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M&S: bye bye Portugal

O gigante do retalho britânico Marks & Spencer decidiu encerrar 38 lojas na Europa Continental , eliminando cerca de 4400 postos de trabalho, concentrando os seus esforços num «programa de recuperação claro, profundo e urgente, orientado para as actividades no Reino Unido», adianta Luc Vandevelde, o presidente do grupo.

 

A cadeia pretende deixar o nosso país entre Novembro e Dezembro, encerrando a loja no Centro Comercial Colombo e na Rua Guerra Junqueiro, suprimindo 120 postos de trabalho. Em crise desde há três anos, com perdas financeiras provocadas pelo «excesso de dimensão das lojas, elevado valor da libra e falta de força do produto», a empresa estava a estudar esta reorganização desde Outubro do ano passado, mas a decisão radical veio nos últimos dias de Março.

 

Os estabelecimentos a encerrar distribuem-se por sete países europeus, 18 em França, nove em Espanha, quatro na Bélgica, dois na Alemanha, Holanda e Portugal e um no Luxemburgo. A tentativa de diversificação fracassou.

 

O grupo transferiu para sistema de franchising 10 lojas em Hong Kong e vai vender as duas cadeias que detém nos Estados Unidos, Brooks Brothers e King Super Markets. «Criando um organização mais simples e mais concentrada, seremos capazes de nos restabelecer mais rapidamente e, em breve, de aproveitar novas oportunidades de crescimento no Reino Unido e no estrangeiro», salienta Vandevelde.

 

Mesmo no seu país de origem, o grupo vai fechar dois armazéns e interromper as vendas por catálogo. Embora a intenção seja centrar-se no Reino Unido, a marca mantém-se em 30 países com 128 lojas, em contratos de franchising. No exercício económico transacto, o grupo apresentou 4,5 milhões de contos de prejuízos na Europa continental, estimando gastar mais de 80 milhões de contos nos encerramentos a efectuar.

 

Os maus resultados no vestuário e calçado, contrastam com as boas performances no ramo alimentar e artigos para casa. Neste contexto, o presidente declarou que as prioridades estão definidas, estando prevista para Maio próximo a abertura de uma nova cadeia de pequenas lojas especializadas no segmento alimentar e, nas renovações em curso, previstos novos espaços de colecções para casa. 25 armazéns estão a ser renovados no Reino Unido, seguindo-se outros 100, até metade dos existentes neste país.

 

No entanto, o vestuário não será abandonado pois no Outono serão lançadas as novas colecções desenhadas por George Davies, fundador da Next e Geoge at Asda. «O grupo vai voltar à sua estratégia de vender apenas marcas próprias e exclusivas, para garantir aos nossos clientes a relação preço qualidade que esperam de nós», afirma Vandevelde.