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Moeda única não protege Portugal da globalização

O facto de Portugal ter a mesma moeda que os seus principais parceiros europeus não reduz as dificuldades que o tecido empresarial tem ao enfrentar os mercados internacionais. De acordo com o noticiado pelo Diário Económico, o país não está imune às flutuações cambiais da zona euro, como à partida se poderia pensar. O problema da competitividade, a principal questão da economia portuguesa, segundo o Banco de Portugal, é assim mais grave e estrutural do que se pensava. Portugal irá continuar a perder quotas de mercado nos próximos anos, apesar de uma ligeira recuperação das exportações. O controlo dos custos assume assim especial importância. O que se passa é que o país está num mercado mundial cada vez mais liberalizado e onde todos os países passam a ter um efeito na procura externa à economia portuguesa, pois a concorrência é feroz. Para se ter uma ideia do que está acontecer basta olhar a economia espanhola. O parceiro ibérico representa 24,1% das exportações portuguesas. Porém, se considerarmos o padrão de especialização de cada economia e analisarmos os 21 principais parceiros espanhóis o país vizinho passa a representar apenas 15,6% das exportações nacionais. Ou seja, quando se anula o efeito concorrencial cruzado dos mercados a presença da Espanha é muito menor. Da mesma forma a China, que tem, apesar da liberalização dos têxteis, uma reduzida presença na procura externa portuguesa (0,3%), passa a ter devido a estes efeitos cruzados um impacto de quase 5%. Estes fenómenos globais de concorrência traduziram-se numa perda de quota de mercado de aproximadamente 3,6% em 2005, e 2% em 2004. Assim, o controlo de custos assume-se especialmente importante para competir lá fora. Para o governador do Banco de Portugal o tecido empresarial tem de apostar na moderação salarial. Para os próximos anos, Portugal continuará a perder quotas de mercado, embora as exportações apresentem algum dinamismo. De acordo com o Banco de Portugal este fenómeno é explicado pelo facto de o consumo mundial estar a atravessar um bom momento que puxam pela procura externa. Competitividad-preço A competitividade internacional de um país depende dos movimentos relativos dos custos ou dos preços, depois de ajustada a taxa de câmbio. Por exemplo, se os preços aumentam 2% na Alemanha e 4% nos EUA, a competitividade americana parece ter caído 2%. No entanto, se no mesmo período o dólar caiu 3%, a competitividade geral da América aumentou na realidade 1%. Este valor de competitividade pelo preço reflecte a taxa de câmbio efectiva. No boletim do Banco de Portugal, foi ainda calculado, de uma forma inovadora, a evolução dos preços tendo em conta o padrão de especialização de cada economia. Ou seja, não é apenas relevante considerar o padrão de exportações, mas os principais concorrentes desses produtos para esse país.