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Mundotêxtil revoluciona felpos

Nada será como antes para a roupa de banho depois da coleção para 2018 apresentada pela maior produtora de felpos da Europa, a Mundotêxtil, na maior feira de têxteis-lar também do Velho Continente, a Heimtextil.

Uma árvore imponente assinalava o local exato do stand da Mundotêxtil na Heimtextil, um espaço onde a especialista em felpos regressou ao passado para melhor construir o futuro, com uma coleção que foi toda uma declaração de boas intenções, apropriadamente intitulada “Statement Collection”. «O primeiro impacto não é o produto quando as pessoas passam e olham, é o stand. Por isso, temos cuidado ao escolher um tema e, desta vez, escolhemos “Back to the Past”, que destaca a natureza, a sustentabilidade, o verde, a madeira», justifica a administradora Ana Pinheiro. A própria coleção é muito baseada «no orgânico, na ecologia, na economia circular», aponta.

Deste modo, as novas propostas apostam forte em matérias-primas naturais, como o algodão ou o linho, e quando não-naturais, privilegiam materiais mais amigos do ambiente, como o liocel ou até mesmo fios reciclados de desperdícios. É o caso das toalhas produzidas com o fio Ecotec da fiação italiana Marchi & Fildi. «A estratégia de desenvolver felpos mais responsáveis faz parte do nosso compromisso em melhorar a pegada ecológica nos produtos e processos», esclarece Ana Pinheiro. O fio “inteligente” da produtora transalpina é obtido através de um processo certificado, rastreável e transparente que utiliza até 80% de desperdícios de algodão pré-tingido e pré-consumo, permitindo poupar, segundo o estudo de avaliação do ciclo de vida, até 56,3% nas emissões de dióxido de carbono, 56,6% no consumo de energia e 77,9% no consumo de água.

Mas a grande novidade foi uma toalha jacquard a seis cores, que suscitou mais do que uma peregrinação ao stand, tanto por parte dos compradores como dos concorrentes, para olhar para crer. «Foi um projeto que andamos a desenvolver durante o último ano com a parte técnica, comercial, toda a gente esteve envolvida. É um mundo novo e somos os primeiros a apresentar algo assim», revela Ana Pinheiro ao Jornal Têxtil. «Estamos todos orgulhosos da coleção porque realmente é diferente do que se vê por aí. Acho que para uma feiras destas é isso que devemos trazer, para mostrar as nossas capacidades», afirma, por sua vez, a administradora Helena Pinheiro.

Esta nova coleção é o culminar de todas as mudanças que a Mundotêxtil tem vindo a empreender no layout da empresa e na cadeia produtiva para melhor responder às necessidades atuais do mercado, tal como anunciava ao Jornal Têxtil há exatamente um ano atrás. «Temos em curso um investimento de cerca de 4 milhões de euros e já executámos 2 milhões e meio. Estamos agora a acabar a remodelação da tecelagem e também da confeção. A seguir planeamos remodelar a tinturaria de fio», adianta Ana Pinheiro.

Em 2017, a especialista em roupa de banho ultrapassou a barreira dos 600 trabalhadores e acabou o exercício com um volume de negócios na ordem dos 43 milhões de euros. «Foi um ano de crescimento moderado e de aumento das margens», resume Ana Pinheiro, que antevê um 2018 «complicado, mas acho que as pessoas estão otimistas e o trabalho que temos desenvolvido nos últimos anos vai repercutir-se nos resultados».

Com exportações para mais de 40 países nos 5 continentes, a Mundotêxtil está apostada em encontrar destinos alternativos àqueles que mais pesam nas suas vendas, a Europa e os EUA. «É preciso arranjar alternativas aos mercados que já estão saturados. Não vejo nenhum crescimento na França, no Reino Unido… Por isso há que continuar a procurar», reconhece Helena Pinheiro, que aponta «o Japão, Coreia do Sul e África» como mercados com grande potencial.