é pensamento, é sociedade, é vida», relembra a organização. «Os nossos designers, modelos, maquilhadores, cabeleireiros, stylists, fotógrafos, estudantes, investigadores, produtores, fabricantes não são só a profissão pela qual os conhecemos: são cultura, são mais-valia, são humanos, são amor. Por isto, por tudo isto, por todos eles, a próxima ModaLisboa não é uma apenas Semana de Moda. É uma conversa, é uma procura, é uma busca, é uma discussão. É um lugar aberto, mutável, livre. Vivemos numa equação por resolver e juntos podemos ser, vamos ser, a solução», resume.

Sangue Novo

Na sua ação de promoção de novos talentos, a Associação ModaLisboa recebeu desta feita 99 candidaturas de jovens designers finalistas ou recém-formados, que teriam, em circunstâncias normais, a oportunidade de mostrar as suas criações na passerelle.

[©ModaLisboa]
Contudo, no contexto de pandemia, os 10 criativos selecionados na primeira fase do concurso – André JorgeAndreia ReimãoAri PaivaArndesBenedita FormosinhoBolota Studio, FelicianoFora de JogoPilar do Rio e Rafael Ferreira – vão apresentar no dia 10 outubro, pelas 18 horas, as coleções num formato de desfile no qual o público poderá ver as peças em vídeo, numa experiencia digital.

Para fazer a seleção, o júri também optou pelo formato digital para analisar e escolher os vencedores. O designer Miguel Flor, enquanto presidente do júri, esteve acompanhado nesta missão por Rosário de Mello e Castro (diretora da Máxima), e Ricardo Dourado (designer sénior da Zara Woman), um painel que integrará ainda Adriano Baptista (diretor da revista Fucking Young!) e Danilo Venturi (diretor da Polimoda) para a seleção dos cinco vencedores que deverão passar à etapa seguinte, em que cada finalista receberá um prémio de mil euros e terá a oportunidade de apresentar uma nova coleção em março de 2021 – data em que o júri vai eleger os vencedores do Sangue Novo.