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ModaPortugal passeia pela ITV nacional

A sexta edição do concurso ModaPortugal Fashion Design Competition ofereceu, aos 30 jovens designers de oito nacionalidades diferentes, a oportunidade de conhecer a indústria têxtil portuguesa em primeira mão. Foram dois dias de visitas às instalações do Citeve, Tintex, Pedrosa & Rodrigues e Scoop.

A Alfândega do Porto prepara-se para receber hoje a sexta edição da ModaPortugal Fashion Design Competition, que junta jovens designers de moda para apresentarem as suas criações. O concurso visa reunir duas áreas essenciais da indústria de moda – o design e a confeção, incentivando o empreendedorismo e a criatividade de um grupo que, este ano, reúne 30 estudantes de 13 escolas de moda de vestuário e calçado, provenientes de 8 países diferentes – Espanha, Finlândia, França, Itália, Reino Unido, Roménia, Suíça e Portugal.

Neste sentido, o programa de atividades incluiu um conjunto de organizações da indústria têxtil e vestuário nacional, para proporcionar aos estudantes a oportunidade de estabelecer um contacto mais próximo com este sector. Durante os dias 3 e 4 de dezembro, o Citeve, a Tintex, a Pedrosa & Rodrigues e a Scoop abriram as portas das suas instalações para receber o grupo de criadores de moda do concurso.

A nomeação dos vencedores e entrega de prémios está reservada para a noite de hoje, após um dia de conferências e apresentações que ocuparão as salas da Alfândega do Porto. Este concurso é uma iniciativa do CENIT – Centro de Inteligência Têxtil e da ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção, em parceria com a APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos Pele e seus Sucedâneos e a ModaLisboa.

Milagre têxtil europeu

Numa primeira paragem pelo Citeve, Braz Costa, diretor do centro tecnológico, aproveitou para descrever Portugal como «o milagre têxtil europeu», já que «crescemos, na última década, mais do que 55%». O diretor do Citeve sublinhou que é «um erro» encarar os têxteis e vestuário enquanto sectores de baixa tecnologia. Logo, a missão do Citeve passa por «apoiar as empresas a introduzir progressivamente mais conhecimento e tecnologia nos seus processos».

Citeve

Sempre atento às tendências de mercado, Braz Costa evidenciou a sustentabilidade como «o último amor das nossas vidas». De facto, nos últimos anos, o centro tecnológico tem vindo a investir progressivamente nesta área e reserva, para 2020, a abertura de um departamento que lhe está exclusivamente dedicado. «O objetivo é, primeiramente, explicar às empresas que, com materiais sustentáveis, é possível produzir moda» e, «em segundo lugar, evidenciar ao resto do mundo que Portugal é efetivamente uma boa fonte de produtos sustentáveis», revelou Braz Costa.

Após a visita às instalações do centro tecnológico, Cristina Castro, relações públicas do Citeve salientou que «é importante que estes jovens designers compreendam que o sector têxtil em Portugal, um dos melhores da Europa seguramente – e do mundo, quiçá –, tem uma infraestrutura como a nossa a apoiá-lo, aos mais diferentes níveis: no controlo de qualidade, na certificação, no desenvolvimento de novos projetos,…». Marcelo Almiscarado, estudante da ESAD, confessou, ao Portugal Têxtil, ter ficado «espantado por uma organização portuguesa ter tanto impacto mundial».

Tintex

Já na Tintex, Ana Silva Tavares, diretora de sustentabilidade, explicou que a empresa, fundada como fornecedora de serviços ganhou reconhecimento pelo trabalho que desenvolveu com a Lenzing no tratamento da fibra de liocel, há mais de uma década, a partir do qual começou a investir no desenvolvimento dos seus próprios materiais. «As marcas procuram-nos pelo nosso lado inovador e estamos sempre a trabalhar e a desenvolver novidades, em termos de estrutura, processos de tingimento e acabamentos», reforçou.

Por sua vez, Pedro Magalhães enumerou os principais projetos da Tintex, realçando a sua preocupação constante pela sustentabilidade. Efetivamente, o diretor de inovação afiançou que o mais recente projeto se prende com a reciclagem da água consumida pela empresa. «Estamos a preparar um tema importante que será lançado no início do próximo ano, que se baseia em reciclar a água que usamos na maioria dos processos de tinturaria e acabamento, voltando a incorporá-la na produção para diminuir o nosso consumo», acrescentou.

Violetta Bretschneider, estudante da escola de moda italiana Polimoda, reconheceu, ao Portugal Têxtil, que ficou «satisfeita por ver que [a Tintex] tenta manter toda a produção eco-sustentável e reciclar a água que utiliza, não apenas porque é uma tendência». Já o seu colega Le Manuel admitiu que «muitos de nós pensamos que eco-sustentabilidade é reciclar. Mas não é só isso. Eco-sustentabildiade também está na tecnologia de produzir o tecido» e a Tintex assume-se como um «bom contacto» num futuro que envolva esta área.

Flexibilidade e inovação

Na Pedrosa & Rodrigues, os estudantes foram recebidos por Ana Rodrigues, client liaison, que apresentou a empresa familiar como especialista em vestuário de malha. Orientada para o private label, a Pedrosa & Rodrigues trabalha com um conjunto de 30 marcas e designers internacionais, onde se incluem a Supreme, Diane von Fürstenberg e L.K.Bennett. «Esta, para mim, é a melhor característica do nosso trabalho. Somos capazes de criar peças para todas estas marcas diferentes, que têm identidades, designs, preços distintos. Temos de ser muito flexíveis para alimentar todos estes clientes», garantiu.

Pedrosa & Rodrigues

Nos últimos anos, a Pedrosa & Rodrigues focou-se «em expandir a fábrica [em 40%], muitas certificações» e na «sustentabilidade ambiental», apontou Ana Rodrigues. Dominic Wang, da London College of Fashion, mostrou-se «fascinado» pelo facto de a empresa desenvolver «este género de serviço de pacote completo dentro de portas para o designer e respetiva equipa, o que permite atentar ao detalhe e ao potencial para o mercado e também para o negócio», destacou.

O programa de visitas terminou com uma última paragem na Scoop, onde Mafalda Pinto, CEO, e Daniel Mota Pinto, diretor de estratégia e desenvolvimento de negócio, apresentaram as suas peças de vestuário técnico e funcional, que integram diversas inovações tecnológicas, com o objetivo de melhorar a sua performance. Dada a experiência da empresa na área de I&D, Mafalda Pinto asseverou que, desde 2018, altura em que assumiu um compromisso no âmbito do UN Global Compact, a Scoop prioriza os objetivos do consumo responsável e ação climática. «É agora o momento em que os designers e a indústria precisam de se unir e fazer a mudança que vai impactar as marcas», assegurou.

Mariana Soares, estudante da FA.UL – Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa realçou que a empresa «é uma inspiração daquilo que, de facto, se consegue fazer em Portugal. Mas também é importante reconhecer que, se no futuro precisar de parceiros ou de ajuda, a Scoop estaria disponível para receber e ajudar os designers a desenvolver o seu trabalho».

Scoop

Durante o dia de hoje, na Alfândega do Porto, cada designer apresentará em passerelle três coordenados ou protótipos de calçado, que serão avaliados por um júri internacional especializado, composto por Adriana Rodriguez (Espanha), Lauri Kopio (Finlândia), Lily Templeton (França), Emanuela Amato (Itália), Miguel Flor (Portugal), Alban Adam (Reino Unido) e Philippe Jarrigeon (Suíça), sob a presidência de Eduarda Abbondanza.

O concurso ModaPortugal Fashion Design Competition irá hoje à noite premiar os vencedores nas categorias Melhor Coleção Geral Vestuário (2.500 €), Melhor Coleção Por País – Vestuário (2.500 € cada), Melhor Coleção Geral de Calçado (2.500 €) e Melhor Coleção Por País – Calçado (2.500 € cada).