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Não-tecidos crescem com a pandemia

A procura adicional para máscaras e têxteis médicos acelerou no ano passado, impulsionando as exportações de não-tecidos, onde a China continua a ser a grande fornecedora mundial. O crescimento, contudo, não deverá parar e nos próximos anos espera-se que o mercado para este tipo de produto continue a aumentar.

[©Pixabay/Helena Jankovi ová Ková ová]

Em 2020, o mercado mundial de não-tecidos (incluindo produtores e importadores) terá rondado os 38,3 mil milhões de dólares (cerca de 32,6 mil milhões de euros), de acordo com as estimativas da IndexBox publicadas no estudo “World – Nonwoven Fabric – Market Analysis, Forecast, Size, Trends and Insights”. Este valor, que representa um crescimento de 6,9% face a 2019, foi impulsionado pelo aumento da procura de não-tecidos para máscaras e têxteis médicos.

Segundo o estudo, à medida que a taxa de imunização do covid-19 aumenta em todo o mundo, os efeitos da pandemia na economia deverão diminuir. Como tal, «em 2022-2023 já não vai haver uma forte procura por não-tecidos no sector médico e irá diminuir relativamente aos níveis atuais. Não obstante, a médio prazo, a procura vai manter uma tendência ascendente», refere a IndexBox, apontando que «os principais fatores a impulsionarem serão os regulamentos mais exigentes na saúde e segurança e novos hábitos de higiene desenvolvidos durante a pandemia».

O forte crescimento na indústria e na construção, que será evidente com o fim da pandemia, deverá aumentar a procura por não-tecidos de elevada densidade e para filtros. No sector agrícola, o consumo de não-tecidos spunbond deverá avolumar-se devido à sua crescente utilização na cobertura de estufas. Estes fatores irão tornar-se o motor subjacente para a expansão futura do mercado de não-tecidos, que a IndexBox projeta dever alcançar 13 milhões de toneladas até 2030.

China lidera produção

Pelo nono ano consecutivo, o mercado registou um aumento na produção mundial de não-tecidos, que subiu 2,3%, para 10 milhões de toneladas, em 2020. O volume total de produção cresceu a uma taxa anual média de 3,6% entre 2012 e 2020. Em valor, a produção de não-tecidos expandiu-se ligeiramente em 2020, para 36,5 mil milhões de dólares (a preços estimados de exportação).

A China, com 3,9 milhões de toneladas, é o país com maior produção, representando cerca de 38% do total e mais do triplo do segundo maior produtor, os EUA, com 1,2 milhões de toneladas. A Turquia, com 550 mil toneladas, surge na terceira posição, com uma quota de 5,3%.

[©Pixabay/xiuzen1987]
As exportações também aumentaram pelo nono ano consecutivo, tendo subido 8,8%, para 4,1 milhões de toneladas, em 2020. A taxa de crescimento média foi de 5,3% entre 2012 e 2020, com a IndexBox a estimar que as exportações de não-tecidos tenham atingido 17,4 mil milhões de dólares.

A China lidera, com 1,4 milhões de toneladas de não-tecidos exportados no ano passado e uma quota de 34%, seguida de longe pela Alemanha (390 mil toneladas), Reino Unido (295 mil toneladas) e Itália (293 mil toneladas) – estes três países, em conjunto, representam 24% de todas as exportações deste tipo de produto. Turquia (117 mil toneladas), República Checa (141 mil toneladas), França (118 mil toneladas), Espanha (105 mil toneladas), Polónia (94 mil toneladas), Israel (76 mil toneladas), Índia (72 mil toneladas), Coreia do Sul (72 mil toneladas) e Japão (68 mil toneladas) têm quotas minoritárias nas exportações de não-tecidos.

Em valor, o cenário é semelhante, com a China a ter uma quota de 29% das exportações mundiais, equivalente a 5 mil milhões de dólares, seguida da Alemanha (12%, representando 2,1 mil milhões de dólares) e dos EUA (quota de 11%).

O preço de exportação médio em 2020 dos não-tecidos ficou em 4.199 dólares por tonelada, o que revela um aumento de 3,7% face a 2019. Entre 2012 e 2020, os preços subiram sobretudo nos não-tecidos provenientes dos EUA, enquanto os restantes líderes mundiais experienciaram um ritmo de crescimento mais lento.