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Mudanças climáticas inspiram Pé de Chumbo

A Pé de Chumbo, que se destaca pela técnica secreta e pela riqueza em texturas, apresenta, para a primavera-verão 2020, uma coleção que chama à atenção para as mudanças climáticas. A marca, que exporta praticamente tudo, não deixou os tons da natureza de lado.

Na marca da designer vimaranense Alexandra Oliveira, as coleções nascem de uma inspiração e não de histórias. «Desenvolvemos sempre três temas: um de festa, um mais casual e um mais streetwear. Como fazemos três feiras internacionais, permite-nos abranger o maior número de pessoas», explica ao Portugal Têxtil.

Desta vez, a coleção para a próxima estação quente, feita com fitas de organza, tem como inspiração as mudanças climáticas, que se tornaram também o mote do desfile no Portugal Fashion, agendado para sexta-feira, 25 de outubro, pelas 22h30. «O mundo está a mudar e resolvemos chamar um bocadinho a atenção, porque a nossa coleção tem muito verde, muita natureza. Também tem vermelhos e pretos…», conta Alexandra Oliveira.

Ao som da música da dupla Rui Lima e Sérgio Martins, será contada a história de uma selva a arder que acaba por morrer. «Vamos chamar à atenção para a realidade das alterações climáticas através da história que a música vai contar. E as cores da coleção também vão contar essa história por ordem decrescente. Mostra o porquê de isto tudo estar a acontecer, porque a maior parte das pessoas não se sente culpada, mas nós somos os culpados» afirma.

Mercado em mutação

A Pé de Chumbo está disponível online, na loja física em Guimarães e na Panamar no Porto. No entanto, praticamente todos os seus artigos são para exportação. «Vendemos muito para fora. 99,9% do que fazemos é para exportação. Temos o maior número de lojas em Itália, mas vendemos mais para a Turquia, porque é para uma empresa que tem 12 lojas. Temos muito orgulho em estar lá. Vendemos para todos os continentes, pontualmente para uma cidade ou outra em vários países», revela Alexandra Oliveira.

A marca quer expandir horizontes até aos Estados Unidos, por serem «uma grande potência», mas «o showroom em Los Angeles está a pegar na coleção muito devagarinho», confessa.

Alexandra Oliveira acredita, de resto, que os próximos tempos vão ser desafiantes. «Este verão o volume de negócios diminuiu ligeiramente. É muito difícil percebermos onde temos que estar quando as coisas começam a mudar. É uma fase complicada», admite.

Marcar pela diferença

A Pé de Chumbo, que existe há mais de 20 anos, quer continuar a destacar-se pela diferença. «O que fazemos é diferente do que os outros fazem e é essa a ideia que quero passar. Nós compramos o fio e fazemos todas as peças», sublinha Alexandra Oliveira.

Com uma equipa de 20 pessoas, a produção da Pé de Chumbo é muito manual e adaptada especificamente a cada textura que pretendem construir. A técnica de produção secreta veio da preferência pelas texturas em vez das formas e resulta em peças criativas sem costuras, quase feitas em 3D. «Eu achava tudo tão igual, os tecidos eram sempre iguais… Sempre gostei de tecidos mais trabalhados e texturados. Como gosto muito de mexer, tricotar e fazer coisas com as mãos, comecei por experimentar e fazer pequenos pedacinhos de tecidos. Ia sobrepondo e cosendo. Vi que isso resultava e começamos a adaptar as máquinas para conseguirmos usar a técnica mais rápido e melhor», adianta a designer.

A marca, que divide corações – uma vez que as pessoas «ou gostam ou não gostam» –, tem conquistado sobretudo clientes «interessantes e com gosto pela criatividade e por peças diferentes», garante. Na mais recente edição dos Globos de Ouro, Ana Viriato e Catarina Miranda optaram brilharam com criações da Pé de Chumbo.