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Na pista do sucesso

Fundada em 1991, a Scoop mudou a sua estratégia em 2001, altura em que se vocacionou para o vestuário técnico. «Entendemos que era o caminho a seguir em termos de têxtil nacional e especializámo-nos no vestuário de ski», destaca a diretora-geral, Mafalda Pinto. Um caminho que já levou a empresa a “descer” montanhas e cruzar oceanos, equipando alguns dos participantes em eventos desportivos de renome. É a Scoop que produz os fatos de snowboard para a Federação Italiana da modalidade, equipou as equipas olímpica e paralímpica da Rússia nos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi 2014 ou ainda, num projeto ainda em desenvolvimento, prepara-se para vestir os milhões de fãs da principal liga de futebol americano, a famosa NFL, com produtos feitos em Portugal especificamente para celebrar, em 2016, os 50 anos do Super Bowl – o evento mais importante da competição, que, além dos espetadores no estádio, é visto por 111,5 milhões de pessoas (números de 2014). A empresa, que colabora regularmente com o Citeve – está inclusivamente a participar no desenvolvimento de uma linha técnica de golfe, com blusões que incorporam bandas de aquecimento –, desenvolve também produtos inovadores, como o blusão para equitação com airbag incorporado, que a Scoop está a trabalhar para adaptar a outras áreas, como o motociclismo, ou o blusão com incorporação de Leds para uma equipa de salvamento em montanha. «No fundo não são produtos para vender em volume, mas são produtos que nos vão dar a diferenciação que procuramos», justifica. Esta capacidade de diferenciação já permitiu chegar a marcas reputadas, como a Quicksilver ou a Rossignol, que procuram o know-how acumulado na arte de produzir vestuário técnico de alto valor acrescentado, a que se soma, segundo a diretora-geral, os trunfos nacionais: «a flexibilidade nas quantidades e uma mão de obra muito especializada». Para «combater a sazonalidade do têxtil técnico de inverno», a empresa, que faturou no ano passado mais de 7 milhões de euros, alargou a sua oferta a vestuário corporativo para bombeiros e polícias, onde trabalha com o El Corte Inglés, artigos de merchandising, vestuário de ténis (tendo sido responsável pela criação dos equipamentos de Wimbledon em 2014) e roupa interior, de banho e de dormir – onde tem como cliente a Tommy Hilfiger. «Fizemos ainda, em 2014, um blusão para os cocheiros da Rainha da Holanda», indica. A Europa é o principal mercado da Scoop, que exporta 100% da sua produção, nomeadamente para Holanda, Reino Unido, França e EUA. «No ano passado também exportámos para a China, Índia, México, Panamá, Coreia e Japão», aponta a diretora-geral. Tudo isso sem nunca ter posto os pés numa feira. «Nunca tivemos presença em feira nenhuma, nunca fizemos publicidade, nunca tivemos uma brochura e fizemos um website há dois anos atrás. Para mim, só existe uma forma de trabalhar neste negócio: o passa a palavra», acredita Mafalda Pinto. O segredo é, por isso, manter os clientes satisfeitos e crescer com eles. «A estratégia da empresa não passa por novos clientes, passa por desenvolver mais produtos para cada marca, explorar os clientes existentes», refere. Neste momento, a principal dificuldade da Scoop, que emprega 65 pessoas, é a falta de costureiras, tendo 15 postos de trabalho em aberto. «70% do que fazemos subcontratamos – temos cerca de 30 empresas subcontratadas. Gostaríamos de ter internamente algumas das produções que subcontratamos, essencialmente no vestuário técnico. Em primeiro lugar, por questões de custos – exige equipas na rua – mas também porque gostaríamos de controlar totalmente o processo», esclarece a diretora-geral, que tem já dentro de portas a conceção, desenvolvimento de produto e de protótipos, corte e duas «pequenas» linhas de confeção. Esta dificuldade em encontrar mão de obra foi manifestada ao presidente da Câmara Municipal de Famalicão, Paulo Cunha, que visitou ontem a empresa no âmbito do roteiro “Famalicão Made In” – uma iniciativa da edilidade para promover o desenvolvimento económico do concelho. «O têxtil está forte, dinâmico e vivo no concelho», acredita Paulo Cunha, que considera que a Scoop é um dos «exemplos de excelência».