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Na rota da internacionalização

A terceira geração da família que fundou e gere a Malhas Ribeiro & Silva está a impulsionar uma mudança de estratégia, onde os mercados externos ocupam um lugar de destaque. A presença em feiras internacionais está no horizonte, onde se perfila ainda o desenvolvimento de uma coleção e até de uma marca própria.

Nos primeiros anos de existência, a Malhas Ribeiro & Silva, fundada por Augusto Ribeiro em 1992, prosperou centrada no mercado nacional. Três anos depois, a empresa especializada em vestuário em malha fully fashion começou a receber os primeiros clientes internacionais e a quota de exportação direta foi aumentando gradualmente, sobretudo com destaque para o mercado espanhol, mas também belga, francês, angolano e inglês.

«Nunca tivemos a necessidade de sair daqui para ir à procura de clientes – eles batiam à porta. Felizmente temos um know-how muito bom no mercado e o cliente sabe. Durante muitos anos isso serviu», afirmou o diretor-geral, António Ribeiro, a segunda geração ao leme da empresa, num artigo publicado na edição de abril do Jornal Têxtil (ver O negócio da moda).

As mudanças no mercado, contudo, estão a levar a produtora de vestuário a adotar uma posição mais proativa. «Temos de mudar de estratégia, o mercado já não se compadece de estarmos no nosso canto a trabalhar», assegurou ao Jornal Têxtil.

O contributo dos filhos Diogo e Tiago – netos do fundador – no negócio está a promover esta mudança, nomeadamente com a presença no Modtissimo, em fevereiro (ver Modtissimo ganha segunda casa). «Foi o Tiago que me levou a participar no Modtissimo», contou António Ribeiro, acrescentando que a experiência compensou. Além de vários contactos, que estão a ser trabalhados, «temos agora três clientes para a Holanda, para os quais vamos fazer coleções para o verão 2018», revelou o diretor-geral da Malhas Ribeiro & Silva.

Novos voos

A empresa quer agora usar essa experiência no aeroporto Francisco Sá Carneiro para levantar para novos voos. «No seguimento disso, vamos fazer em junho a Fashion SVP», anunciou António Ribeiro, apontando como objetivo «darmo-nos a conhecer, mostrar algo diferente – vamos levar alguns trabalhos que possam fazer a diferença».

Com 15 clientes ativos e produções para marcas como Carolina Herrera, Bimba y Lola, Purificación Garcia, Decenio e Lion of Porches, a Malhas Ribeiro & Silva quer agora diversificar os mercados e aumentar a exportação para alimentar o crescimento. «Os mercados nórdicos são importantes para nós. Sendo nós malhas exteriores, faz todo o sentido ir aos países mais frios», adiantou o diretor-geral. «Um dos objetivos é chegar a alguns clientes nesse mercado», indicou.

Com 34 trabalhadores, a empresa tem feito investimentos em novas máquinas, nomeadamente para malhas finas (jogo 14), mas os esforços estão atualmente concentrados na profissionalização do negócio e no marketing, não pondo de lado a criação de uma coleção e até de uma marca própria. «Para continuar a ter encomendas com clientes de elevada qualidade é preciso continuar a trabalhar, mas com preços muito mais apertados – a solução que temos é otimizar o processo produtivo. Está muito relacionado com a profissionalização da empresa», considera António Ribeiro.

Depois de um ano menos bom em 2016, as metas para 2017 são recuperar da queda das vendas e ultrapassar a barreira do milhão de euros no volume de negócios. «Em 2018 já temos de estar a falar de 1,2 milhões de euros e, dentro de três anos, temos de estar em 1,4 ou 1,5 milhões de euros. Depois teremos alguns reajustes e quando chegar ao teto das 40 pessoas temos de andar perto dos 2 milhões de euros», admitiu o diretor-geral.

«Neste negócio familiar é preciso estar constantemente à procura de novidade, da inovação. Não podemos parar no tempo – é o que vou passar aos meus filhos», concluiu António Ribeiro.