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Modtissimo antecipa mudanças

A 55.ª edição do salão português de têxteis, acessórios e vestuário trouxe muitos compradores internacionais ao Porto para conhecerem as novidades e estabelecerem contactos com os produtores nacionais. Com a próxima edição de fevereiro já confirmada para o aeroporto, 2021 deverá, contudo, ser ano de mudança nas datas.

Russos, espanhóis, japoneses, alemães e até americanos aterraram no Aeroporto Francisco Sá Carneiro e, muitos deles, não saíram de lá até conhecerem a mais recente oferta dos produtores portugueses de têxteis e vestuário. Durante dois dias, a 19 e 20 de fevereiro, o terminal das partidas recebeu compradores internacionais mas também nacionais e os primeiros contactos de negócios foram estabelecidos.

«Fiquei surpreendido com o número de potenciais clientes da Rússia», confessa Pedro Lima, diretor comercial da Gierlings Velpor, que assume com o salão português «uma relação de amor. Se não estamos aqui desde a primeira edição, é desde a segunda», acrescenta.

Alexandra Sousa, Pedro Lima, Joana Varejão (Gierlings Velpor)

Além dos russos, o stand da especialista em veludo foi visitado por «alguns japoneses, que conheço das feiras do Japão, e que têm interesse para nós», assim como por espanhóis e portugueses.

Do outro lado do Modtissimo, na área dedicada à confeção, a Vandoma acolheu também «contactos interessantes – alemães, suíços, espanhóis e portugueses», revela Ana Lisa Sousa. A sócia-gerente da António Manuel de Sousa, que detém a marca de acessórios de pescoço, deu conta de um primeiro dia «muito bom», incluindo para o mercado nacional, que ainda representa a maioria do negócio. «Estamos bem implementados no mercado português, mas mesmo assim nesta feira aparecem sempre clientes novos e, por isso, é sempre interessante», acrescenta.

Do lado da organização, o balanço foi igualmente positivo, embora ainda provisório. «Pelos números que temos aqui no check-in, e sobretudo no registo online e pelas conversas que vou tendo com as pessoas com quem me cruzo, acho que havia alguma apreensão antes da feira, até por estas questões do coronavírus, mas acho que está a correr muito bem, nomeadamente em termos de estrangeiros.

Ana Lisa Sousa (Vandoma)

O que ouço mais dizer é que anda muito estrangeiro na feira e estamos muito satisfeitos com isso», sublinha Manuel Serrão, administrador da Associação Selectiva Moda, ao Portugal Têxtil.

Durante o salão, a organização confirmou ainda a permanência, na edição de fevereiro, no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, mantendo a edição de outono na Alfândega do Porto – a deste ano será a 22 e 23 de setembro –, mas 2021 deverá trazer mudanças. «Diria que as duas edições do Modtissimo devem ser antecipadas, seguramente. Para que dias, ainda é cedo, por estamos a ver as movimentações das outras feiras, nomeadamente a Première Vision, a Munich Fabric Start e a Milano Unica, que são aquelas com quem chocamos mais», adianta Manuel Serrão, sublinhando, contudo, que «não faremos mudança nenhuma sem consultarmos os expositores».

Nove candidatos a um iTechStyle Award

Além das propostas dos cerca de 60 expositores, divididos entre as áreas Tecidos e Acessórios, Confeção de Adulto, Confeção e Acessórios de Moda de Criança, Agentes de Tecidos e Acessórios e Serviços, o Modtissimo acolheu o iTechStyle Showcase, dividido nas áreas de produtos inovadores, tecidos técnicos e inovadores e acessórios. Entre as amostras, um júri selecionou três em cada área, que, juntamente com as selecionadas previamente, são agora candidatas a um dos prémios que vão ser entregues durante a iTechStyle Summit, que se realiza de 28 a 30 de abril.

Manuel Serrão

Na categoria acessórios, estão selecionados o Grupo Bordados Oliveira, a Envicorte e a Eurobotónia. O Grupo Bordados Oliveira apresentou, em parceria com a Brave Particle, um bordado iluminado, que descreve como «um inovador conjunto de acessórios de eletrónica que através de um processo único pode ser facilmente aplicado de forma rápida, resolvendo os problemas de eletrónica em têxtil». Já a Envicorte foi selecionada por um plissado soleil de grande dimensão, que permite a possibilidade de fazer um vestido, e a Eurobotónia distinguiu-se por botões feitos em fibra de carbono, com resistência semelhante ao metal.

Na categoria de produtos inovadores, a Brandbias destacou-se com o Jack’Obag, um casaco que pode ser transformado em saco de compras. Além do casaco, a empresa apresentou uma «t-shirt com estampado em urtiga sustentável/algodão e calças joggers em algodão orgânico». O conjunto «é non gender (neutro em termos de género) atendendo às necessidades sociais da atualidade».

Bordados Oliveira

Os outros dois produtos selecionados nesta categoria foram um casaco inspirado no lince ibérico, nomeadamente «a sua capacidade de se movimentar e adaptar a diferentes esforços, além da capacidade de se camuflar na natureza», da Impetus, e um coordenado de activewear da Estamparia Adalberto com incorporação de CBD. «É constituído por malha reciclada de alta performance que contém um acabamento patenteado com tecnologia de microcápsulas. As microcápsulas contêm canabidiol que é libertado por fricção através do movimento do corpo», explica a empresa.

Brandbias

Por último, na categoria dedicada aos tecidos técnicos e inovadores estão selecionados o Cork-a-Tex, um fio com 91% algodão/9% cortiça, um tecido com fios da Tearfil feitos com «fibras botânicas das regiões dos Himalaias e madeira de florestas sustentáveis», com uma composição 50% viscose EcoVero, 25% cânhamo e 25% urtiga, e um tecido da LMA, com «níveis excecionais de resistência a cortes, rasgos, perfurações e abrasão», que pode ser aplicado na confeção de vestuário de proteção, de trabalho, uniformes, roupas táticas, desportos motorizados e equipamentos de proteção individual, produzido em Dyneema (uma fibra polimérica 15 vezes mais resistente que o aço).