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Mulher feminina e ousada em 2021

Cores mais fortes, malhas e tecidos confortáveis, designs femininos, clássicos revisitados, funcionalidade e sustentabilidade são alguns dos conceitos que acompanham as tendências apontadas pelo WGSN para o vestuário de senhora para o outono-inverno 2020/2021.

Com uma renovada confiança nos seus corpos e nas suas opções, as mulheres vão procurar, no outono-inverno 2020/2021, vestuário que transmita a sua personalidade e gostos, quer seja através do design, dos materiais selecionados ou das cores.

Cores transmitem confiança

De acordo com o gabinete de tendências WGSN, a cor vai ser mais importante para o vestuário de senhora do outono-inverno 2020/2021, à medida que as consumidoras ficam mais confiantes e aventureiras.

Dentro da paleta de cores geral, o vestuário de senhora deverá apostar em tons ousados para vestuário formal e de festa, nomeadamente laranjas, amarelos e verde-lima, e não apenas nas malhas.

Com o foco na sustentabilidade por parte das consumidoras, vai haver uma maior procura por tonalidades que possam ser produzidas com menos prejuízo para o meio ambiente, assim como cores que se mantenham atuais mesmo depois da estação.

Os típicos tons de verão, como verde ginko, o neo-mint e o creme de limão, surgem nas coleções de inverno, e vice-versa, para criar peças que são mais flexíveis e menos ligadas a uma única estação.

O outono-inverno 2020/2021 incorpora também tonalidades neutras, mas mais coloridas. Os neutros como o camel e branco são refrescados com toques de rosa, lilás, azul ou vermelho.

Tecidos e malhas confortáveis

Os têxteis para a estação fria de 2020/2021 materializam o conceito de sustentabilidade, com materiais e processos éticos, recicláveis, amigos do ambiente e dos animais a passarem das fibras aos fios, dos corantes aos acabamentos.

Os tecidos naturais e texturizados criam uma sensação de conforto na criação de camadas próximas da pele e polares luxuosos. Tecidos jacquard, cloqué ou matelassê, com aspeto acolchoado, fazem parte das tendências apontadas pelo WGSN, assim como veludos com meio-brilho.

O real e o virtual conjugam-se também nos tecidos, com a estética de luxo tecnológico a entrar no vestuário de festa e activewear, com cores e texturas “amigas” dos ecrãs, como os desfiados e designs inspirados em imagens geradas por computador, produzidas com viscose ecológica lustrosa, seda e algodão mercerizado.

As malhas seguem os mesmos princípios dos tecidos, com um dos focos a estar no conforto, nomeadamente em jerseys “segunda-pele”, opções fully fashion, concretizadas com lã merino extrafina e caxemira, pura ou em misturas com algodão, e malhas polares, que assumem novos volumes e texturas.

Tweeds e intarsias tornam-se mais preciosas através da desconstrução de opções tradicionais, havendo ainda espaço para imitar os tecidos em malhas compactas e estruturadas, criando efeitos de teia e trama. Para visuais mais festivos, as malhas combinam brilho e elementos mate, texturas e lisos e fios finos e grossos em jacquards e rendas.

Os jacquards com estampados animais são atualizados com acabamentos e corantes de base biológica e cores fortes. As malhas com poliéster reciclado são a base ideal para transferes e estampados digitais, aponta o WGSN, enquanto o algodão ecológico, a viscose mate e os fios de poliamida funcionam melhor para malhas jacquard com um look desportivo.

Três direções de moda

Reconstructed Legacy, Tech-tility e Considered Comfort são, tal como acontece com a moda de criança e homem, os conceitos que irão inspirar os designs de vestuário de senhora.

Reconstructed Legacy é uma resposta à procura de peças desenhadas de forma responsável e pensadas para durar. Designs do passado, que repousam nos arquivos, são aplicados a silhuetas modernas. Camisolas universitárias ou de desporto são atualizadas com detalhes como decotes e bolsos e os modelos de meados do século passado, com temas retro, são reinterpretados, combinando riscas contrastantes e composições geométricas abstratas.

As noções de punk e a estética anarquista são igualmente revisitadas: o xadrez é atualizado em referência aos primeiros trabalhos de Vivienne Westwood, o kilt surge como um item essencial e o denim grafitado e com remendos regressa.

O vestuário clássico de exterior é reinventado com um toque romântico, combinando materiais tradicionais com acessórios como pérolas, e os interiores barrocos inspiram vestuário de festa, com mangas em balão e golas subidas, enquadrando-se na tendência de moda modesta.

Já Tech-tility atualiza o vestuário de senhora com um foco na funcionalidade, no futurismo e no experimentalismo, onde a estética hibrida e sobrevivente ganha destaque para uma nova era.

As construções são redefinidas e os detalhes subvertidos, com cortes abstratos e novas proporções. As costuras são expostas, emergem silhuetas surreais que funcionam como um casulo protetor e os fatos de duas peças ganham proporções angulares e abstratas.

Os designs do dia a dia não esquecem a funcionalidade, com peças modulares em camadas pensadas para atuarem e serem usadas em conjunto. Nem a lingerie escapa a esta direção, com costuras termocoladas, redução de peso e tecidos que refletem a luz para passar uma mensagem futurista.

O vestuário de noite assume a estética de uma nova era, inspirando-se em viagens intergalácticas e usando contas e plástico como o material de luxo. Padrões quase psicadélicos e superfícies dicróicas criam formas “de outro mundo” inspiradas pela ficção científica.

O conforto domina a tendência Considered Comfort. Os designs ergonómicos ganham protagonismo, com peças modulares, pregas e dobragens que transmitem movimento. Peças esculpidas celebram as formas femininas, na corrente da discussão de inclusividade, com estruturas curvilíneas que abraçam o corpo mas não o restringem.

O vestuário de senhora foi, nas últimas estações, impulsionado pelo vestuário de homem. Com a nova década, há novas abordagens ao que é ser feminina. O ballet inspira uma direção de sensualidade e elegância, com peças fáceis de usar, enquanto folhos, rendas e estampados florais criam uma história hiperfeminina.

O guarda-roupa para ficar em casa é atualizado com básicos práticos mas com estilo, que usam materiais suaves, escovados e com pelo. Silhuetas oversized, formas dramáticas e pormenores arquitetónicos são explorados em vestidos ao estilo vitoriano.

Para o vestuário de noite, o minimalismo domina, deixando de lado o brilho e os designs mais exuberantes, enquanto no vestuário de trabalho são exploradas peças elegantes, simples, mas não simplistas, que podem também ser usadas fora do escritório.