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Mundotêxtil aposta em fibras emergentes

A empresa especializada na produção de felpos desenvolveu, em parceria com a Fibrenamics, toalhas com fibras alternativas ao algodão, como, por exemplo, aloé vera. Com um aumento na quota de exportação, a Mundotêxtil registou em 2021 o seu melhor ano de sempre.

Ana Vaz Pinheiro

Imagine que tem uma toalha de felpo feita em 100% aloé vera com propriedades hidratantes e cicatrizantes e até pode ser usada como desmaquilhante – foi exatamente isso que a Mundotêxtil criou. Num projeto desenvolvido com a Fibrenamics, que desvendou na edição especial da Heimtextil, a produtora de têxteis-lar estudou uma «série de fibras que depois resultaram em três toalhas, que achamos que eram as mais vendáveis» revela Ana Vaz Pinheiro.

Além da toalha com fibra de aloé vera, «temos a que é feita com algodão reciclado 50% e 50% dos nossos desperdícios pré-consumo e outra desenvolvida com uma mistura de bambu, liocel e cânhamo», adianta a administradora ao Portugal Têxtil.

A empresa quer, com estas fibras alternativas ao algodão, ter opções mais sustentáveis, mas similar comportamento mecânico, durabilidade, solidez à cor, absorção e resistência à lavagem, apesar de ter noção que «o core da matéria-prima no nosso produto é o algodão e é impossível mudarmos isso de um dia para o outro», salienta Ana Vaz Pinheiro.

Também os reciclados têm ganho uma importância crescente na Mundotêxtil, sendo que 10% da produção do ano passado foi feita com material reciclado, sobretudo poliéster reciclado. «Para alem dos nossos clientes nos estarem a pedir cada vez mais este tipo de alternativas, principalmente na parte dos desperdícios internos, eu acho que é muito importante que consigamos fazer alguma coisa à quantidade de lixo que geramos e se pudermos incorporar isso num produto, ótimo», afirma a administradora.

Responsável por 25% das exportações portuguesas de felpos

Considerada a maior empresa de felpos da Europa, a Mundotêxtil teve um crescimento exponencial em 2021, tendo sido responsável por 25% das exportações portuguesas de felpos. «Aumentámos a nossa quota nos mercados onde estamos presentes e isso deveu-se a vários fatores. Primeiro teve a ver com o facto de possuirmos uma carteira muito vasta de clientes, que nos permitiu gerir muito bem os altos e baixos, enquanto uns estavam em baixo, outros estavam em alta. Depois, os nossos clientes são realmente muito grandes e durante a pandemia tinham uma boa cadeia de abastecimento em termos de internet e de logística» explica Ana Vaz Pinheiro, que aponta Itália, Inglaterra, Israel e os países nórdicos, sobretudo a Noruega, como os mercados com maior crescimento.

Também a forma como as indústrias ou empresas se comportaram durante a pandemia refletiu-se no volume de negócios do ano passado, segundo a administradora. «Nós, enquanto empresa, gerimos muito bem a questão da pandemia sem grandes pânicos, sem haver atrasos nas encomendas, muitas vezes com encomendas canceladas, mas a passarmos segurança aos clientes até porque eles já estavam a gerir o stress da pandemia. A nossa postura levou-nos a colher os frutos posteriormente (…) Mas é claro que o facto da cadeia de abastecimento estar completamente estrangulada, a falta de segurança, o preços dos transportes da Ásia para os países compradores, sobretudo na Europa, tem muito a ver com o facto de eles terem deslocalizado. Por exemplo, havia coisas que não conseguiam comprar. Tinha clientes meus que compravam móveis na China e gastavam o budget todo no preço dos fretes dos contentores. Pagavam aos 100 mil dólares. Por isso tivemos essa vantagem na Europa», considera.

Com 600 trabalhadores e presença em 42 mercado, a Mundotêxtil atingiu, em 2021, o maior volume de negócios de sempre: 55 milhões de euros. «Normalmente andamos entre os 35 e os 40 milhões de euros. Por isso, tivemos um bom ano para o sector. Crescemos quase 47% face a 2020», reconhece Ana Vaz Pinheiro.

Apesar de sentir já um abrandamento em alguns países da Europa, a empresa prevê fechar o ano em linha com o anterior. «Até maio crescemos mais de 30% em relação ao mesmo período do ano passado», admite a administradora da Mundotêxtil.