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Möm(e) internacionaliza-se com amor

Inspirada no «amor pela família», a Möm(e) não é cega aos problemas ambientais e sociais inerentes à indústria da moda. A sustentabilidade representa um dos valores mais vincados da marca, que procura levar o “made In Portugal” ao mercado internacional.

Inês Camaño Garcia

De um sonho que durava há 10 anos, nasceu a Möm(e), pelas mãos de Inês Camaño Garcia, que se inspirou nos próprios filhos para construir a marca de vestuário para criança, lançada em maio de 2018. «Quando tive a minha última filha decidi, [dado que] já era um sonho antigo, que agora estava na altura de tentar provar se o que queria de facto tinha viabilidade ou não. E nada melhor do que inspirar a marca nos meus filhos», conta a fundadora e CEO.

É também daqui que surge a preocupação da marca pelas questões sustentáveis. «[O meu filho mais velho] tem uma visão muito consciente dos problemas ambientais», afirma Inês Garcia. Na coleção primavera-verão 2020, a Möm(e) introduz, então, o algodão orgânico, assim como uma edição limitada de malhas tricotadas à mão, sob o conceito de upcycling. «Não fazia sentido nenhum para nós desenvolver uma coleção de raiz e comprar fio novo, quando tínhamos fio que estava ali. Então demos um novo ciclo a esse fio», revela ao Portugal Têxtil.

Por outro lado, Inês Garcia acredita que a sustentabilidade deve ser transversal a todos os aspetos de uma marca. Neste sentido, a Möm(e) trabalha com costureiras e artesãs portuguesas locais da região e procura incentivar o comércio local, subcontratando todas as fases do processo produtivo a fábricas mais pequenas nacionais e costureiras individuais, onde há mais controlo sobre os desperdícios. «É tudo português e para já tudo subcontratado. A Möm(e) não tem um ateliê de confeção próprio», esclarece.

Assim, a marca procura dar a conhecer as suas práticas de sustentabilidade e o “made In Portugal” ao mercado internacional. Com pouco mais de um ano de atividade, acumula já uma taxa de exportação que chega aos 45%. «Uma das nossas missões é levar o nome de Portugal lá para fora. Ou seja, o feito em Portugal, por pessoas portuguesas, com materiais portugueses», explica a fundadora. Inglaterra, Espanha e os países nórdicos são alguns dos mercados principais da Möm(e), que está agora «a começar a criar uma rede de retalhistas», indica a CEO, para vender os seus produtos, onde se incluem a Coreia do Sul e o Japão.

Para tal, o principal investimento da marca tem sido dirigido para feiras internacionais, que este ano já chegou aos 7 mil euros. Aliás, em julho, a Möm(e) apresentou a coleção primavera-verão 2020 no espaço New Now da Playtime Paris, projetado para expor 12 marcas de criança emergentes, em cada edição. «Achamos que nunca iríamos ser selecionados porque éramos tão pequeninos. Nós somos uma gota no oceano de tantas marcas que existem. Ficamos muitíssimo surpreendidos, mas também muito orgulhosos», confessa.

Ser para crescer

A Möm(e) conta com um total de cinco coleções lançadas, desde a primavera-verão 2018, sendo que só no início deste ano começou a distribuir para uma rede de retalhistas. Até agora, a marca utilizava a loja online para divulgar e vender os seus produtos diretamente ao consumidor final.

Sob valores que assentam na família, qualidade, sustentabilidade e justiça, Inês Garcia confirma que «a recetividade [à marca] tem sido ótima, seja do público, retalhistas, seja da imprensa», o que lhe tem valido uma evolução «em crescente». Até ao momento, a CEO assegura que a Möm(e) está uma fase ascendente, quer a nível de clientes, como em gama das coleções, «sobretudo na parte de tricôs manuais», quer no que diz respeito à rede de distribuição dos seus produtos. Apesar do negócio estar completamente concentrado» em si, Inês Garcia adianta que a sua experiência anterior na área da moda a ajudou a lançar a marca própria. «Faço a modelagem e o desenvolvimento das amostras da coleção», juntamente com «pequenos ateliês com os quais já tinha esse contacto» elucida.

Deste modo, a fundadora sente-se na liberdade de se inspirar em recordações ou experiências pessoais, assim como em familiares e amigos, para criar as peças da Möm(e). Por este motivo, atribuiu à nova coleção o nome “Ser”, dadas «as memórias que tenho da terra dos meus avos e até de estar em Lisboa com os meus avós. As coleções todas andam mais ou menos dentro das memórias de infância que tenho. E Ser é porque recordo-me de ser muito livre nessas férias que tinha com eles, lembro-me de ser e dar muito aos outros, de ser para o mundo», garante Inês Garcia.

Para o futuro, o objetivo da Möm(e) é continuar a crescer, aumentando a sua taxa de exportação, através da exploração de novos mercados e consolidação da sua presença naqueles em que está já inserida. Antes de aumentar a faturação e a produção, «tenho de conseguir implementar a marca naqueles mercados», assume a CEO.