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Modtissimo mais internacional às 60

Três décadas depois da primeira edição, o Modtissimo cresceu e expandiu-se além-fronteiras, com centenas de expositores e visitantes, cada vez mais internacionais, a ocuparem a maior área de exposição de sempre. A 60.ª edição do salão português começou e acabou em festa, com a promessa de novidades para o futuro.

Manuel Serrão

Chegar às 60 edições seria, só por si, motivo de regozijo, considera Manuel Serrão, CEO da Associação Selectiva Moda, entidade responsável pela organização do Modtissimo, mas os resultados acabaram por proporcionar uma celebração ainda maior. «Eu já estava satisfeito por ser uma edição 60, acho que um salão como este chegar à sexagésima edição já é muito representativo, sobretudo com todos os anos maus que andaram no meio disto – até costumo dizer que em 2008/2009/2010 é que foi preciso aguentar e ter fibra e a indústria têxtil nunca desistiu de vir expor, mesmo quando não havia ninguém nos corredores, e a AICEP nunca desistiu de nos apoiar a tentar encontrar compradores estrangeiros. Atualmente é mais fácil», explica ao Portugal Têxtil. «Depois, durante as inscrições, vimos que enchemos o pavilhão, portanto, aumentámos – estamos em 9.000 metros quadrados, nunca ocupámos tanto espaço em lado nenhum, nem na Exponor, nem na Alfândega, nem no aeroporto, é um recorde total de área ocupada de expositores – e mais satisfeito fiquei. Agora, com estes dois dias e com a adesão que tivemos, nomeadamente de compradores estrangeiros, foi a cereja em cima do bolo. Estou muito satisfeito, faço um balanço muito positivo», assume Manuel Serrão.

Rute Madureira, Susana Almeida, Manuel Serrão, Paulo Vaz e Vânia Canha

O entusiasmo do CEO da Associação Selectiva Moda foi ainda impulsionado pelo feedback dos expositores. «Nem é o meu costume, faço normalmente um inquérito na semana a seguir, mas desta vez resolvi fazer uma volta pelos expositores ao fim do segundo dia e, de facto, tirando o calor que se sentiu, toda a gente estava esmagadoramente satisfeita com o desempenho, com a afluência, com o espaço, com a nova data… tudo isso foram mudanças e eu estou satisfeito porque eles estão satisfeitos», resume.

De Portugal para o mundo

«Ao longo dos anos tem sido bastante produtivo, tem-se notado uma grande afluência de compradores estrangeiros e mesmo portugueses», afirma Joana Correia, comercial da especialista em rendas Sanmartin, que desta edição do Modtissimo, em particular, destaca «a diversidade de países de potenciais clientes que encontramos aqui», desde Espanha à Colômbia, passando por França, Irlanda e Países Baixos.

Nuno Lemos e Joana Correia

Os Países Baixos, de resto, estiveram em destaque enquanto país convidado. «O número de compradores dos Países Baixos que veio foi notável, o maior de sempre, e a embaixadora esteve cá e disse-nos palavras muito agradáveis, pelo que só tenho que estar satisfeito», reconhece Manuel Serrão.

Cidália Senra e John Gomes

«O Modtissimo, desde que passou para a Exponor, de uma forma geral, tem evoluído para um certame ao nível de qualquer um que frequentamos lá fora. Tem as condições todas, o espaço é idílico para se concentrar aqui a indústria, tudo debaixo do mesmo teto, e tem as condições para os compradores virem, tem a proximidade do aeroporto», assegura John Gomes, diretor comercial da Modelmalhas, que acolheu muito interesse pela sua oferta de malhas por parte de clientes de várias nacionalidades. «Os portugueses foram a grande maioria pela proximidade, naturalmente. Mas também recebemos bastantes espanhóis, boas marcas espanholas, aliás, holandeses, muitos compradores do Norte da Europa, da Áustria, um japonês e um canadiano, de Montréal, que tinha acabado de estar na feira de Munique», revela.

Este comprador não foi, contudo, o único a fazer a viagem entre Munique e o Porto. «Vendi um último espaço disponível na sexta-feira [2 de setembro] por WhatsApp a um expositor que estava na Munich Fabric Start e a quem falaram muito bem do Modtissimo. Ele mudou a viagem e em vez de ir para a Suécia, meteu-se num avião para Portugal», conta Vânia Canha, project manager da Associação Selectiva Moda.

Pedro Gonçalves

A feira tem, efetivamente, atraído expositores internacionais, incluindo turcos, mas também vários produtores europeus. É o caso da Lenzing, que nesta edição esteve presente com uma série de novidades em liocel com acabamento “pele de pêssego” para vestuário e têxteis-lar, mas também «uma parceria com a embaixada da Áustria em Portugal, em que convidamos designers austríacos a desenvolver peças com tecidos e malhas produzidos em Portugal. O objetivo é chamar a atenção da moda da Áustria de que Portugal pode ser um país de sourcing», elucida Pedro Gonçalves, diretor da Lenzing para os mercados ibérico e sul-americano. Foram selecionados seis designers e o vencedor acabou a produzir peças com tecidos da Polopiqué. No rescaldo, Pedro Gonçalves classifica esta edição do Modtissimo como «muito forte, com muitos visitantes estrangeiros, que vieram fazer pesquisa de mercado de tudo – tivemos clientes a perguntar por moda, sapatos, roupa de cama, muita variedade».

Baltazar Lopes

Já na Albano Morgado, «ao contrário do que tem sido habitual, tivemos poucos contactos – também já fizemos muitas feiras, penso que seja por isso. Mas isso não invalida a nossa participação no Modtissimo», ressalva Baltazar Lopes, administrador da especialista em tecidos laneiros, que na nova coleção, seguindo a linha que tem vindo a ser implementada, aumentou a oferta de artigos 100% lã. «O destaque é a nossa linha Ecolife, que é produzida sem produtos químicos», aponta.

Estreias bem-sucedidas

Do lado do vestuário, a José Pinto Cardoso, que regressou ao Modtissimo em fevereiro depois de uma pausa nas feiras, viu a linha Active e as soluções sustentáveis que apresentou colherem sucesso junto dos compradores. «Os clientes que nos abordam, param e veem, estão curiosos e vêm à procura de serviço, porque Portugal hoje não é um país de volume, é um país de serviço», sustenta Carlos Costa, diretor comercial da empresa que detém a marca própria Pierlorenzo. «Voltamos ao Modtissimo com alegria, no fundo para mostrar as nossas novidades, mostrar realmente que estamos vivos, que não fomos exterminados com a pandemia e seguir naturalmente a dinâmica habitual da nossa atividade, que é desenvolver produtos e soluções para os nossos clientes», realça.

Carlos Costa

«O Modtissimo tem sido um certame e um palco contínuo, dos maiores em território nacional», sublinha Ricardo Maia, diretor comercial da Tricothius, empresa-mãe da marca Concreto, que admite que, do feedback que tem tido dos clientes, há prós e contras da

Ricardo Maia

mudança do certame para a Exponor. «Temos comentários de clientes estrangeiros a darem pontos positivos e negativos. Positivos porque aqui encontram muito mais facilmente a oferta total que o Modtissimo pode oferecer aos seus clientes. Por outro lado, quer queiramos, quer não, o edifício da Alfândega dotava-se de uma certa alma e carisma e, então, os clientes que visitaram o Modtissimo anteriormente, achavam, de facto, que lhe dava um selo de identidade diferente», esclarece. No entanto, salienta Ricardo Maia, «é uma feira profissional como sempre foi, a crescer e aqui estamos e estaremos».

Nas atividades paralelas à indústria têxtil e vestuário pura e dura, como a tecnologia ou as feiras, o Modtissimo mereceu igualmente nota positiva. «É uma feira que me parece ter muito resultado para a nossa atividade», adianta Fernando Vasconcelos, diretor de marketing da empresa tecnológica Mind, que nesta primeira vez como expositora apresentou as tecnologias Printed Cut e Pattern Matching.

Olga Bernardino, Filipe Cardoso e Fernando Vasconcelos

«A aposta foi ganha logo no primeiro dia. Tivemos muitos contactos novos e clientes que passaram por cá e ficaram contentes por nos verem. A nossa marca começa a ser reconhecida no mercado e este é um lugar onde não podíamos faltar», acrescenta Filipe Cardoso, gestor comercial da Mind.

Cristina Terra Motta

«É bom voltar à Exponor. Continuo a achar que este ambiente mais profissional favorece muito. O Modtissimo é sempre o ponto de encontro do sector e é onde eu encontro toda a fileira», confessa Cristina Terra Motta, representante em Portugal da Feira de Frankfurt, que organiza, entre outras, a Heimtextil e a Techtextil.

A próxima edição do Modtissimo não tem ainda data definida, mas é provável que traga novidades. Tal como Manuel Serrão tinha já adiantado ao Portugal Têxtil, os têxteis-lar deverão ser uma nova adição em breve. «Gostaríamos de crescer através dos têxteis-lar. Já tive um contacto do novo presidente da Home From Portugal para explorar essa hipótese, uma vez por ano só. Não pode ser no mesmo pavilhão, porque não cabe, mas ter aqui ao lado, nas mesmas datas, uma área para os têxteis-lar era, digamos, a ambição que eu teria agora para as próximas edições», conclui o CEO da Associação Selectiva Moda.