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M&S em recuperação

Os retalhistas britânicos estão, na generalidade, a emergir de uma recessão profunda, mas prevê-se que as medidas introduzidas no orçamento de emergência para conter o deficit recorde, como subidas de impostos e cortes nos gastos públicos, vão prejudicar a confiança dos consumidores nos próximos meses. A Debenhams, o segundo maior grupo britânico de lojas de departamento, divulgou que o comércio se tornou mais difícil desde o dia da aprovação do orçamento a 22 de Junho, com os consumidores também a distraírem-se com o Campeonato do Mundo. A Marks & Spencer (M&S), o maior retalhista de vestuário da Grã-Bretanha, registou no trimestre que terminou em Junho um crescimento de 3,6% nas vendas para igual número de lojas. Apesar de positivo, este resultado evidencia um abrandamento, relativamente ao crescimento de 5,1% observado no último trimestre do anterior ano financeiro da empresa. Com base nos dados do início de Julho, as acções da M&S perderam 17,5% do seu valor ao longo dos seis meses anteriores, revelando um desempenho que ficou aquém do aumento de 2% registado no índice europeu Stoxx Europe Retail. O retalhista, que serve 21 milhões de britânicos por semana em mais de 650 lojas e tem ainda cerca de 300 lojas no exterior, passou por uma recessão particularmente difícil. A M&S reagiu com a introdução do segmento “Wise Buys”, de produtos alimentares com preço mais baixo, novas gamas de vestuário, como a marca “Indigo”, e a renovação da sua oferta de comércio electrónico. Considerando o mesmo número de lojas, as vendas de mercadorias genéricas no Reino Unido, que abrangem o calçado e os têxteis-lar, deverão registar um aumento de 1% a 6% no preço, tendo subido 9,1% no quarto trimestre. A venda de alimentos, na mesma base, deverá crescer entre 0,8% e 3%, tendo aumentado 1,8% no trimestre anterior. Este desempenho nos alimentos seria respeitável em comparação com as recentes actualizações da Tesco e da Sainsbury, mas lento em comparação com os números da Waitrose, posicionada no segmento superior, que foi um dos retalhistas britânicos de mercearia que mais cresceu em relação ao ano passado. Segundo os dados da Kanta para as 12 semanas até 13 de Junho, as vendas de alimentos e bebidas da M&S cresceram 3,6%. «Este foi o valor mais elevado em dois anos e o quarto mês de ganho de quota de mercado. Isto poderia fornecer novas evidências de que foi alcançado um ponto de inflexão no desempenho dos alimentos», afirmaram os analistas do UBS. «Embora não sejam tão conclusivos, os dados do ONS [Office for National Statistics] de Maio sugerem que a mercadoria geral também manteve o seu ímpeto», concluíram.