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Na rota da confeção – Parte 2

Conforme foi analisado na primeira parte deste artigo (ver Na rota da confeção – Parte 1), tudo indica que o sector de vestuário na Birmânia irá crescer ao longo dos próximos anos, à medida que o país avança com o seu processo de reformas. Mas ainda existe um longo caminho a percorrer e existem diversos desafios pela frente. O Japão tem-se movimentado um pouco mais rapidamente na expansão dos laços económicos entre os dois países. Em fevereiro de 2012, funcionários em Tóquio revelaram que o Japão pretende entrar em negociações oficiais com a Birmânia num acordo bilateral de investimento. O acordo irá facilitar a realização de negócios na Birmânia por parte das empresas japonesas. A Japan External Trade Association (JETRO) e a Myanmar Garment Manufacturing Association têm trabalhado em conjunto ao longo dos últimos anos para melhorar a qualidade do vestuário produzido nas fábricas japonesas localizadas em território birmanês. Enquanto isso, o Japão é atualmente o maior cliente de vestuário da Birmânia, com as exportações de 243 milhões de dólares a representar uma fatia de 34% do total das exportações setoriais (para o ano fiscal de março de 2010 a março de 2011), de acordo com a Myanmar Business Network, referindo que este era um aumento de 30% face ao ano anterior. Alemanha, Espanha e Coreia do Sul também são grandes clientes. De acordo com o “Guia de Exportação para o Japão 2011 (produtos e materiais de vestuário)”, publicado pela JETRO em março de 2011, 7,8% das importações do Japão de calçado de couro em 2010 têm origem da Birmânia, um valor que tem vindo a aumentar desde 2006. Esta quota correspondeu a 73 milhões de dólares ,ou seja, cerca de 20 dólares por par. No mesmo ano, a Birmânia representou 1,7% das importações do Japão de calçado de desporto, no valor de 8 milhões de dólares. O Japão pode ser o maior destino das exportações, mas a Birmânia representa uma pequena proporção nas importações japonesas de têxteis e vestuário, aparecendo apenas sob a categoria “outros” nas estatísticas do ministério das finanças em Tóquio. O comércio europeu também ajudou a desenvolver o sector do vestuário birmanês. A União Europeia (UE) manteve um regime de comércio muito mais aberto com a Birmânia do que os EUA, mas as importações de têxteis e vestuário para a UE caíram significativamente nos últimos anos. Segundo a Comissão Europeia, em 2006, a UE importou 210,4 milhões de euros em produtos de vestuário da Birmânia, o que representou um aumento de 68,7% nas importações. No entanto, em 2010, as importações de vestuário caíram para os 134,5 milhões de euros. Em termos das importações da UE em geral, o setor de vestuário da Birmânia em 2010 representou apenas 0,2% das importações destes produtos. Apesar de estes números pequenos no comércio, o setor de vestuário deverá tornar-se de futuro num ator relevante na economia subdesenvolvida da Birmânia. Em 2010 e 2011, os jornais birmaneses informaram que o número de fábricas de vestuário aumentou de aproximadamente 120 para 200. O crescimento económico previsto no país e o baixo custo da mão-de-obra são vistos como vantagens para as empresas estrangeiras. Uma pesquisa realizada em 2011 pela JETRO, intitulada “Análise comparativa de custos relacionados com o investimento nas 31 principais cidades e regiões na Ásia e Oceânia”, colocou o salário médio mensal de um trabalhador geral em Yangon nos 41 dólares por mês, o mais baixo entre os países analisados. Um relatório de 2011 pela agência de notícias Mizzima divulgou que o salário médio de um trabalhador numa empresa de vestuário tinha aumentado para cerca de 80 dólares. A Birmânia também possui diversas desvantagens. Apesar de ter tomado medidas no sentido de implementar reformas políticas, o país ainda possui um longo caminho a percorrer para melhorar o atual sistema político e melhorar efetivamente a vida dos seus habitantes. É um dos países mais pobres da Ásia e tem infraestruturas que não são fiáveis. A escassez de energia e os apagões são comuns e as linhas de telefone e de Internet não funcionam muitas vezes. Mas, se forem efetuados os investimentos necessários para amenizar estes problemas, a Birmânia poderá vir a ser uma nova referência como país fornecedor de têxteis e vestuário.