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Mudanças radicais nos antípodas

A indústria têxtil, de vestuÁrio e do calçado australiana precisa de uma mudança radical tal como sucedeu com a indústria automóvel nos anos 80. Para Kim Carr, Ministro da Inovação, Indústria, Ciência e Investigação, a indústria precisa de esquecer a concorrência com os produtores low-cost no fundo do mercado e seguir o exemplo de outros países desenvolvidos. E dÁ os exemplos: a Alemanha, por exemplo, lidera o mundo em termos de têxteis técnicos, ao passo que a ItÁlia tem a última palavra na moda. Carr revelou que um relatório efectuado a pedido do governo, efectuado pelo Professor Roy Green, recomenda mais assistência por parte do governo para ajudar as empresas a tornarem-se mais inovadoras e competitivas. Isso vai causar algum nervosismo», disse Karr no Parlamento, em Camberra, aos representantes da indústria. Mas mantém-se o facto de que é preciso haver mais candidaturas aos financiamentos para que consigamos tirar mais proveito do dinheiro. O que estamos a propor-vos é uma profunda mudança cultural, uma transformação tão radical como a que John Button (antigo Ministro da Indústria) levou a cabo nos anos 80». A ITVC da AustrÁlia não tem uma história de tragédia e desgraça, explica o Senador Carr. é uma história de uma indústria muito criativa e de alta tecnologia com um enorme potencial. Do ponto de vista do governo, do meu ponto de vista pessoal, é essencial que aproveitemos as capacidades fantÁsticas do sector e o seu sucesso comprovado para criar novas oportunidades, novos produtos, novas tecnologias e novos mercados tudo com vista ao prémio último que é a qualidade e, claro, empregos sustentÁveis de alta-qualidade». Carr acrescentou ainda que a ITVC tem um papel importante na economia e na sociedade australiana – mas para se manter viÁvel e competitiva nos mercados internacionais, as indústrias têm de começar jÁ com esforços essenciais». Com efeito, as indústrias têxteis, de vestuÁrio e do calçado dão trabalho a mais de 48.000 pessoas, geram exportações no valor de 1,6 mil milhões de dólares e contribuem anualmente com 2,8 mil milhões de dólares para a economia australiana. O ministro olha, por isso, com optimismo para o sector e acrescenta que o relatório demonstra que podemos estar confiantes com o futuro da ITVC, se forem jÁ tomadas as decisões certas». O governo australiano pretende, assim, apostar numa indústria limpa e ecológica, centrando-se em produtos com maior valor acrescentado e elevada produtividade. O relatório Green – revelado na semana passada – contém 15 recomendações gerais para encorajar a reforma e rejuvenescimento da indústria. Entre outras, recomenda a continuação da redução de taxas para a indústria até 2015 e a substituição dos actuais programas de apoio por um novo Programa de Potencial de Inovação a partir de 2010. O relatório foi recebido com algumas críticas tanto por parte da indústria como pelos sindicatos, que consideram os apoios reduzidos. O Sindicato da ITVC da AustrÁlia mantém algumas reservas, e realça que a indústria automóvel recebeu 2,5 mil milhões de dólares em assistência ao passo que o valor proposto para a ITVC é de apenas 250 milhões de dólares. Precisamos de um tipo de assistência à indústria que assegure que as pequenas e médias empresas assim como os negócios maiores desta indústria…possam fazer as alterações necessÁrias e não apenas no sentido em que amealham ajudas e não mudam os comportamentos», explicou a secretÁria-nacional Michele O’Neil. Isso requer mais de 250 milhões de dólares entre 2010 e 2015. Isso não é um investimento significativo e suficiente por parte do governo federal».