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Modelmalhas em busca da independência

A produtora de malhas quer ser mais autónoma, em termos de produto, do grupo Diastêxtil, ao qual pertence, e exportar mais. O objetivo da Modelmalhas é equilibrar as vendas em 50%/50%, sendo que, para isso, está a regressar às feiras nos dois lados do Atlântico.

Samuel Costa

Fundada para suprir as necessidades do grupo Diastêxtil, a Modelmalhas não quer abandonar o propósito inicial, mas sim crescer nos mercados internacionais. «O intergrupo ainda é o forte da Modelmalhas, porque foi assim que a empresa foi fundada, para fornecer as outras empresas do grupo», afirma o administrador Samuel Costa.

O projeto de internacionalização começou em 2008, mas foi colocado em stand-by e retomado em 2018. «Fizemos um investimento maior no desenvolvimento da coleção – anteriormente eram os clientes que pediam e nós desenvolvíamos. Começámos a ter proactivamente uma coleção mais regular e a investir mais no desenvolvimento de fios», revela ao Portugal Têxtil.

Na coleção para o outono-inverno 2022/2023 contam-se quase 150 referências de malhas, «todas de base sustentável ou responsável, quer ambientalmente, quer em termos de produção, pelas fibras, pelas composições ou acabamentos», garante o administrador, estando as mesmas divididas em quatro categorias. «As categorias acabam por diferenciar, quer em preço, quer em qualidade e em posicionamento. Temos desde as malhas mais básicas a composições e acabamentos mais elaborados», exemplifica.

Regresso às feiras

A presença em feiras faz atualmente parte da estratégia, sendo que foi colocada em pausa no ano passado por causa da pandemia. «Fizemos um ano de ronda pelas feiras, em 2019, começámos por Nova Iorque, fizemos todas cá na Europa e depois queríamos que 2020 fosse o segundo ano, para termos uma presença consecutiva e perceber quem voltava», explica Samuel Costa.

[©Modelmalhas]
Como tal não aconteceu, 2021 é um novo recomeço, tendo a Modelmalhas já marcado presença na Milano Unica, na Munich Fabric Start e na Première Vision Paris. «Vai ser outra vez o ano zero, porque para termos algum feedback, um ano é muito curto, uma estação ainda muito mais. Precisamos de dois anos para perceber realmente se os clientes estão fidelizados, isso é importante», considera.

Com uma quota de exportação que ronda os 20%, o objetivo «seria equilibrar [a exportação com o mercado interno], num mundo ideal inverter», aponta o administrador. Mas a meta concreta é «equilibrar, não por redução do nosso lado, mas por incremento do lado da exportação. Acreditamos que seja possível aumentar a capacidade para acrescentar ao que já temos de exportação mais cerca de 30%», indica.

A Europa e os EUA são os grandes focos internacionais da empresa, que atualmente conta com um parque de máquinas de 65 teares, equivalente a uma capacidade instalada de cerca de 200 toneladas de malha por mês, sendo que recorre aos recursos da Sonix para o tingimento e acabamentos, que são complementados com alguma subcontratação para suprir necessidades.

Planos para aumentar a produção

Em 2020, a Modelmalhas sentiu uma redução do volume de negócios, que ficou à volta dos 6 milhões de euros, mas «a nossa expectativa este ano é recuperarmos esse valor e contamos ficar cerca de 10% acima do volume de negócios de 2019», admite Samuel Costa.

Em estudo está um investimento para aumentar a capacidade da empresa. «A Modelmalhas teve um projeto para mudar a empresa de sítio, íamos mudar para uma localização diferente, mas depois percebemos que traria alguns constrangimentos, íamos perder a centralidade que tínhamos face à tinturaria, por exemplo, por isso decidimos ficar no mesmo espaço», conta o administrador. «Está agora prevista a remodelação do espaço onde estamos e um aumento de cerca de 30% da área de produção. Temos o projeto, temos o estudo feito, mas estamos à espera do melhor momento para avançar», assegura Samuel Costa.

Um projeto que segue a filosofia da Modelmalhas, que «caminha para a independência do grupo em termos de produto», mas que quer, acima de tudo, ser capaz de se adaptar rapidamente às tendências e ao mundo. «Honestamente, estarmos hoje a fazer planos a mais de três ou quatro anos parece-me muito imaginário. Se até agora indicávamos o 11 de Setembro como algo que mudou o mundo de um dia para o outro, agora temos a pandemia que mostra isso mesmo. Por isso, temos que ter planos de reação e ajustar-nos às necessidades do mercado, obviamente dos nossos clientes, indiretamente do grupo, mas todo este mercado de exportação deve ser visto e acompanhado de perto e é isso que estamos a tentar fazer. E potenciar negócios fora de Portugal é importante para nós», conclui o administrador.

[©Modelmalhas]