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M&S trava expansão

A gigante britânica do retalho Marks & Spencer optou por abrandar a sua expansão internacional, em resultado da turbulência económica sentida nos seus mercados prioritários, alterando os planos de crescimento inicialmente estabelecidos.

Debatendo-se com dificuldades no mercado interno, o presidente-executivo da M&S, Marc Bolland, definiu, no decorrer do ano passado, o objetivo de inaugurar 250 novas lojas no exterior nos três anos subsequentes. O objetivo era aumentar em 25% as vendas internacionais e potenciar os lucros em 40%, com o foco na China, Rússia, Índia, Médio Oriente e Europa Ocidental.

Porém, apesar do retalhista continuar comprometido com a Rússia e a China, Patrick Bousquet-Chavanne, diretor-executivo de marketing e expansão internacional da M&S, revelou à Reuters que essas metas no exterior são agora inalcançáveis, levando a uma reavaliação do ritmo de expansão a curto prazo.

«O mundo mudou, é um lugar diferente… A situação na Síria era muito diferente do que é hoje… Putin não tinha invadido a Ucrânia e a China estava a crescer a cerca de 9%», destacou. «É razoável, neste contexto, antecipar uma perspetiva diferente sobre os próximos três anos», acrescentou.

O lucro operacional internacional caiu 25% no ano terminado em março, em comparação com um aumento de 8% no Reino Unido. «Os sectores nos quais estamos não são de luxo, pelo que não assistimos à desaceleração dramática que alguns poderão ter testemunhado. Mas temos visto algum abrandamento nos números», afirmou Bousquet-Chavanne.

A M&S alterou já a sua estratégia na China. Em março anunciou a intenção de encerrar cinco lojas em cidades secundárias da área metropolitana de Xangai, privilegiando as lojas flagship localizadas nas principais cidades, assim como o segmento online, ao mesmo tempo que expande o negócio na sector alimentar em Hong Kong.

Em declarações feitas na nova loja de 5.000 metros quadrados da M&S em Bruxelas, Bousquet-Chavanne revelou que a retalhista prevê ainda a abertura de uma loja em Pequim no ano fiscal 2015/2016, mas não apresentou mais compromissos além disso. No entanto, Guangzhou e Dalian permanecem na mira da empresa. «Estamos concentrados em lugares nas principais cidades, onde encontramos uma base de consumidores de classe média-alta, onde nos vamos sair bem mesmo num contexto de desaceleração económica», referiu ele.

O diretor de marketing e expansão internacional acredita que a desaceleração chinesa irá, contudo, criar algumas oportunidades para a M&S em termos de acesso ao espaço de retalho de luxo, «porque alguns dos que se têm expandido, poderão ter de recuar ao longo dos próximos dois anos».

Bousquet-Chavanne revelou que a China foi um dos assuntos mais falados nas reuniões da M&S. Isto ocorreu apesar da empresa deter apenas 10 lojas na região de Xangai, 20 em Hong Kong e uma presença online, pelo que o país representa uma pequena percentagem do seu património internacional de mais de 500 lojas, sobretudo franchisadas.

«Creio que será um crescimento lento rumo à rentabilidade absoluta [na China] e à criação de uma base de consumidores que seja sustentável», apontou Bousquet-Chavanne.

O diretor pretende replicar o sucesso da M&S na Índia, onde detém 49 espaços comerciais em joint-venture com a Reliance Retail, aliando-se a um parceiro chinês local. «Não estabeleci um prazo para que isso aconteça, porque encontrar o parceiro certo não é algo simples. O contexto da China de hoje faz com que seja, provavelmente, uma temática um pouco mais desafiadora», afirmou.

Bousquet-Chavanne opta, também, por tomar uma postura mais prudente em relação à Rússia, onde a M&S detém 37 lojas geridas pelo parceiro Fiba, dado o abrandamento económico que se faz sentir no território. «Tivemos um plano potencialmente mais agressivo face ao que adotamos por enquanto», explicou, destacando que as inaugurações de cinco lojas foram entretanto suspensas. Porém, mostra-se confiante face ao sucesso da M&S em território russo. «Sairemos desta situação com uma posição ainda mais forte», rematou.