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Mulher romântica e futurista

Entre o passado, o presente e o futuro, as tendências para a primavera-verão 2021 do WGSN cruzam o lado romântico mas também a versão futurista e angular no guarda-roupa feminino. A sustentabilidade reflete-se nos tecidos e as malhas assumem um brilho especial.

Iris Van Herpen

Filmes como The Matrix e Bladerunner dão o mote para o vestuário quotidiano das mulheres que trabalham fora de casa, fundindo elementos do sportswear com o vestuário formal, como fatos justos ao corpo com gabardines compridas e superfícies com aparência de borracha.

O romance não desapareceu, mas deu lugar a silhuetas mais estruturadas, estampados digitais e decorações com cristais para um look vanguardista, e as flores, que recentemente assaltaram as passerelles, regressam mas numa versão mais surrealista e fotográfica. As transparências, quase líquidas, ganham importância em cores digitais, as formas adquirem volume e o kitsch pop volta em força, como se o pós-modernismo se tivesse juntado com a pop art.

Numa direção terra-a-terra – agregada no conceito HomeSpun, que é também comum a homem, criança e activewear –, o vestuário formal adota tecidos mais rústicos e naturais, em fibras como linho, algodão orgânico, cânhamo e juta, e uma paleta de tons neutros, num hino ao conceito de sustentabilidade que envolve também a reutilização de matérias-primas, que dá origem a trabalhos de patchwork. Os padrões geométricos, com um toque artesanal, têm igualmente lugar, o mesmo sucedendo aos azulejos, cujos motivos saem das fachadas das casas para criar peças únicas.

Lidija Kolovrat

A feminilidade traduz-se em folhos e rufos, relevantes especialmente para vestidos de noiva e vestuário de festa. Já em modo de férias, as cores, texturas, a cultura rica e o clima exótico da Indonésia inspiram a roupa estival, com foco em têxteis de aspeto artesanal, estampados shibori, riscas e cores terra com pinceladas de laranja-papaia.

O futurismo surge ainda numa direção mais distópica, com a ideia de “sobrevivência” a invadir a moda feminina, onde a estética arquitetónica e dos automóveis infunde as silhuetas e técnicas como o corte a laser possibilitam experiências com estruturas 3D em vestidos e outerwear.

Surge também uma nova onda no upcycling que se centra em dar nova vida aos plásticos e materiais marítimos – a Marks & Spencer, por exemplo, está a testar blusas com tecido fabricado a partir de algas e restos de conchas. O mar, nomeadamente o fundo e a vida marinha, inspiram estampados, e as suas profundezas e ondas surgem traduzidas em pregas delicadas e silhuetas diáfanas em vestuário de festa. Já a arquitetura dá o mote para silhuetas estruturadas, especialmente no vestuário formal, que assume ombros mais largos.

Tecidos ecológicos

Os lisos com brilho, como os algodões acetinados, o liocel e o bambu, conferem fluidez elegante ao vestuário, sobretudo para tops, vestidos e roupa interior, mas também sportswear. As texturas refletem a tendência artesanal e de reutilização de materiais, os motivos autênticos com raízes noutras culturas criam designs confiantes e expressivos e os xadrezes tradicionais, como os tartans e quadrados grandes, são refrescados com cores néon artificiais. Os tecidos sustentáveis e com fibras naturais, como linho puro e composições com cânhamo e algodão, por exemplo, são usados para criar básicos elevados, fundamentais para criar um guarda-roupa minimalista e ecológico.

Somelos

Nesta direção minimalista, as riscas são discretas, em tons suaves e materiais como seda e algodão, criando contrastes subtis, e os estampados vão beber inspiração ao passado, com tecidos vintage a atualizarem os xadrezes casuais e a criarem um look bucólico, como o proposto pela Somelos Tecidos. As algas apresentam-se como uma alternativa aos materiais sintéticos para originar peças leves. Já os tecidos para o vestuário formal recebem acabamentos funcionais e mais técnicos, que aumentam o conforto e a impermeabilidade, assumindo ainda um brilho ligeiro, graças à utilização de algodão mercerizado.

Malhas brilham

Jacquards e estampados em padrões animais abstratos e digitalizados fazem parte das opções. A tendência nas malhas usa também riscas ousadas, que conferem movimento graças a efeitos irregulares. Fios estampados, flammé, space-dye e torcidos, em linho, seda, algodão, viscose ou poliéster reciclado estão em foco para criar malhas leves com riscas semitransparentes. O verão traz igualmente malhas duplas para vestuário mais técnico, como casacos de outerwear e leggings, com propriedades funcionais como antibacterianos e acabamentos texturizados, como sugere a Tintex.

Tintex

Numa direção mais minimalista, o xadrez é inspirado pela familiaridade e conforto do lar e os florais são desbotados como se de uma aguarela se tratasse. As pregas dominam as malhas, com estruturas tridimensionais a conferirem um volume feminino às peças. As construções leves e delicadas, como as que fazem parte das propostas da Familitex, dão uma nova vida às malhas, graças à utilização de ribs simples e piqués, combinados com estruturas mais abertas ideais para aplicação em leggings, bodies e t-shirts. O brilho lunar em malhas para athleisure, que faz parte das referências da Lurdes Sampaio, as rendas muito trabalhadas, os toques metálicos e as transparências também ditam as tendências para as malhas da estação.