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Mulheres ao trabalho

A integração de mais mulheres no mercado de trabalho nos países do sul da Ásia pode trazer benefícios económicos e sociais à região, segundo o Banco Mundial, num percurso de desenvolvimento onde a indústria têxtil e vestuário deverá ter um papel central.

A indústria têxtil e vestuário do sul da Ásia pode criar milhões de postos de trabalho para as mulheres em idade ativa da região, impulsionando o crescimento económico e melhorando para a saúde e educação das crianças, segundo um estudo do Banco Mundial.

A indústria é já a indústria que usa mais mão de obra feminina na região. As mulheres constituem 71% da força de trabalho no Sri Lanka, 35% na Índia e 34% no Bangladesh. No Paquistão, a quota de mulheres trabalhadoras está em segundo lugar, a seguir à agricultura.

«O sul da Ásia necessita de criar empregos em indústrias de trabalho intensivo onde goza de uma vantagem comparativa – como o vestuário – para empregar a crescente juventude e atrair mais mulheres para a força de trabalho», aponta o estudo divulgado no final de abril. «As famílias do sul da Ásia com mulheres a trabalhar, sobretudo no sector têxtil e vestuário na Índia e no Paquistão, tendem a ter menos crianças em média», indica.

Os salários mais elevados na China, o maior exportador mundial de vestuário, estão a levar as marcas internacionais a procurar alternativas mais baratas em países como o Bangladesh, Índia, Paquistão e Sri Lanka.

O sul da Ásia está mais bem colocado para atrair os negócios com os seus salários mais baixos e crescente população jovem, apesar dos recentes desastres industriais que levantaram questões sobre segurança e as condições de trabalhadores nestes países.

A indústria emprega cerca de 4,7 milhões de pessoas no sector formal e vários milhões mais informalmente, representando cerca de 40% do emprego na indústria na região. A sua capacidade de atrair mulheres sem qualificação ou com pouca qualificação é particularmente importante, já que o sul da Ásia tem uma das taxas mais baixas de participação das mulheres na população ativa no mundo, com cerca de 32%, em comparação com 62% da Ásia Oriental, revela o estudo.

Mais trabalho, menos crianças

Países com uma maior participação das mulheres na população ativa geralmente têm casamentos mais tardios, menos filhos, melhor nutrição e presença na escola e um maior produto interno bruto (PIB), segundo o Banco Mundial.

«O sector do vestuário oferece um ponto de entrada no mercado de trabalho promissor e realista para as mulheres, graças a um salário mais elevado comparado com a agricultura», explica o relatório. «À medida que as exportações de vestuário aumentam, a crescente procura de trabalho feminino tira as mulheres da agricultura e de outros sectores informais», acrescenta.

Os salários médios na indústria variam de 0,51 dólares (0,45 euros) por hora no Bangladesh a cerca de 1,06 dólares na Índia, em comparação com 2,60 dólares na China, segundo os dados de 2012 compilados pelo Banco Mundial.

Com a produção a aumentar para responder à crescente procura e a gerar a expectativa de uma subida de 1% nos salários, há uma maior probabilidade das mulheres integrarem a população ativa, que ascende a 16% no Paquistão e 89% no Sri Lanka, estima o Banco Mundial.

Apesar do grande número de mulheres que a indústria emprega, contudo, as mulheres trabalhadoras não têm voz e representação no Bangladesh, o maior exportador da região em valor. A capacidade regulatória é também fraca no Bangladesh, embora o escrutínio tenha aumentado após o acidente do Rana Plaza.

Três anos depois do desastre que matou mais de 1.100 pessoas, os direitos e a segurança dos trabalhadores na região estão a ter mais visibilidade, mas o progresso a resolver os problemas na cadeia de aprovisionamento é lento, afirmam os especialistas e ativistas.

Na Índia, o cumprimento está limitado no sector informal, onde a maioria dos trabalhadores estão empregados. As horas extraordinárias são um problema sério e o trabalho infantil é comum, com informação também de exploração e assédio sexual às mulheres.

Além disso, a região enfrenta uma crescente concorrência dos países do sudeste asiático, incluindo o Camboja, Indonésia e Vietname.

Mas com um controlo mais rigoroso, melhores salários e produtos de valor acrescentando, a indústria têxtil e vestuário do Sul da Ásia pode manter a sua vantagem competitiva, aponta o estudo. «Tendo em conta que muita da produção de vestuário continua a ser de trabalho intensivo, o potencial para criar mais e melhores emprego é imenso», conclui.