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Na vanguarda da sustentabilidade

O Eco Index, uma ferramenta de avaliação ambiental interna desenvolvida para os sectores do vestuário, calçado e equipamento, evoluiu a partir de uma ideia que surgiu em Agosto de 2006 no Outdoor Retailer Summer Market. Após cinco anos de execução, a ferramenta está agora acessível para teste através do ecoindexbeta.org, embora ainda existam diversos subgrupos activos a finalizar conteúdos. Estão ainda em desenvolvimento metodologias para produtos tóxicos e químicos, eficiência de materiais e equipamentos nos resíduos, bem como indicadores de responsabilidade social e trabalho justo. Enquanto isso, os indicadores para o final do ciclo de vida, embalagem e instalações estão a ser revistos. O Eco Index oferece, assim, um enquadramento abrangente para abordar a sustentabilidade em toda a cadeia de aprovisionamento. A falta de transparência nos materiais foi uma das principais razões na origem da Source4Style, uma plataforma on-line de “business-to-business” actualmente em beta público, que liga marcas de vestuário directamente à fonte das suas matérias-primas. A informação sobre sustentabilidade é construída num questionário inicial, com a maior parte das perguntas em sintonia com os indicadores de materiais do Eco Index. Quanta mais informação os fornecedores souberem dos seus próprios materiais, melhor a funcionalidade de busca que vão conseguir quando o sítio web passar para beta público dentro de poucos meses. Beth Jensen, directora de responsabilidade corporativa na Outdoor Industry Association, a organização de comércio de apoio ao Eco Index, explicou que o índice fornece uma plataforma para as marcas e retalhistas trabalharem com os fornecedores para recolher informação, levando ao objectivo final de uma maior transparência na cadeia de aprovisionamento. Até ao aparecimento do índice, faltava claramente um processo e uma estrutura para pensar sobre estas questões. Muitas empresas e marcas não sabem por onde começar quando o assunto é sustentabilidade. O Eco Index recebe todas as marcas, retalhistas e fornecedores na mesma página, trabalhando numa linguagem comum e usando uma forma comum de medir o progresso. Kevin Myette, director de integridade do produto na empresa REI, defende que: «enquanto não tivermos essa linguagem, minimizamos a nossa oportunidade de fazer a diferença». Myette, um dos membros do Eco Working Group da Outdoor Industry Association e presidente do subgrupo de sistemas da Sustainable Apparel Coalition, brinca que já não sabe para quem está a trabalhar, mas para ele não importa. O responsável reconhece que fazer parte dos esforços ajuda a impulsionar a indústria. A Sustainable Apparel Coalition (SAC), uma iniciativa anunciada no início deste ano, começou o Eco Index com um diálogo inicial entre a Patagonia e a Walmart. Jill Dumain, director de estratégia ambiental na Patagonia e presidente do Eco Working Group, indica que o objectivo da coligação é «reduzir o impacto da indústria de vestuário através da criação de um índice que permitirá às empresas classificar os seus produtos para uma reavaliação interna. Isto irá permitir-lhes aprender a melhorar os seus produtos e práticas, tanto do lado ambiental como social/laboral». Composto por um grupo de mais de 35 empresas e organizações associadas, o SAC é um bom começo. Lorrie Vogel, director de design na Nike, diz que a ferramenta de projecto é uma análise modificada do ciclo de vida para materiais. Na medida em que cerca de 60% do impacto vem dos materiais escolhidos pelo designer, a Nike exige que todos os designers utilizem a ferramenta no seu processo de design. «A ferramenta da Nike é complementar ao Eco Índex», refere Myette. «A Nike colocou o maior esforço sobre o impacto dos materiais, que é onde o Eco Index tem mais trabalho a realizar. Mas o quadro mais amplo de produtos não é tão robusto como o Eco Index, de modo que onde eles são fortes, nós somos fracos e vice-versa», acrescenta. Após o NRDC descobrir que a indústria têxtil era uma das duas indústrias mais poluentes e um dos 10 principais utilizadores de energia na China, a organização decidiu agir. Depois de anos de observação e pesquisa em fábricas chinesas, o NRDC desenvolveu 10 estratégias práticas que uma instalação pode tomar para reduzir a poluição e poupar dinheiro. Estas estratégias podem gerar economias para os fabricantes, bem como uma melhor pontuação no Eco Index para as marcas que questionam o desempenho dos fornecedores e práticas ambientais. Resta ver se o trabalho de fundo no vestuário para a sustentabilidade será, de alguma forma, comunicado aos consumidores no produto final, quer nas lojas de retalho tradicionais quer no comércio electrónico. Myette, em sintonia com outras empresas do sector, está cauteloso com a divulgação prematura ao público do trabalho de sustentabilidade e das ferramentas que estão a ser criadas. «Acredito que a meta de todos é, eventualmente, transformar as ferramentas que estamos a criar em melhores formas para comunicar com o consumidor», afirma Myette. «Mas este trabalho inicial não se refere à criação de ferramentas que são voltadas para o consumidor. Essa é uma dinâmica que irá prejudicar todo o esforço. Trata-se de decifrar e de aprender. Trata-se de chegar à verdade. Ter um índice semi-acabado para ser julgado por um consumidor contra ter um índice para o qual se está a aprender para perguntar como se pode melhorar, é uma dinâmica muito diferente», explica Vogel partilha a opinião de Myette: «a sustentabilidade é uma questão de mudança de sistemas. E nenhuma empresa pode fazer isto sozinha. Nós estamos a criar isto como uma indústria. E quanto mais rapidamente conseguirmos colaborar, mais rapidamente conseguiremos criar mudança»