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ModaLisboa foi a jogo

Não hÁ edições melhores nem piores, mas hÁ edições que por algum motivo nos ficam na memória e esta foi um desses casos», esta frase foi proferida por Eduarda Abbondanza após o encerramento de mais uma edição – neste caso a 30ª – da ModaLisboa, um dos maiores e mais consagrados eventos de moda nacionais. Na nova morada, desta feita o Casino de Estoril, foram apresentadas durante quatro dias as propostas para o Outono-Inverno 2008/09 de alguns dos principais criadores portugueses. Coube a Dino Alves inaugurar a passerelle desta edição. Sob o tema “Wrong”, o criador fez uma homenagem às dificuldades e erros que marcaram sua carreira e apresentou uma colecção repleta de peças amarrotadas, descosidas, manchadas, rasgadas, distorcidas, invertidas e desajustadas. JÁ Ricardo Dourado desenvolveu novas identidades, partindo da construção e desconstrução do uniforme colegial, como o próprio explicou: Tentei criar peças com identidade própria e com subtis ilusões a ideias adjacentes ao uniforme. Por outro lado, hÁ uma mixage e uma influência de outras ideias, provindas do Oriente. HÁ uma tentativa de tornar a colecção muito cool, muito prÁtica, muito jovem, muito street. Por isso, fui buscar influências ao Japão e associei a ideia de austeridade e de rigidez num uniforme colegial». JÁ Pedro Pedro, que deixou o Portugal Fashion para se apresentar pela primeira vez na Moda Lisboa, mostrou uma linha denominada “Anatomias Urbanas”. A estrutura das peças assumiu-se como decoração das mesmas, numa mistura de materiais e formas desconstruídas e fragmentadas. Por seu lado, Filipe Faísca – que encerrou o primeiro dia do evento – surpreendeu, mais uma vez, com a elegância das suas criações. Esta linha é uma sequência do desfile passado: uma mulher muito feminina e muito coquete. Aqui mantém-se a coqueteria mas de uma maneira mais decadente», explicou o estilista. Katty Xiomara, que se inspirou no filme “Metropolis” para dar nome a uma colecção que adapta a visão futurista dos anos 20 ao presente, trabalhou formas mecânicas mas doces, volumes subtilmente exagerados e detalhes decadentes mas elegantes em cores que reflectiam brilho e escuridão. JÁ Ricardo Preto surpreendeu com uma colecção inspirada no retro-futurismo e no tribal. As manchas Rorschach foram o ponto de partida da colecção de Alexandra Moura, cujas criações, tal como as manchas, remeteram para diferentes interpretações. Em paralelo, e numa glamourosa apresentação no Hotel PalÁcio, a dupla Alves/Gonçalves deu a conhecer uma elegante colecção feminina, que combinou jogos de pregas e plissados com materiais sofisticados. José António Tenente inaugurou o calendÁrio do terceiro dia da 30ª edição da ModaLisboa|Estoril ao apresentar uma mulher com imagem teatral feminina e onde fui buscar algumas referências masculinas que a tornam ainda mais fascinante», salientou o criador que se inspirou no ambiente boémio do início do século XX. JÁ a performance de Add.Up – Osvaldo Martins apresentou a reconstrução de um futurismo virtual» que resultou numa conjugação de formas estruturadas e volumes mais descontraídos e desajustados ao corpo; enquanto que Aleksandar Protich propôs uma colecção para uma nova geração de desportistas urbanos. Lidija Kolovrat misturou tecnologia e natureza, numa original colecção composta por edições que se juntam como peças autónomas e Ana Salazar afirmou-se pela coexistência de formas contrastantes: maxi/mini, oversized/justo. Destacaram-se aqui as assimetrias, os patchworks e a descontextualização de elementos de alfaiataria. Pedro Mourão recuou aos anos 40 em busca de inspiração e apresentou uma colecção masculina de peças clÁssicas e comerciais, enquanto que Luís Buchinho misturou volumes estruturados com linha suaves e fluidas, recortadas de modo geométrico. Fiz uma união entre a década de 20 e a década de 80, tirando elementos das duas, misturando-as numa linguagem muito moderna e contemporânea. Tenho grafismos Deco e silhuetas geométricas, que são muito específicas, e depois junto muito o espírito neo-romântico e um pouco o gótico também do início da década de 80», salientou o estilista. Menos é mais, a mÁxima do modernismo». A célebre frase do arquitecto Mies Van Der Rohe foi o ponto de partida da colecção de Miguel Vieira, que propôs um misto de orgânico e minimalismo. Para o homem, fatos cintados e cortes retro. Para a mulher, formas orgânicas e sinuosas, mais volumosas que o habitual, mas sempre com cinturas muito marcadas. Nuno Gama misturou peças nas suas proporções que – como o próprio explicou – de alguma forma, integram o nosso guarda-roupa de toda a vida, revisitadas nas proporções e nos materiais. Materiais muitos bons como a seda, a caxemira e a lã misturam-se com tecidos mais secos ou não tão quentes». No Hotel PalÁcio, decorreram ainda três performances: Lara Torres, Aforest-design by Sara Lamúrias e White Tent, que tiveram uma enorme afluência de público. JÁ, Nuno Baltazar apresentou uma linha inspirada na Cidade Luz do período entre 1915 e 1920. A minha colecção ficciona a amizade entre a mulher do pintor italiano Modgliani e a mulher de Picasso, pintor espanhol, e é uma mistura do guarda-roupa destas duas mulheres, mas muito mais depurado, com formas mais descontraídas, sem definirem muito o corpo. Como contraponto, existe outra silhueta mais estruturada, sofisticada e com referências mais “couture”», revelou Nuno Baltazar. Para finalizar foram apresentadas as colecções para o Verão 2008 das principais lojas de moda de Cascais: Arrow, Benetton, Best 4 You, D-modé, Dream Sisters, Façonnable, Lacoste, Loja das Meias, Londoner, Poko Pano, Weill, e Zoe, onde ficou claro que, na estação quente que se avisinha, vai predominar o estilo safari, os padrões florais e as cores fortes. A ModaLisboa regressarÁ em Outubro a Cascais, para dar a conhecer as propostas dos designers portugueses para a estação de Primavera-Verão 2009.