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Na via da retoma

O Carrefour, prejudicado por dois alertas de lucro no ano passado, poderá decidir colocar em bolsa outros activos, como os seus negócios de imobiliário e desconto. Esta medida poderia aplacar os principais accionistas, que sentem que o valor intrínseco do grupo não está reflectido no preço das acções. Já o Ahold, que faz a maioria das suas vendas nos EUA, deverá devolver pelo menos 500 milhões de euros aos investidores, concedendo mais tempo ao director-executivo Dick Boer para decidir o que fazer com os 2 mil milhões de euros que detém. Os retalhistas em toda a Europa e nos EUA estão a enfrentar um futuro incerto, à medida que vários governos implementam novas medidas de austeridade para reduzir as suas dívidas e que os preços dos bens de consumo disparam. A Wal-Mart, o maior retalhista do mundo, registou a sétima queda consecutiva nas vendas trimestrais nos EUA. Em contrapartida, os resultados do grupo francês Casino devem mostrar que as empresas de retalho em mercados emergentes de rápido crescimento estão a sair-se melhor. Para o Carrefour, no entanto, o forte crescimento na Ásia e na América Latina no ano passado foi marcado por problemas no seu negócio de hipermercados no Brasil, que provocou dois alertas de lucro. Esta situação minou a confiança que tinha sido construída, procurando agora o grupo levar avante um plano de recuperação a três anos, destinado a angariar 4,5 mil milhões de euros de poupanças, e a apresentar um novo formato para os seus hipermercados europeus. Após um pico de 41,28 euros em Setembro, as acções do Carrefour caíram para 30,85 euros no início deste ano. O maior retalhista da Europa reagiu em Janeiro, dizendo que estava a pensar colocar em bolsa alguns activos, embora se comprometesse a manter o controlo do Carrefour Property, o seu braço imobiliário europeu. Outras opções para o Carrefour incluem a negociação em bolsa da sua cadeia de desconto Dia, no valor de 3,5 a 4,0 mil milhões de euros, a flutuação de parte dos seus negócios chineses e latino-americanos ou a venda de operações em países onde não é líder de mercado, como na Polónia, Roménia e Turquia. Devolver dinheiro aos accionistas vai ser provavelmente um tema importante para a Ahold. O retalhista, detido pelo líder de mercado holandês Albert Heijn, realiza 60% das suas vendas nos EUA, mas tem vindo a superar os rivais no particularmente difícil mercado norte-americano, suportado pela sua força nos Estados mais abastados do nordeste.