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Mulher atrasa Gap

Com os esforços de reviravolta a encontrarem a resistência de uma economia estagnada, das promoções e do aumento dos preços dos produtos, ao mesmo tempo que os custos mais elevados com o algodão pressionam as margens, o retalhista de vestuário Gap Inc tem mais um espinho no seu percurso: o vestuário de senhora. «Se olhar para as principais categorias na Gap Inc, criança e bebé não têm comparações negativas no trimestre. Homem também não teve uma comparação negativa no trimestre. Por isso, é o nosso negócio de senhora que está a prejudicar a performance total da empresa», indicou o CEO da Gap, Glenn Murphy. Numa conferência com os analistas para discutir os resultados do segundo trimestre, Murphy revelou que «precisamos de melhorar rapidamente o nosso produto para mulher. As nossas equipas entendem que precisamos de ter óptimos produtos nas nossas lojas». Não é a primeira vez que o CEO expressa o seu desapontamento pela falta de progresso nos planos do retalhista para incluir mais artigos de moda no seu portefólio e pelo facto de os esforços de actualizar os seus produtos terem, até agora, falhado em impulsionar as vendas. Em particular, persistem problemas na sua linha epónima. «Precisamos de ter melhores performances na marca Gap», confirmou Murphy. Com efeito, em Fevereiro deste ano Murphy introduziu mudanças na equipa de gestão na América do Norte, substituindo a presidente Marka Hansen por Art Peck, antigo responsável da divisão outlet, como chefe da unidade da Gap. Estabeleceu também um Centro Global Criativo em Nova Iorque, chefiado por Pam Wallack, ex-presidente da Gap Adult North America, com a colaboração dos presidentes de divisão sediados em Londres, Tóquio, Xangai e São Francisco. O principal objectivo é melhorar a performance e executar uma visão única global para a marca Gap em todo o mundo. Mas parece que os progressos são lentos, com os produtos da nova equipa a chegar apenas às lojas na próxima Primavera. Os esforços de reviravolta do CEO estão também a ser prejudicados por aquilo que ele descreve como um ambiente económico «tumultuoso», que está a afectar particularmente o negócio na América do Norte. Fortes descontos, custos de produção mais elevados e vendas comparáveis estagnadas ou em queda em todas as divisões resultou numa diminuição de 19% dos lucros do segundo trimestre, para 189 milhões de dólares (134,65 milhões de euros), nos três meses até 30 de Julho. As vendas comparáveis desceram 2% – com um declínio de 3% na Gap North America, uma quebra de 2% na Banana Republic North America e vendas comparáveis estagnadas na Old Navy North America. «Tivemos comparações negativas em dois trimestres consecutivos e isso não é uma boa performance e está certamente abaixo dos nossos padrões», afirmou Murphy. A sua frustração é ampliada pelo facto da performance de outros retalhistas e marcas mostrarem «que há negócio no mercado americano», como referiu. Apesar das dificuldades em voltar a ligar-se com os consumidores durante a época crítica de compras de regresso às aulas, a Gap mantém as suas previsões de lucro entre os 1,40 e os 1,50 dólares por acção. Mas a directora financeira Sabrina Simmons avisou que, embora o foco no aumento dos preços marcados e promoções possa ajudar a aumentar as vendas da unidade, tal não será suficiente para contrabalançar os aumentos médios de custos, que subiram cerca de 20%. «Por isso, as nossas previsões reflectem uma pressão significativa nas nossas margens», clarificou. E Murphy acrescentou que as notícias contraditórias em relação à economia significam que «estamos a pensar que o sentimento na última metade em relação à primeira metade do ano será, na melhor das hipóteses, neutro». Mas alguns esforços de ficar mais próximos dos consumidores parecem estar a compensar – incluindo acções para acelerar o desenvolvimento do produto do conceito à loja. O percurso central foi reduzido em um terço, enquanto o “percurso rápido” tem 40% menos de semanas, permitindo ao retalhista tomar melhores decisões em termos de moda e tendências, compras de inventário e envios para as lojas. E na cadeia de aprovisionamento houve progressos, ao trabalhar mais de perto com os vendedores – e directamente com as fábricas para conseguir melhores negócios nos preços do algodão e dos fios –, para ter rapidamente os produtos desde a encomenda à loja. Há também alguma consolidação na sua base de fornecedores à medida que aumenta o seu volume como Gap Inc, oferecendo todo o negócio em vez de marcas e estilos individuais. Há também algum alívio com o preço das matérias-primas, que estão a descer dos picos atingidos no início deste ano, nesta altura das compras para a Primavera 2012. Mas Simmons avisou: «é importante lembrar, contudo, que para a Primavera 2011, o algodão estava provavelmente a 0,90 ou 0,95 dólares e que hoje está a 1,05 ou 1,10 dólares. Por isso ainda está com preços elevados em comparação com o ano passado. Esperamos certamente que quando passar um ano sobre os picos acentuados que experienciamos para o Outono e o período de festas do próximo ano, possamos ver um alívio significativo. Mas, mais uma vez, estes são tempos de volatilidade no mercado, por isso é ainda muito cedo para dizer», concluiu.