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Mutação das passerelles

De modelos a desfilar em museus vazios a designers ausentes do calendário, as semanas de moda para o outono-inverno 2021/2022, de Paris a Nova Iorque, assumiram um novo visual, digital, que muitos esperam que perdure quando os desfiles tradicionais regressarem.

[©Rebecca Minkoff]

As restrições impostas pelo Covid-19 forçaram as semanas de moda de Nova Iorque, Londres, Milão e Paris a tornar-se virtuais no ano passado, com as marcas a repensarem como manter online a efervescência habitual dos desfiles de moda.

Embora muitas se mostrem otimistas face ao retorno dos eventos geralmente frequentados por compradores, editores e personalidades, as apresentações digitais – que abriram as semanas de moda a um público mais vasto –vão provavelmente manter-se. «O digital é, absolutamente, algo que vamos continuar a ver», afirma a diretora-executiva do British Fashion Council, Caroline Rush, à Reuters.

Apesar dos desfiles em streaming não serem novidade, a pandemia acelerou a mudança numa indústria que, nos últimos anos, tem usado as redes sociais para chegar a públicos mais jovens. Algumas marcas, como a Gucci e a Tommy Hilfiger, ficaram fora da semana de moda nesta estação. Já a Versace decidiu apresentar a coleção depois da semana de moda de Milão, a sua montra habitual.

«Vamos ver desfiles físicos dessas marcas muito grandes, que podem investir em eventos de entretenimento multimilionários. Mas eles podem não ser durante a tradicional semana da moda e podem ter um público composto principalmente por clientes», acredita Lauren Sherman, correspondente-chefe do The Business of Fashion. «Houve uma verdadeira mudança no equilíbrio de poder, que estava já a acontecer… Há agora, contudo, a prova da ideia de que se quiser ignorar a semana de moda, provavelmente isso não vai prejudicar os seus resultados financeiros», acrescenta.

Face à impossibilidade da concretizar os tradicionais desfiles de moda, a maior parte das marcas transmitiu vídeos pré-gravados numa plataforma da própria semana de moda. Para o outono-inverno 2021/2022 há uma forte aposta em cores vivas para levantar a moral de um sector que viu estúdios, fábricas e lojas fechados na sequência da pandemia.

«Uma grande parte da semana de moda fora dos desfiles era a comunidade a reunir-se e a alimentar-se dessa criatividade e, assim, não é a mesma coisa», constata Rebecca Minkoff, uma das poucas designers a realizar uma apresentação ao vivo em Nova Iorque. «No entanto, para aqueles que são capazes de ser criativos e inovadores, agora é hora de descobrir como fazer e para quem o souber, creio que há uma grande oportunidade», considera.