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Mudanças no consumo vieram para ficar

A chegada da pandemia alterou os hábitos de compra dos consumidores que, de acordo com um novo relatório, vão manter essas mudanças de comportamento, introduzidas ao longo dos últimos seis meses, a longo prazo.

[©Sourcing Journal]

Um recente estudo da Bazaarvoice, uma empresa tecnológica que atua no sector do retalho, revela que 39% dos consumidores a nível global adquiriram artigos de novas marcas desde o início da pandemia e que 88% planeiam continuar a comprar essas mesmas marcas no futuro.

O surto de Covid-19 tem sido sinónimo de mudança, uma vez que as pessoas se tiveram que adaptar em vários aspetos, por exemplo a compra em canais totalmente novos ou desconhecidos para os consumidores. Segundo a análise “Behavior that Sticks”, 51% dos consumidores dos EUA compraram de uma marca diferente do habitual ou até mesmo de uma marca que nunca tinham ouvido falar.

A idade é um fator que condiciona, maioritariamente, a implementação de novos hábitos de compra, com os consumidores de gerações mais novas a terem uma maior recetividade face às novas marcas. Durante a pandemia, quase 70% das pessoas com idades compreendidas entre os 35 e 44 anos experimentaram novos produtos comparativamente com os 32% registados para as pessoas com idades superiores a 65 anos.

A análise da Bazaarvoice centrou-se nos hábitos de compra de mais de oito mil consumidores dos EUA, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha e Austrália e destaca as tendências que estavam já em crescimento antes da chegada do novo coronavírus. Entre elas, o crescimento contínuo dos serviços com subscrição, o aumento da compreensão do digital, o comércio social e uma noção de comunidade, que vão continuar relevantes na relação entre marca e consumidor.

No período de quarentena, 25% dos consumidores dos EUA optaram por recorrer a serviços de subscrição, que quiseram manter mesmo depois do confinamento, com 85% a mencionarem a confiança na qualidade do produto como a razão para o terem feito. Já 48% destacaram o fácil acesso e 38% a entrega confiável e regular.

[©The Voice of Fashion]
Para as gerações mais velhas, a facilidade foi mesmo o fator crucial para terem tomado a decisão de manter os serviços de assinatura e a entrega confiável e regular foi o principal critério para os consumidores com mais de 65 anos.

«O sucesso dos serviços de subscrição reflete a rápida evolução digital que experienciamos este ano. Os consumidores mais jovens são alguns dos influenciadores mais poderosos no uso das redes sociais, que desempenham um papel importante ao permitir que os clientes partilhem experiências que dão crédito a essas marcas», afirma Suzin Wold, vice-presidente sénior de marketing da Bazaarvoice, citada pelo Sourcing Journal. «Além disso, a confiança deles nas classificações e avaliações dos conteúdos destaca a enorme oportunidade que as marcas têm de usar a voz do cliente para criar experiências de compra mais significativas, o que acaba por resultar em mais vendas e na fidelização do cliente», aponta.

Sintonia digital

Com as redes sociais a serem uma grande influência no que diz respeito à decisão de compra dos consumidores, não é novidade que estes meios continuem a ter impacto, sobretudo numa altura em que as pessoas evitam regressar às lojas.

Um relatório elaborado em abril pela Bazaarvoice vem comprovar esta afirmação, visto que 45% dos inquiridos indicaram ter comprado um produto através de uma plataforma das redes sociais, enquanto 41% adquiriram um artigo recomendado por um influenciador.

O papel das redes sociais tem uma influência crescente nos comportamentos de consumo, com uma análise recente e salientar que 51% dos millennials vão continuar a reger-se por recomendações destes canais digitais, principalmente através do Facebook, enquanto 48% assumem que vão continuar a assistir vídeos de unboxing feitos pelos criadores de conteúdo destas plataformas.

[©Medium]
«Os retalhistas e as marcas têm de estar em sintonia com as prioridades dos consumidores nos próximos meses e garantir que providenciam informações sobre a loja e sobre os produtos que suscitam confiança nos clientes», alerta Suzin Wold. «À medida que os consumidores regressam às lojas, o uso de tecnologia para ligar o online e o offline ao dar informações aos consumidores sobre o produto antes deles irem à loja vai ser crucial. Uma abordagem omnicanal não só permite uma conexão mais forte com os consumidores, como também cria uma experiência exímia», assegura.

Com a presença ativa e diária nas redes sociais e noutros canais digitais no quotidiano dos compradores, torna-se mais fácil comunicar o produto e o respetivo funcionamento aos consumidores, o que transforma a aparência num dos fatores mais importantes para as marcas e retalhistas, particularmente nos dipositivos móveis onde, durante o confinamento, 40% dos compradores da geração Z e 42% dos millennials ligaram-se a uma aplicação da marca, com 66% a utilizaram mesmo o self-service nas lojas físicas após a reabertura.

E porque os consumidores canalizam a maior parte dos tempos livres para as redes sociais, dispositivos como computadores e televisões deixaram de ter o mesmo papel para a publicidade, por serem menos eficazes a influenciar a compra de produtos, com apenas 5% dos compradores a terem sido influenciados por conteúdo visto nestes dispositivos eletrónicos.