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ModaLisboa foi oásis de diversidade

Numa edição inclusiva, onde a idade ficou à porta, a 59.ª edição da ModaLisboa trouxe uma multiplicidade de visões do que é a moda atual. Entre estreias, regressos aos arquivos e novas propostas de nomes consagrados, a liberdade foi o mote maior para este Oasis que pretende continuar a ser refúgio dos designers nacionais.

Dino Alves [©ModaLisboa/Ugo Camera]

Acampada na Lisboa Social Mitra, um espaço pensado para ser um polo de inovação social da cidade, a ModaLisboa definiu desde logo a missão para esta 59.ª edição. «Nesta travessia que fazemos juntos, chegamos ao oásis para que possamos encontrar um lugar de refúgio que se torne num lugar de soluções», afirmou Eduarda Abbondanza, presidente da Associação ModaLisboa. «Graças à Câmara Municipal de Lisboa, à qual agradecemos a parceria e cumplicidade diária, vivemos numa cidade que cresce e se transforma todos os dias. Que se torna numa incubadora de futuro, permitindo que a renovação capacite criativos, empresas e negócios para enfrentar a emergência climática e a transmutação social. Existimos num espaço livre e só assim nos é possível atravessar o deserto», acrescentou.

Call Me Gorgeous [©ModaLisboa/Ugo Camera]
Miguel Flor [©ModaLisboa/Ugo Camera]
A pensar neste futuro de jovens talentos, a ModaLisboa foi palco da estreia de Luís Borges como designer, com a marca Call Me Gorgeous, e premiou também os emergentes Çal Pfungst, Darya Fesenko, Inês Barreto, Molly98 e Niuka Oliveira no Sangue Novo. Estes cinco finalistas irão apresentar-se na final do concurso, que terá lugar na edição de março da ModaLisboa.

O certame, contudo, não esquece o passado e, nesta edição, celebrou o arquivo de Miguel Flor, com o designer, que é agora também presidente do júri do Sangue Novo, a pisar a passerelle lisboeta 20 anos depois, num trabalho realizado em parceria com João Melo Costa e Filipe Augusto.

Nuno Gama [©ModaLisboa/Ugo Camera]
De Lisboa para o mundo

Da mesma forma, Nuno Gama celebrou todos os homens. Num desfile que espelha o cliente atual, que «tanto é um rapaz de 15/16 anos, como um eterno jovem de 60, 70, 80 anos. Temos um cliente de 82 anos. São pessoas portuguesas, alemãs, norte-americanas, sul-africanas, australianas, japonesas, de todo o lado», como explicou o designer à Lusa, Nuno Gama marcou com um X as suas peças – que estarão já à venda – para identificar as pessoas que decidiram fazer de Lisboa um oásis. «São de todos os lados do mundo e de todos os géneros e feitios», e, sublinha, «tornam a cidade mais colorida, mais rica, mais viva e mais interessante, como é agora e não era há uns anos».

Também Dino Alves homenageou Lisboa, com os designs que fez para a Marcha da Bica a subirem à passerelle. A nova coleção é, de resto, inspirada na cultura popular portuguesa, combinando a ruralidade e o folclore com uma visão mais contemporânea.

Carlos Gil [©ModaLisboa/Ugo Camera]
Luís Buchinho, por seu lado, inspirou-se no “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, resultando em propostas que misturam o sportswear e o nightwear, onde se destacaram os plissados, o cetim e as lantejoulas, enquanto Carlos Gil vestiu figuras públicas como Fernanda Serrano, Astrid Werdning, Cláudia Semedo e Liliana Campos com coordenados elegantes resultantes de uma «reflexão entre o passado e o presente, justificando o futuro».

Luís Buchinho [©ModaLisboa/Ugo Camera]
Luís Carvalho [©ModaLisboa/Ugo Camera]
Luís Carvalho, presente em dose dupla nesta edição da ModaLisboa, mostrou em nome próprio “um verão na cidade”, uma coleção que vai beber inspiração à arquitetura contemporânea das grandes cidades, onde o lado urbano e descontraído se combina com pormenores clássicos, como os tecidos de riscas. Na coleção cápsula que desenhou para a Salsa, o designer inspirou-se no modelo de jeans Push Up, que celebra 15 anos de existência. «Repensar este modelo da Salsa fez-me regressar ao início da minha carreira, foi interessante interpretar a minha estética num modelo tão específico e técnico como este. Ao mesmo tempo acabou por ser simples para mim, pois já conhecia as diferentes especificidades necessárias para o seu desenvolvimento, assim como o tipo de detalhes que podia trabalhar e as matérias-primas», afirma Luís Carvalho em comunicado.

Gonçalo Peixoto [©ModaLisboa/Ugo Camera]
Nuno Baltazar [©ModaLisboa/Ugo Camera]
Já Nuno Baltazar “pintou” a passerelle de tons fortes, como as combinações rosa e laranja, mas também violeta e amarelo fluor, num verdadeiro arco-íris que explora a feminilidade e a sofisticação que lhe são características, enquanto Gonçalo Peixoto, que encerrou esta 59.ª ModaLisboa, encheu o cenário de flores para mostrar “Sometimes I just wanna kiss girls”, uma coleção onde continua a explorar a sua identidade enquanto marca.