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Museu Industrial e Artesanal Têxtil conta história da lã

O MIAT foi oficialmente inaugurado no passado dia 18 de maio em Mira de Aire. O distrito de Leiria recebe, assim, um espaço que pretende, nas palavras do fundador, José Paulo Baptista, recordar a importância da lã e de quem a trabalha.

A criação do Museu Industrial e Artesanal Têxtil (MIAT) nasceu de um sonho antigo de José Paulo Baptista, um empresário do sector do turismo com ligações familiares à indústria têxtil e vestuário, que quis recuperar as memórias desta indústria na região ao contar a história da lã e do sector dos lanifícios neste formato.

As instalações do MIAT ocupam cerca de 900 metros quadrados da antiga unidade fabril D. Fuas, fundada em 1933, rebatizada posteriormente Tapetes Vitória. José Paulo Baptista criou o museu como uma iniciativa privada depois de a ter adquirido e recuperado para este propósito. O novo espaço de exposição consagrado ao têxtil, que abriu portas ao público no dia 19 de maio, apresenta várias coleções referentes ao período de atividade da antiga fábrica de tapetes, como a maquinaria, e outros equipamentos industriais que José Paulo Baptista foi reunindo ao longo dos anos.

Além de ilustrar a história do sector, o museu vai também atuar como palco de vários eventos, como o lançamento de livros ou mostras temporárias. «A indústria de lanifícios em Mira de Aire e Minde é praticamente inexistente. Ainda há algumas fábricas, mas foi bastante afetada pelos artigos que vinham da Índia e da China. As carpetes e tapetes produzidos na Ásia são muito mais baratos, o que acabou com a indústria na nossa zona e também no país, como são os casos da Covilhã e de Castanheira de Pera», afirmou o empresário à agência Lusa, destacando o declínio da indústria registado em Mira de Aire, com o encerramento de diversas fábricas.

«O sonho antigo» de José Paulo Baptista, aliado ao gosto por visitar museus da indústria de lanifícios e têxteis em geral, tornou-se palpável juntamente com o objetivo de homenagear «todas as pessoas que trabalharam nesta indústria». O Museu Industrial e Artesanal do Têxtil pretende «dignificar a memória das gerações que fizeram de Mira de Aire e Minde um dos maiores polos da Industria têxtil de Portugal durante o Século XX», refere o MIAT no website, onde também convida os visitantes do museu a contemplarem o turismo local. «Vamos ter visitas sobretudo de escolas e de universidades seniores, aproveitando o fluxo turístico de Fátima e das grutas», revelou o empresário.

Os equipamentos têxteis atualmente expostos no MIAT, com caracter permanente, são acompanhados por painéis informativos que elucidam os visitantes sobre a utilização da lã na produção de mantas, carpetes, fazenda e malhas.

Na sala onde se localizava o antigo berçário da Fábrica de Tapetes Vitória foi colocada uma instalação audiovisual para que as pessoas possam entender melhor as diferentes fases do processo de transformação da lã, cujo vídeo que retrata a tosquia, lavagem, tinturaria, cardação, penteação e tecelagem. O espaço propõe ainda a mostra “Assim se trabalhava a lã”, com 170 miniaturas que retratam as várias etapas, desde a tosquia ao produto acabado.

O MIAT, que teve um investimento associado de cerca de 700 mil euros, criou já dois postos de trabalho e está aberto ao público de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas. Na atual fase de distanciamento social, o museu pode acolher um máximo de 17 visitantes, um cenário que pode alterar-se em função da evolução da pandemia de Covid-19. O bilhete de entrada tem um custo de cinco euros para adultos e três euros para estudantes e séniores.